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Abro as
portas do
coração, quero
passear nos
meus jardins,
ver as flores
ainda
adormecidas
sob a tênue
claridade da
manhã
que já vem
vindo ...
Suaves
saudades me
tomam de
assalto,
provocando um
longo
suspiro
nascido na
minha alma,
empurrando
meus
pensamentos
para horas
ainda pálidas,
quando a magia
do amanhecer
tingia
a paisagem
sonolenta e
silenciosa dos
meus dias de
menina...
Pequenos
botões
palpitam de
esperança
entre a
folhagem macia
e cintilante.
Cada um deles
carrega uma
prece pelo
amanhã,
um
secreto desejo
para o tempo
que há de vir
...
Caminho
cuidadosamente
entre as
hastes das
roseiras
maravilhosas,
cujos espinhos
pretendem
proteger a
todo custo,
ferindo os
dedos que
ousarem
tocá-las ...
Sorrio ao ver
um ninho de
pardais
escondido
entre a
folhagem,
invejo
a irrequieta
borboleta que
exibe suas
asas amarelas
num galho de
jasmim ...
A vida boceja
sob os beijos
do orvalho, e
a luz azulada
vai ganhando
matizes
dourados,
enquanto o sol
estende sua
cabeleira cor
de fogo nas
linhas do
horizonte...
É dia outra
vez !
Num espetáculo
de cor e
brilhos, a
manhã avança
sobre o meu
jardim,
invade o meu
olhar, lava o
céu do coração
.
O tempo começa
sua ciranda
diurna,
despertando a
vida ao meu
redor..
Um bando de
garças cruza o
céu, e suas
vozes parecem
celebrar a
ventura
de estarmos
vivos ...
Sinto-me
abençoada pela
dádiva desses
momentos que
escrevem a
história
dos meus dias.
Definitivamente,
jamais
compreenderei
aqueles que
petrificaram
suas almas,
esquecidos da
ternura que há
em tudo quanto
existe, embora
ela precise
estar dentro
do olhar, para
que a
encontremos
nos grandes
pequenos
milagres
que nos
cercam.
Pensemos
nisso.
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