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É possuir um pouco de sanidade e
de louco;
ao despir a alma sem pudor
quando fala de amor.
É divagar, devagar...
Lentamente...
Em busca da rima para compor
seus versos,
é revelar tudo que sente na alma
latente,
ao emergir os sonhos submersos.
É ter coragem de dizer em doces
rimas,
muitas vezes até mesmo em tom
jocoso,
o que os outros nem sempre
admitem
temendo o ridículo, com vergonha
de seus sonhos.
Ser poeta e desvendar a alma
humana
saber ler nas entrelinhas o que
a boca não diz.
É chorar sua dor brincando com
as rimas,
fazer com que acreditem que ele
é feliz.
É descobrir a cada dia o encanto
em nova rima
nas coisas mais simples, no
cotidiano, ou nas mazelas.
E mesmo quando a dor está
próxima e dele avizinha,
ele a ignora, faz um verso e
acaba rindo dela!
É buscar talvez, como única
recompensa,
ver sua obra respeitada por quem
as ler,
pois para o poeta, creio, que a
maior ofensa,
é a omissão de seu nome quando
alguém as transcrever.
Ser poeta é muito mais, é ir
além!
É revelar seu amor ainda que
profano,
é renascer das cinzas a cada
desengano
para alimentar a chama que em
seu peito clama. |
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"
Renascer das cinzas" -
Antonieta Elias Manzieri

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Poema dos Olhos da Amada"
(Paulo
Soledade e Vinícius de Moraes) |