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O corpo flutua no
ar,
como uma mensagem estranha,
vinda do local extremo,
desliza pelas mentes e,
borbulhantes,
faz de cada um não um espectador,
mas um comparsa,
um amante latino
à espreita.
Figura indecifrável,
a loira ocidental figura
nos olhos azuis
(ou seriam verdes?)
nada importa:
ela desliza
e por ela deslizam as palavras
que nada conseguem descrever.
Seu corpo,
garota de Ipanema paulista
da beleza de todas as belezas,
é a curva de Niemeyer,
descrevendo com músculos
a beleza dos arcos
e o encontro plácido
das águas e do concreto.
Seu corpo esguio,
italiano composto,
gira e roça e,
sem tocar,
faz com que todos,
tímidos e incapazes
sintam um toque mágico
como se estivessem naquele momento
em pleno delírio erótico e sexual
de corpos que ao suor se misturam.
E olhando-a,
quem melhor pode olhar,
(e poucos são e sempre serão)
verá que o erótico ali presente,
escondido no véu das vestes ,
sensuais delineando as curvas,
longas desenhando vôos de gaivotas,
escuso, mas ao mesmo tempo
presente como nenhum corpo
que por ali esteja,
rodopia escondido, mas presente.
E num momento de olhar maior,
penetrando seu íntimo e seu sexo,
descobrirá nas palavras ausentes,
o verdadeiro momento do corpo,
que flutua com as palavras,
num doce e meigo boa noite.
E juntos então, corpos e mentes,
poderão, mãos dadas ao mundo,
olhar para cima e para as estrelas
e dizer num silêncio íntimo
só deles, mesmo que erótico para todos:
boa noite amor.
E no abraço do sexo encontrado
corpos unidos num espanto
saberão que a dança que continuava
era a sua primeira e inesquecível dança.
E juntos farão sempre desse momento
a melodia de amar sem buscar,
nada além do que aquilo que se revela,
como uma flor se revela à noite
e a luz no poente sol,
se revela ali o que é vida
no erótico momento deles dois.
Só nós dois. Num doce silêncio
olhando as folhas de outono
que caem amarelas no chão
e sem nada dizer, apenas ouvindo,
o doce correr do vento,
olhando nos olhos e em silêncio,
doce como já disse,
num afago de olhos,
dizendo boa noite.
Que os carinhos do sono,
sejam antes de que tudo,
os carinhos de nosso amanhã.
É noite...
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