Às vezes no meu pensamento você se instala,
Como um pássaro no ninho...
Percorre o meu interior, 

acaricia o meu corpo, dança comigo.
Afaga-me os cabelos, os seios, o umbigo
E eu deliro!...
Às vezes no meu pensamento 

você se instala como a ostra na concha...
E nele faz eróticos redemoinhos.
Embriaga-me de prazer, de sonhos,
De desejos...
E eu viajo!
Por estradas imensuráveis 
e por limitados caminhos
Vamos nós dois, ora pulando,
ora sorrindo - como se anunciássemos 
as delícias do amor.
E, numa vontade voraz numa ânsia tresloucada, 

nos possuímos, nos amamos
Dando voz à madrugada.
Às vezes do meu pensamento você 

me escapa como um peixinho ligeiro...
Torno-me só, indolente, desolada.
E nesse momento pungente é que concluo
Que sem você sou vazia, incapaz,...
Sou quase nada... 

 

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