A janela

(Autor desconhecido)

Dois homens olharam através das grades de uma prisão: um viu a lama, o outro as estrelas...

Dale Carnagie

(Cáceres - cidade que marca o início do Pantanal Matogrossense)

Certa vez, dois homens estavam seriamente doentes
na mesma enfermaria de um grande hospital.
   O cômodo era bastante pequeno
e nele havia uma janela que dava para o mundo.
Um dos homens tinha, como parte do seu tratamento,
permissão para sentar-se na cama por uma hora durante as tardes
(algo a ver com a drenagem de fluido de seus pulmões). 
Sua cama ficava perto da janela.


 

 O outro, contudo, tinha de passar todo o seu tempo
deitado de barriga para cima. 
Todas as tardes, quando o homem cuja cama ficava perto da janela
era colocado em posição sentada,
ele passava o tempo descrevendo o que via lá fora.


 

A janela aparentemente dava para um parque onde havia um lago.
Haviam patos e cisnes no lago, e as crianças iam atirar-lhes pão
e colocar na água barcos de brinquedo. 
Jovens namorados caminhavam de mãos dadas entre as árvores,
e havia flores, gramados e jogos de bola.
E ao fundo, por trás da fileira de árvores,
avistava-se o belo contorno dos prédios da cidade.  
O homem deitado ouvia o sentado descrever tudo isso,
apreciando todos os minutos.
 Ouviu sobre como uma criança quase caiu no lago
e sobre como as garotas estavam bonitas em seus vestidos de verão.
 As descrições do seu amigo eventualmente o fizeram sentir
que quase podia ver o que estava acontecendo lá fora...

Então, em uma bela tarde, ocorreu-lhe um pensamento:
por que o homem que ficava perto da janela
deveria ter todo o prazer de ver o que estava acontecendo?
 Por que ele não podia ter essa chance?
Sentiu-se envergonhado, mas quanto mais tentava não pensar assim,
mais queria uma mudança. 
Faria qualquer coisa!
Numa noite, enquanto olhava para o teto,
o outro homem subitamente acordou tossindo e sufocando,
suas mãos procurando o botão que faria a enfermeira vir correndo.  
Mas ele o observou sem se mover...
mesmo quando o som de respiração parou.

De manhã, a enfermeira encontrou o outro homem morto e,
silenciosamente, levou embora o seu corpo. 
Logo que pareceu apropriado, o homem perguntou
se poderia ser colocado na cama perto da janela.
Então colocaram-no lá, aconchegaram-no sob as cobertas
e fizeram com que se sentisse bastante confortável. 
No minuto em que saíram, ele apoiou-se sobre um cotovelo,
com dificuldade sentindo muita dor, e olhou para fora da janela.

Viu apenas um muro...

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