Venho de teus braços

Não sei aonde vou...

Não sei ao menos quem sou

Na hora desse pranto que sai de mim

Quando quero braços e becos do mar,

Água louca, corrente macia,

Luz do verde, luzia dizia:

JÁ FOI!

Não sei ao menos aonde chegar...

Nessa minha limitação do infinito ido,

Tenho mergulhado um olhar verde,

Parado, clandestinamente amado!

Deixo a dor escorrer salgada em meus lábios

Até chegar ao peito apertado,

Então, caio entorpecida pela própria vida

Onde há as marcas, as mágoas

A me consumir neste inferno-paraíso!

Meu corpo cansado,

Minha mente desvairada...

No mesmo instante em que ocorre:

O encontro de dois olhares,

O buscar de duas mãos,

A melodia de um choro sofrido,

O êxtase, um grito de protesto,

O lamento da multidão confusa,

O som estridente,

A quebra de uma tradição,

O nascer da verdade,

O confessar da inverdade.

TE BUSQUEI!

Vi o mar, a terra, o adolescente, a amplitude

Esqueci o caos, apaguei o desamor, o ódio

Desaprovei a carne preta, a pele seca

Iluminei teus olhos castanhos, meus olhos amor

NÃO TE ALCANCEI!...

Tiraste lentamente as peças do meu vestuário

Irreal, real, consciência da não-ciência

Molhei os pés, andei olhando as pedras, as quedas

DESPERTEI!...

Nem sequer ao menos suspeitaste,

Nem  imaginaste, nem sonhaste

E eu tremia, palpitava, te amava

Profundamente... infinitamente

E foste embora naquele dia sem nome

Quedei-me na dor dos sem amanhã

Na quietude intranqüila dos que estão sós,

Sem pranto ou alento

No silêncio silente,

Dos que vão sem chegar!  

   

 

 

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