Assim...

Esse ar cinzento

Essa tarde vazia

Nenhum aceno à distância...

Essa vida parada...

Esse mundo ausente...

Assim...

Minhas histórias,

Só fantasias...

De braços caídos

E lábios entreabertos,

Numa mansa expectativa

De que as coisas aconteçam..

Assim...

De lá pra cá...

Vagarosamente e sem reflexão;

De cá pra lá...

As coisas perdendo o prumo;

Se inclinando para a boca de uma cisterna

Que pacientemente espera

Sem som, sem vaga-lumes...

Estou sucumbindo!

Assim....

Todo o peso da imortalidade do mundo,

As palavras falsas...

Os gestos sem razão de ser,

A relação perdendo num segundo

A sua naturalidade,

Olhos e temor em cada palavra,

A paisagem desnuda de alma,

Esperando a fatalidade ser cumprida!

Assim...

Como um pássaro já morto

Fingindo numa gaiola

Tudo em torno se espreita

Numa tentativa única

Da descoberta do mistério!

(Elaine)

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