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Sentado, olhando todo o alcance
da visão...
os pensamentos escorrem lentamente como areia entre os
dedos...
uma nostalgia misturada a braços caídos...
uma sensação de não estar realizado,
como que uma agonia inquieta que sobe do estômago...
nossa simples existência nada conta..
algo nos perturba, algo indefinido e indefinível..
saltar para outro lugar?
Outro país?
onde estarei com meu espirito calmo e repleto?
solidão se junta a insatisfação...
a cara que nos é habitual nos enfarta...
os pormenores menos agradáveis se juntam
como gotas de água pingando em taça...
começa a noite cada vez mais completa no pc...
depois, o pretexto para fazer a mala e partir...
Para onde?
para onde o sorriso impere,
para onde recomece tudo de novo...
uma mulher, uma casa, um outro meio...
solidão é um verme que perfura,
se contorce, se averruma...
espirito de conquista?
De cruzado?
de navegante?
De "bolinar" contra ventos e marés?
A busca da tempestade do "bojador"
para ter o orgulho de sair "são e salvo"?
Nunca se sai...
umas aparas no mínimo lá ficaram,
e vão alimentar esse ogre voraz a que chamamos de
solidão!
solidão, a dos "malditos"!
a dos sempre sem eira nem beira,
permanentes ciganos de terras e gentes,
dos que fogem para nascerem
e se desenvolverem como hera no muro,
buscando o sol no ser novamente reconhecido pelo seu
valor pessoal...
há sempre um mais além,
como cachorro insatisfeito no passeio das redondezas de
sua casa...
um próximo minuto a ser gozado,
minuto esse de relogio de ponteiros encravados..
O tempo pára!
olho para o lado: ninguém!
Terei força para me levantar e avançar?
travarei minhas idas e vindas lentas
e sem sentido ou finalidade?
tudo que havia a observar está visto...
O mundo me pertenceu, nada mais há la longe!
o mundo é uniforme e vazio...
cinzento opressivamente húmido como numa sauna sem
luz...
FICO AQUI!
É minha vontade!
Eu mando e tu cérebro me hás-de obedecer!
Te renego solidão!
te expulsarei para o mais baixo da inconsciência!
E se ganhei outras guerras,
sou homem para vencer esta muito mais insidiosa e
destrutiva,
meus punhos se erguerão para o céu neste clamor!
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