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Somos cães de nós
mesmos
Lambendo nossos
ossos
Sugando o próprio
sangue
Querendo cortar a
nossa carne
Cravar dentes
afiados nas paixões
interiores
Devorar vorazmente
os próprios amores
Escrevo em versos
livres
Mas de alma
acorrentada
Ao rio caudaloso que
corta minha vida
Partida, rasgada e
fendida ao meio
Alma vestida de
festa
Prisma decompondo a
minha luz
Desvirginando meus
lados ocultos
Violando
violentamente meu
espaço
Quero me jogar no
abismo
Dos meus vazios
existenciais
Sinto a dor
necessária para
sorrir
Tenho a pele
esfolada pelos cacos
de vidro
Do meu eu quase
fragmentado
Metade recuperada,
cuspida e vencida
De uma cria mal
parida
Estamos sendo
obrigados
A cometer suicídios
forçados
Abrimos as pernas
como cadelas no cio
Cobras criadas
devorando ratos de
esgoto
Meus monstros já não
cabem mais
Lá embaixo dentro do
porão
Vivem como baleias
assassinas
Nadando em piscinas
Lobos uivando pra
lua
Dentro de jaulas
sujas
Vou libertá-los
desse jugo
Para tocarem meu
lado B
Sou um homem de
letras
E cansei de me
envenenar
Preciso encontrar as
entradas
Porque entre as
coisas conhecidas
E as desconhecidas
existem as portas
Que precisam ser
abertas
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