O Natal traz às nossas vidas as mais variadas recordações

e uma grande dose de bons sentimentos de fraternidade.

Em todos os cantos do mundo há um apelo para a bondade.

O mundo parece se contaminar com esses desejos por alguns momentos

e até parece que os corações se transformam,ficam mais humanos.

Porém, o que assistimos todos os anos é que os cumprimentos,

desejos e confraternizações natalinas ficam apenas em alguns momentos

e raramente conseguem ultrapassar o final do ano.

Assim que chega a dura realidade da disputa, da luta diária,

das dificuldades logo o homem se esquece dos nobres sentimentos

pelos quais foi permeado por aqueles instantes.

Mesmo a mais sincera boa disposição das pessoas

com a maior honestidade possível,

logo sucumbe aos atritos e dificuldades.

O sonho de um tempo novo se esvai e ficam apenas os cartões

e votos de Feliz Ano Novo,

que se repetem a cada ano formulados pelos amigos e conhecidos.

Não há dúvida de que nos faz bem sermos lembrados,

fazermos festa, celebrarmos com a família

e amigos momentos de união e de alegria...

No entanto, esses sentimentos que brotam nos corações das pessoas

demonstram que é possível alguma coisa mudar.

Por isso, a Igreja preparou o Tempo do Advento

como um tempo de reavivar a esperança em nós para acolhermos

e atualizarmos a presença de Cristo hoje em nossas vidas.

Será pela presença do Cristo que as coisas podem ir se transformando.

Encontrar-se com Cristo, na Palavra, na Eucaristia,

no irmão, no pobre, na oração, nos acontecimentos,

no hoje de nossa vida deveria marcar este tempo.

Mais do que nunca,

nesta celebração dos 2.000 anos do nascimento de Cristo

somos chamados e devemos colocar,

no silêncio de nossas vidas diante de Deus Pai

que enviou o Seu Filho para nos salvar,

o nosso compromisso de corresponder aos dons que recebemos,

seja vivendo de uma nova maneira, seja sendo sinal do Reino.

João respondeu com clareza àqueles

que lhe perguntavam o que deveriam fazer.

Cabe também a nós nos perguntarmos e respondermos

quais seriam as atitudes concretas que nós deveríamos tomar

para que o anúncio do Mistério da Encarnação

se concretize também em nossa vida hoje.

O Cristo que veio e que virá será também o Cristo que vem

e atualiza em nossas vidas o encontro que nos faz renascer.

Como gostaria que as palavras pronunciadas neste tempo

ficassem gravadas, como se fosse em pedras,

para nunca as esquecermos

e estarmos dando passos para as concretizarmos!

Com uma vida que se transforma,

com uma boa celebração penitencial,

com as reflexões da novena de Natal,

com o encontro entre as pessoas

e o compromisso com a unidade e o mundo novo,

na procura da fraternidade em nossas famílias e vizinhança,

poderemos ver que as coisas podem se transformar,

conduzidos que seremos pelo Espírito Santo,

o nosso Paráclito.

Se fizermos uma pesquisa sobre o que

ou sobre quem esperamos neste Natal iremos ficar decepcionados:

a grande maioria espera o Papai Noel, o presente,

a visita de um ente querido, uma mesa farta, uns dias de folga,

um encontro com os amigos...

mas quase ninguém aguarda um novo encontro com Cristo.

Se é verdade que nós já nos encontramos com Ele,

é também verdade que quanto mais o tivermos encontrado,

mais em nós reacende o desejo de buscá-lo!

Mas um encontro com o Cristo que liberta

e que nos ajuda a trabalharmos pela vida das pessoas,

sua libertação, sua felicidade!

Por que os votos de solidariedade

não se transformam em atitudes concretas durante todo o ano?

Por que as alegres músicas poéticas e sentimentais natalinas

não nos ajudam a viver o amor ao próximo e diminuem e violência,

o roubo, a droga, o álcool, a divisão em nossa sociedade?

É tempo de, neste Natal,

nos comprometermos em acolher na simplicidade Aquele

que armou a sua tenda no meio de nós

abaixando as montanhas dos nossos orgulhos,

tapando os buracos de nossos pecados

e endireitando os nossos caminhos tortuosos....

Após alguns atos de fraternidade com os mais pobres nesta época do Natal,

as coisas tendem a continuar como sempre estiveram

com nossos jovens sendo explorados pelas drogas,

os sem teto residindo em nossas ruas, os pobres vivendo sem perspectivas,

as famílias se desunindo, a violência aumentando...

É bonito ver as nossas cidades enfeitadas

com luzes por todos os lados.

É agradável ouvir as músicas natalinas em nossas emissoras

e em todos os locais públicos.

Como sonharia ver tudo isso prolongado,

com a graça de Deus, por todos os dias dos anos

que se seguirão no início deste século e milênio!

Convido todos vocês a grandes atitudes

e a uma fraternidade maior,

que nos unam ainda mais

e realmente dê ao mundo a esperança de um tempo novo

no milênio que se inicia após as celebrações dos 2.000 anos de Natal.

É neste sentido, comprometido com toda essa transformação,

que desejo a todos um Feliz Natal e um esperançoso início de milênio

e século ao raiar do Novo Ano.

“Que o vento sopre tranqüilo em seu rosto,

que a chuva caia mansa em suas terras”,

que os seus caminhos sejam retos,

que o compromisso com a Vida seja contínuo e que,

durante todos os dias do novo ano,

o “Senhor o guarde na palma de sua mão”.

 

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