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Que bom te ver de novo ao meu lado,
Mesmo sabendo que não foste, nem és minha.
O essencial, porem, é que me serves
Como a loucura, que a tudo desengrena.
Minha vida arrancaste de seus trilhos;
Eu te agradeço, me devolveste à vida.
Onde ficaram as nossas confidências,
Os gestos largos, sem fim e sem propósito?
Tudo faz parte de um futuro já passado,
Um tempo de vontades esquecidas,
Do qual, se não me esqueço, não me orgulho.
Tempo gasto em belos devaneios,
Pois, ao chegar a hora da escolha,
Faltou coragem para torná-los sonhos.
Já aprendemos que a vida é muito simples
E, ainda atônitos, frente a tal simplicidade,
Sentimos nossas vidas se cruzarem,
Embaladas pelo vinho que entorpece.
Depois, nessas paixões de fim de noite,
Mais reais do que as promessas não cumpridas,
Volto a te buscar ensandecido.
Sem maiores ilusões a teu respeito,
Ilusão maior em que insisto,
Fecho os olhos e me sinto ao teu lado,
Abro os olhos e vejo o escuro me engolindo.
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