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Na música sonâmbula de
orgias...
Um bêbado chorando, outro
a cantar.
Vermelhas lâmpadas ou
verdes: frias!
Conchinhas, símbolos de um
lindo mar...
Delgadas bailarinas vão
girando,
E as virgens delirando sob
o véu...
Cortinas de um cenário,
desvendando,
Nervosas cenas de um
grande bordel.
Baralhos espalhados sobre
a mesa,
Azedos copos com bebidas
quentes...
Mil corpos nus, por toda a
redondeza:
Torpes mulheres, homens
indecentes.
As aves mornas de olhos
bem fechados,
Cachorros magros nas latas
de lixo!
Gatos miando em todos os
telhados,
Um Santo Antônio cativo no
seu nicho...
Moscas e empadas dormem
nas vitrinas...
E os balconistas com
ouvidos moucos.
Privadas sujas, fétidas
latrinas...
Meninos a sonharem pecados
loucos.
Enquanto o dia se aproxima
atento,
Perversamente demonstrando
as cores,
Da boemia vem surgindo
lento
O desalento que inventou
amores...
Eternamente a Terra Mãe
flutua
E a Lua pálida espia o
Universo.
Uma senhora dorme seminua,
E um Poeta triste ainda
boceja um verso... |