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Choro
às vezes minhas raízes
saudades dos costumes
vividos
quanta gente deixa seus
países
tornando-os passados
adormecidos.
Meus pais se despediram da
sua terra
partiram do Líbano, região
dos Montes
jovens soldados de uma
"declarada guerra"
batalhas por novos e
largos horizontes.
Saudade dilacerando suas
tenras vidas
lágrimas tantas, com
cheiro de nunca mais
retratos rotos, notícias
velhas já vencidas
tanta demora, pra receber
simples jornais...
País ainda novo, sem
muitas ofertas
lidas no campo da manhã ao
crepúsculo
sonhos para os filhos,
palavras de alertas:
"escrevam suas histórias
com H maiúsculo"
E assim se fez o adeus,
reencontros jamais
navios a vapor, viagens
lentas e sofridas
pela última vez viam seus
amados pais
(choraram seus fins sem
quaisquer despedidas...)
Novo país, novos sonhos,
um recomeço
desafios da língua e de
preconceitos
lombo de uma mula, como
novo endereço
e meu pai vencia com a
arma do respeito
Mascateando com fome, em
suas jornadas,
portas sempre batidas por
mãos inclementes
dormia ao relento, com
mantas enroladas
não se viam estrangeiros
"gente como a gente."
Foi alcançando com ardor
seus ideais
Montou comércio numa
pequena freguesia
já casado, em forte luta,
braços iguais
mulher companheira , na
dor e alegria
Choro sim as minhas
saudosas raízes
os costumes, as festas os
beijos ternos
Partiram, mas nos deixaram
suas matizes
exemplos de vida, como um
filme eterno!
os pais com seus exemplos,
são livros de sabedoria
uma grande biblioteca de
vivência, formada dia a
dia
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