A pedra no caminho

Do livro: O Livro das Virtudes II - O Compasso Moral

(Folclore de Vila Velha da SantíssimaTrindade - Ex-capital deMT)

Conta-se a lenda de um rei que viveu
num país além-mar há muitos anos.
 Ele era muito sábio e não poupava esforços
para ensinar bons hábitos a seu povo.
Freqüentemente fazia coisas que pareciam estranhas
e inúteis; mas tudo que fazia era para ensinar o povo
a ser trabalhador e cauteloso.

"Nada de bom pode vir a uma nação
cujo povo reclama e espera que outros
resolvam seus problemas.
Deus dá as coisas boas da vida a quem
lida com os problemas por conta própria."
- Dizia ele.

Uma noite, enquanto todos dormiam,
 ele pôs uma enorme pedra na estrada
que passava pelo palácio.
Depois foi se esconder atrás de uma cerca,
e esperou para ver o que acontecia.

Primeiro veio um fazendeiro
com uma carroça carregada de sementes
que ele levava para moagem na usina.
"Quem já viu tamanho destino?"
- disse ele contrariadamente,
enquanto desviava sua parelha e contornava a pedra.
"Por que esses preguiçosos
não mandam retirar essa pedra da estrada?"
- E continuou reclamando da inutilidade dos outros,
mas sem ao menos tocar, ele próprio, na pedra.

Logo depois, um jovem soldado, veio cantando pela estrada.
 A longa pluma do seu quepe ondulava na brisa,
e uma espada reluzente pendia à sua cintura.
 Ele pensava na maravilhosa coragem
que mostraria na guerra.
O soldado não viu a pedra, mas tropeçou nela
e se estatelou no chão poeirento.
Ergueu-se, sacudiu a poeira da roupa,
pegou a espada e enfureceu-se com os preguiçosos
que insensatamente haviam largado
uma pedra imensa na estrada.
Então, ele também se afastou,
sem pensar uma única vez
que ele próprio poderia retirar a pedra.

Assim correu o dia.

Todos que por ali passavam reclamavam
e resmungavam por causa da pedra
colocada na estrada, mas ninguém a tocava.

Finalmente, ao cair da noite,
a filha do moleiro por lá passou.
 Era muito trabalhadora, e estava cansada,
pois desde cedo andava ocupada no moinho.
 Mas disse a si mesma:
"Já está quase escurecendo,
 alguém pode tropeçar nesta pedra à noite
e se ferir gravemente. Vou tirá-la do caminho."
E tentou arrastar dali a pedra.
Era muito pesada, mas a moça empurrou,
e empurrou, e puxou, e inclinou,
até que conseguiu retirá-la do lugar.

Para sua surpresa, encontrou uma caixa debaixo da pedra.
Ergueu a caixa.
Era pesada, pois estava cheia de alguma coisa.
Havia na tampa os seguintes dizeres:
"Esta caixa pertence a quem retirar a pedra."
Ela abriu a caixa e descobriu que estava cheia de ouro.
A filha do moleiro foi para casa com o coração feliz.

Quando o fazendeiro e o soldado e todos os outros
ouviram o que havia ocorrido,
juntaram-se em torno do local na estrada
 onde a pedra estava.
Revolveram o pó da estrada com os pés,
 na esperança de encontrar um pedaço de ouro.

"Meus amigos" - disse o rei -,
"com freqüência encontramos obstáculos
e fardos no caminho.
Podemos reclamar em alto e bom som
enquanto nos desviamos deles se assim preferirmos,
ou podemos erguê-los e descobrir o que eles significam.
A decepção é normalmente o preço da preguiça."

Então o sábio rei montou em seu cavalo
e com um delicado boa noite retirou-se,
deixando os preguiçosos para trás.

(Texto retirado da Hp do ZaXXon)

"Quando estiveres com alguma dificuldade, não cruze os braços, porque o maior homem morreu de braços abertos."

Autor desconhecido

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