A troca de bens não é um favor, mas um dever universal.

(Pio XII)

Naquela manhã de Natal, o chefe da família lia o seu jornal quando,

entre várias notícias importantes, deparou com a seguinte nota 

em destaque: 

"Se quiser gozar um dia de Natal muito mais alegre

 e feliz, reparta com outrem alguma coisa boa." 

Leu outra vez a nota e dando uma palmadinha na perna, exclamou:

"Que idéia interessante!" 

Levantou-se e foi dar uma espiada na geladeira. 

"Veja só que beleza! Dois perus assadinhos!" 

Tirou então o maior, colocando-o numa bandeja descartável, 

envolvido numa folha de papel laminado. 

Em um pequeno cartão, ele copiou a nota encontrada no jornal 

e o depositou sobre  o presente. 

Tomando o chapéu, saiu com a bandeja dentro de um cesto vazio,

que a esposa recebera com guloseimas, 

e seguiu em direção à casa do velho sapateiro ali do bairro.

Devagarzinho e sem fazer barulho, 

ele colocou o cesto na porta da entrada,  bateu palmas

 e antes que o atendessem 

seguiu rapidamente o seu caminho de volta, 

carregando consigo uma grande sensação de bem-estar.

- Que magnífica e oportuna surpresa - disse o sapateiro, 

ao descobrir que na sua porta havia um presente. 

Lendo o cartão, ele coçou a cabeça 

como quem está à procura de alguma coisa. 

Finalmente, concluiu com alegria:

- Já sei o que vou fazer. Levarei a franguinha

 que havia comprado para o meu almoço de hoje, 

e a darei para a pobre viúva do meu amigo Mendes.

Guardou no forno o peru que recebera 

e no mesmo vasilhame meteu a franguinha ainda sem assar, 

também acompanhado do mesmo cartão, 

deixando tudo na porta da viúva. 

Esta, ao abri-la, arregalou os olhos diante da tão agradável surpresa. 

Lendo o cartão, disse depois de pensar um pouco:

- Levarei o pudim que fiz para a pobre lavadeira, 

que está meio adoentada.

Ela estava no quintal estendendo roupa e nem viu a viúva entrar,

 colocar o cesto sobre a mesa e sair. 

Quando viu o presente e leu o cartão,

 ficou também entusiasmada com a idéia  e decidiu assar um bolo 

e levar aos pequenos órfãos do Sr. Bastos. E assim fez. 

Tomou-o, foi à casa das crianças e, entrando sem bater, 

o colocou sobre a mesa, na presença dos três órfãos, dizendo: 

"Se quiser gozar um dia de Natal  muito mais alegre e feliz, 

reparta com outrem alguma coisa boa."

As crianças, vendo o bolo, ficaram emocionadas 

e disseram umas para as outras: 

"Um bolo de verdade para nós. Igualzinho ao que mamãe fazia! 

Como está cheiroso..."

O mais velhinho dos três, lembrando as palavras da lavadeira, 

sugeriu cortar uma fatia do bolo e levá-la para o Tonico, 

que é aleijado, também pobrezinho  

e que nunca recebe coisas gostosas de ninguém. 

Os outros dois concordaram e eles, alegres, 

saíram levando a fatia para o menino, 

que passava o dia em sua cadeira de rodas. 

Entregando o pedaço de bolo, um dos órfãos repetiu para ele:

"Se quiser gozar um dia de Natal muito mais alegre e feliz,

reparta com outrem alguma coisa boa." 

Depois, saíram os três. 

Tonico foi comendo o bolo 

e espalhando as migalhas para os passarinhos, 

que comiam saltitando como a dizer também: 

"Se quiser gozar um dia de Natal..".



Para quem busca Cristo, sempre é Natal!

Feliz Natal!!!

 

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