As violências praticadas
por uma parte da nobreza contra o clero e o povo,
envolveram o Reino em desordens constantes. O rei,
apesar de enérgico na luta contra os mouros,
mostrava-se irresoluto e incapaz de reprimir, como
era preciso, semelhantes abusos, que vinham
enfraquecendo a disciplina e o poder real.
Os prelados portugueses,
aproveitando o descontentamento que, por isso,
lavrava em quase todo o Reino, queixaram-se ao
Papa Inocêncio lV, que, por bula firmada em Julho
de 1245, depôs o monarca, entregando o governo de
Portugal a D. Afonso, irmão de D. Sancho ll.
O rei deposto tentou
ainda opor-se às determinações do Papa e aos
partidários de seu irmão Afonso, mas, por fim,
teve de desistir, retirando-se para Toledo
(Espanha), onde em 1248 veio a falecer e em cuja
catedral se encontram seus restos mortais.
Todavia, possuía o rei
amigos verdadeiros, entre estes, contam-se Fernão
Rodrigues Pacheco e Martim de Freitas, que só
entregou ao regente D. Afonso as chaves do Castelo
de Coimbra, de que era alcaide, depois de ir a
Toledo certificar-se da morte do rei. Fernão
Rodrigues Pacheco, alcaide-mor do castelo de
Celorico nesta data, não quis entregar a praça a
D. Afonso III .
(Após a deposição de D.
Sancho II (1209-1248) em 1245, sendo o governo do
reino confiado ao seu irmão, o infante D. Afonso,
refugiou-se o primeiro em Toledo, no reino de
Castela. Reza a lenda que Martim de Freitas,
alcaide do Castelo de Coimbra, fiel a D. Sancho
II, a quem prestara menagem, recusou-se a entregar
o castelo ao regente, mesmo suportando um longo
cerco, iniciado em 1246. Informado do falecimento
do soberano naquela cidade castelhana (Janeiro de
1248), pediu e obteve um salvo conduto e foi, por
seus próprios meios, certificar-se da notícia. Lá
chegando, aberto o caixão, depositou as chaves do
castelo sobre o cadáver do seu senhor,
retirando-as em seguida para então as entregar ao
novo soberano, como seu legítimo senhor. (in: Rui
de Pina.)
CANTO III
(...)
91 - Sancho II. Sua Deposição
"Morto depois Afonso, lhe sucede
Sancho segundo, manso e descuidado,
Que tanto em seus descuidos se desmede,
Que de outrem, quem mandava, era mandado.
De governar o Reino, que outro pede,
Por causa dos privados foi privado,
Porque, como por eles se regia,
Em todos os seus vícios consentia.
92
"Não era Sancho, não, tão desonesto
Como Nero, que um moço recebia
Por mulher, e depois horrendo incesto
Com a mãe Agripina cometia;
Nem tão cruel às gentes e molesto,
Que a cidade queimasse onde vivia,
Nem tão mau como foi Heliogabalo,
Nem como o mole Rei Sardanapalo.
93
"Nem era o povo seu tiranizado,
Como Sicília foi de seus tiranos;
Nem tinha como Fálaris achado
Género de tormentos inumanos;
Mas o Reino, de altivo e costumado
A senhores em tudo soberanos,
A Rei não obedece, nem consente,
Que não for mais que todos excelente
(...)
D. Sancho II (
(cognominado O Capelo)
http://topazio1950.blogs.sapo.pt/211523.html
Por haver usado um
(capelo: capuz de frades) enquanto criança;
alternativamente, é também conhecido como O Pio ou
O Piedoso), quarto rei de Portugal, nasceu em
Coimbra a 8 de Setembro 1209, faz hoje 797 anos,
filho do rei Afonso II de Portugal e de sua rainha
Urraca de Castela. Sancho subiu ao trono em 1233 e
foi sucedido pelo irmão Afonso III em 1248 (embora
tenha abdicado em 1247, só após a sua morte Afonso
se declarou rei).
Por altura da sua coroação, Portugal encontrava-se
envolvido num sério conflito diplomático com a
Igreja Católica. O seu pai, o rei Afonso II, havia
sido excomungado pelo Papa Honório III, pelas suas
tentativas de reduzir o poder da Igreja dentro do
país. Sancho II assinou um tratado de 10 pontos
com o Papa, mas não fez muita questão em passá-lo
à prática, dando mais atenção à Reconquista da
Península Ibérica. Sancho II conquistou várias
cidades no Algarve e no Alentejo tendo, para tal,
muito contribuído a acção da Ordem de Santiago.
Esta Ordem Militar recebeu como pagamento dos
serviços prestados diversas povoações, tais como
Aljustrel, Sesimbra, Aljafar de Pena, Mértola,
Aiamonte e Tavira.
Sancho II provou ser um general capaz e eficiente,
mas no campo administrativo mostrou-se menos
dotado. O rei manteve-se sobretudo interessado
pelo lado militar do seu reinado e assim abriu o
flanco para disputas internas e intrigas da
nobreza. Com a situação da Igreja bastante
comprometida, o bispo do Porto Martinho Rodrigues
fez uma queixa formal ao Papa, que no século XIII
detinha poder de colocar e retirar coroas conforme
os seus interesses. No concílio de Lyon (1245), o
Papa Inocêncio IV, através da bula Inter alia
desiderabilia e Grandi non emmerito' excomungou e
depôs Sancho II, considerando-o um «rex innutilis»
(ou seja, que não sabia administrar a justiça no
seu reino), tendo ordenado aos Portugueses que
escolhessem um novo rei para substituir o herege.
Em 1246, o irmão mais novo de Sancho Afonso, então
a viver em França como Conde de Bolonha, foi
convidado a ocupar o trono real. Numa assembleia
de prelados e nobres portugueses, reunida em
Paris, D. Afonso jurou que guardaria e faria
guardar todos os privilégios, foros e costumes dos
municípios, cavaleiros, peões, religiosos e
clérigos seculares do reino. Afonso abdicou
imediatamente das suas terras Francesas e marchou
sobre Portugal. Apesar de não ter perdido nenhuma
das batalhas contra o seu irmão, a pressão da
Santa Sé levou Sancho II a abdicar em 1247 e a
exilar-se em Toledo onde morreu a 4 de Janeiro de
1248. Julga-se que os seus restos mortais repousem
na catedral de Toledo.
Descendência
Sancho parece ter sido consorciado (segundo a
historiografia tradicional, nunca casado, dado não
ter havido dispensa papal da consanguinidade, pelo
que o casamento seria sempre nulo) com uma nobre
biscainha, Mécia Lopes de Haro, da qual não gerou
filho algum (de resto, a historiografia
esforçou-se por afirmar que o rei era inapto não
apenas para o exercício do governo, como também do
ponto de vista físico, dizendo ser impotente). Por
não haver gerado filho legítimo algum que lhe
sucedesse, a coroa acabou necessariamente por
recair num colateral - neste caso seu irmão mais
novo Afonso III.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal
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