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Caminhava confiante e alegre na
estrada da vida,
procurando encontrar um porto florido
para ancorar.
Sonhava com este lugar coberto de
verde
e cheio de flores a perfumar.
O tempo passava.... eu não encontrava
este lugar,
mas não desanimava e sempre alegre
continuava a caminhada.
Houve dias de sol e os raios solares
pareciam setas a me guiar.
Houve dias de chuva e as nuvens cinzas
embaçavam meus olhos,
tornando nebuloso o meu caminhar.
Em um determinado momento de minha
jornada,
me senti só, abandonada.
A alegria cedeu lugar a tristeza e a
esperança ao desânimo.
Parei, e, em meio as lágrimas quentes
que molhavam meus olhos,
não me deixando ver, elevei o meu
olhar para o céu
e ao Senhor perguntei:
onde estás meu Pai que não respondes
ao meu clamor.
Tende compaixão dessa alma angustiada,
cheia de dor.
Ergue teus olhos para mim e mostra-me
o caminho a seguir.
Neste instante, uma imensa luz surgiu
diante
de meus olhos e a linda face de um
anjo apareceu
e num tom suave, mágico, falou:
o Porto Florido que procuras, já
encontraste
e é nele que hoje caminhas.
Fechei os olhos e meditei.
Ao abri-los, o verde de outrora
novamente apareceu
e as flores desabrocharam com todo o
seu perfume.
As rosa eram de uma beleza rara,
mas entre todas elas, uma era mais
formosa.
Fixei meu olhar nesta rosa
e senti uma imensa onda de amor
invadir o meu coração.
Foi então que percebi que a linda Rosa
que tanto me chamava a atenção, era
você mamãe.
Só assim entendi, que o meu Porto
Florido
era a estrada em que caminhava junto a
ti. os ser mamãe pela primeira vez,
uma aura de encantamento toma conta da
gente. E nós dificilmente pensamos em
outra coisa. À nossa criança é
dirigido nosso último pensamento antes
de dormir e o primeiro quando
acordamos.
E chega o dia em que temos essa
criaturinha nos nossos braços e temos
dificuldade em acreditar. Tantas vezes
sonhamos com esse rostinho e agora que
o vemos é como se tudo fosse irreal.
Amamos então no mais profundo de nós
mesmas; amamos com toda nossa alma e
nosso ser. E nos convencemos que nunca
mais conseguiremos sentir um amor
igual, ou pelo menos que se compare.
E, a criança crescendo, vamos
desenvolvendo com ela esse amor. E
muitas vezes quando já não temos mais
nosso "bebê" e percebemos que já
existe uma pessoinha cheia de vontade
própria querendo enfrentar o mundo,
nasce em nós novamente o desejo de
maternidade. Então acontece: a segunda
criança se encaminha!
Depois das primeiras alegrias da
descoberta, algo estranho e assustador
se instala: uma certa inquietação.
Nós, que julgamos nunca mais poder
amar da forma como amamos o primeiro,
como amaremos aquela criança? A
amaremos com a mesma intensidade? E se
o ciúme do irmãozinho ou irmãzinha se
manifestar, como vamos lidar com isso?
Será que saberemos nos dividir para
dar na medida exata a cada um?
São estas entre outras questões... e
pode acontecer que nos sintamos
culpadas em relação à primeira
criança. Saberemos que daqui a pouco
outra vai chegar que vai "tomar o
lugar dela." Não seremos mais tão
disponíveis.
Mas para todas essas perguntas existe
uma só resposta, que é básica para
todas as outras também: coração de mãe
é elástico. Penso que da mesma maneira
como Jesus efetuou a multiplicação dos
pães, o amor é multiplicado no coração
de uma mãe e amor vai ter e vai até
sobrar, para mais um, mais dois ou até
quem sabe, para mais... e quanto mais
amor, mais sabedoria, mais instinto de
como lidar com todas as outras coisas.
Cada filho é único e deve ser tratado
como único. Digamos que a mãe é uma
mão e que os cinco dedos sejam seus
filhos. Todos iguais, todos
diferentes, todos ligados da mesma
forma, embora cada qual aponte para um
lado diferente.
Assim, nosso coração nos dita o que
fazer, no momento certo. Há mães que
parecem mais apegadas a um filho que
outro e isso pode ser devido aquele
filho corresponder melhor ao seu
caráter, à sua personalidade. Mas não
significa um amor menor. É freqüente
que uma mãe demonstre mais amor pelo
filho que dá mais trabalho. Isso se
explica pelo fato dela sentir no seu
coração, inconscientemente até, que
aquele filho necessita de um cuidado
especial.
Difícil é que os irmãos entendam isso,
eles se sentem injustiçados. Portanto,
o que é a justiça? É dar a cada um a
medida exata do que ele precisa para
ser feliz. Sendo diferentes, nossa
medida de necessidade também é
diferente.
Amor de mãe é amor de mãe. Não muda,
não se desgasta. Uma mãe que perde um
filho pode ter dez outros, ela será
para sempre uma mãe podada de um filho
e ela carregará isso para o resto da
sua existência.
Uma mãe é uma rosa que se desdobra em
diferentes pétalas, sem portanto
perder da sua graça, beleza e poder de
perfumar e encantar todos à sua volta. |