Como
gostaria de ser poeta, saber jogar com
as palavras
Faria um
poema, mas não seria dedicado a ti meu
moinho,
Colocaria
cada palavra no seu lugar, cada qual no
sitio certo,
E
dedicaria àquela que comigo fez de ti o
nosso ninho.
Já não
tens velas para rodar, já não fazes mais
pão,
Estás
imóvel no alto dessa serra, testemunha
do passado,
Quem
poderá saber o que já viste, o que
tiveste dentro de ti,
Quantos
te visitaram, quantos viveram no teu
interior,
Que
segredos guardam as tuas paredes grossas
de pedra fria.
Mas, não
falas, não podes desvendar para ninguém,
Talvez
tua sina não seja triste e por isso não
sentes dor,
Guardas
para ti, entre as tuas pedras velhinhas,
A
recordação dos nossos momentos de amor.
O Vento
entrava nas tuas janelas e a lua
espreitando lá fora,
Foram
nossos companheiros fiéis de todos os
momentos,
Ele,
soprando levemente nossos corpos nus,
cansados,
Ela, com
sua suave luz, iluminava o corpo de
minha amada,
Aquele
corpo querido, desejado, que foi meu,
totalmente meu.
Momentos
de felicidade vividos entre tuas paredes
de pedra,
Instantes
que ficarão para sempre retidos na
memória,
Felicidade extrema, vivida intensa e
apaixonadamente,
Por dois
seres que se amam, se desejam e se
tiveram.
Segundos,
minutos, horas, dias vividos em comum,
Onde
qualquer gesto, qualquer palavra foram
verdade,
Aquela
verdade que o amor encerra e em que tudo
é belo,
Cada
olhar trocado, cada tocar de mãos, cada
carícia,
Um beijo,
outro beijo, cada um mais prolongado.
Uma cama
banhada pelo luar, dois corpos nela
deitados,
Um
cobertor no chão estendido, dois amantes
se beijando,
Um jantar
a dois, naquele lugar quase abandonado,
Um curto
passeio nocturno, bem juntinhos, lado a
lado.
Procurando por ela no escuro, qual
menina brincando,
Fugindo,
de brincadeira, como que me desafiando,
Sabendo
que a loucura ia aos poucos aumentando,
Depois,
corpos abraçados, o teu interior
procurando,
Para, num
segundo, sermos um só corpo, de novo se
amando.
Foste tu,
moinho de vento, testemunha de tanto
amor,
Carinho,
ternura, paixão, carícias tanto tempo
contidas,
Tanto
tempo desejadas e finalmente vividas,
Foi no
teu seio, moinho de vento velhinho,
cansado,
Que a ela
me entreguei, amei e fui amado.
Se eu
fosse poeta, saberia ter feito um poema,
Não fiz,
pois poeta não sou, nunca tal serei,
Sou
apenas eu, que nestas palavras colocadas
à toa,
Quero
dizer para ela, nesta minha maneira
singela,
Que a
quero, que a amo, que a desejo, como
nunca antes dela,
Alguém,
deste jeito, eu alguma vez amei.