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Logo que D. Pedro assumiu
o poder, foi sua principal ideia vingar-se dos
assassinos de D. Inês de Castro, Conseguiu só
apanhar apenas dois – pois Diogo Lopes Pacheco
pode escapar-se a tempo – mandou-os conduzir a
Santarém, onde em 1358, lhes fez dar morte cruel.
Diz o cronista Fernão Peres que a um foi arrancado
o coração pelas costas e a outro pelo peito.
"A vingança foi consumada
nos Paços de Santarém. D. Pedro mandou amarrar as
vítimas, cada uma a seu poste de suplício,
enquanto os cozinheiros de sua Corte preparavam um
lauto banquete de cerimónia. O rei não poupou
requintes de horror no castigo implacável. Mandou
o carrasco tirar a um o coração pelas costas e a
outro o coração pelo peito. Por fim, como sentisse
que não bastava a tortura tremenda, ainda teve
coragem para trincar aqueles corações que, para
ele, seriam malditos para sempre".
D. Pedro l resolveu fazer
a homenagem merecida a D. Inês, rainha de
Portugal. Ordenou então, a transladação dos restos
mortais de Coimbra para o túmulo de Alcobaça. Foi
um cortejo fúnebre de imponência nunca vista; pela
estrada fora, por entre povo do campo que vinha
chorar à berma do caminho, seguia a multidão de
gente, com círios acesos, a melhor fidalguia do
Reino, senhores e senhoras, a cavalgar corcéis, a
passo solene, membros do clero e burgueses, todos
em traje de pesar doloroso. Ao longo da viagem, a
perda da rainha foi pranteada por grupos de
carpideiras que soltavam gritos lancinantes e
entoavam melodias plangentes; viam-se homens com
cinza na cabeça, de cabelos rapados e sem barba,
na expressão pública do luto. Escudeiros vestidos
de estamenha crua transportavam a urna com o
ataúde de Inês, carregando aos ombros os varais
escuros, precedidos de alferes com pendões
abatidos. Na frente do préstimo, um franciscano
segurava uma enorme cruz de pinho. No transepto da
igreja de Alcobaça, D. Pedro disse o último adeus
à esposa. Nunca houvera paixão assim! Até nasceu a
lenda de que o rei se desvairou a ponto de fazer
coroar Inês, depois de morta, e obrigar a nobreza
a beijar-lhe a mão de rainha.
Nas Cortes de Elvas, em
1361, o rei tomou providências para atender a
certas reclamações populares, também ficou
resolvido instituir o Beneplácito régio, pelo
qual, a partir dessa data, nenhuma determinação do
Papa poderia ter efeito legal no Reino sem o visto
e sanção do rei.
Em resposta a várias
reclamações do povo, o rei prometeu ainda que
seriam respeitadas as regalias dos concelhos, e
que os nobres seriam intimados a obedecer aos
funcionários municipais. Regularizou também
questões de administração e de justiça. Nestas
Cortes de Elvas, foi tomada pela primeira vez, a
decisão de uniformizar os Pesos e Medidas
O governo de D. Pedro l,
foi proveitoso e excelente para a paz e economia
da Nação. O Reino de Portugal continuou a
prosperar no seu reinado. Quando o rei faleceu,
deixou os cofres públicos cheios de dinheiro. A
justiça que aplicava, rigorosa e severa, era igual
para todos. Por isso mereceu da História o cognome
de Justiceiro. Embora arrebatado de génio, tinha
um coração bondoso. O povo adorava-o.
Os seus restos mortais,
assim como os de D. Inês de Castro, encontram-se
em dois riquíssimos túmulos, próximos um do outro,
no mosteiro de Alcobaça.
Os Lusíadas - CANTO III
(...)
136 - Vingança de Pedro I
"Não correu muito tempo que a vingança
Não visse Pedro das mortais feridas,
Que, em tomando do Reino a governança,
A tomou dos fugidos homicidas.
Do outro Pedro cruíssimo os alcança,
Que ambos, inimigos das humanas vidas,
O concerto fizeram, duro e injusto,
Que com Lépido e António fez Augusto.
137 - Pedro I, o Cru
"Este, castigador foi rigoroso
De latrocínios, mortes e adultérios:
Fazer nos maus cruezas, fero e iroso,
Eram os seus mais certos refrigérios.
As cidades guardando justiçoso
De todos os soberbos vitupérios,
Mais ladrões castigando à morte deu,
Que o vagabundo Aleides ou Teseu.
D. Pedro l 0 Justiceiro -
(reinou de 1357 a 1367)
http://www.cunhasimoes.net/cp/Textos/Historia/LivHistoria05.htm
Foi curto o reinado deste rei sensato e magoado.
Foi dele que os presidentes dos nossos dias
beberam a ideia das presidências abertas.
Percorreu o país de lés-a-lés. Fixava-se nas
diferentes terras, às vezes, por mais de um mês.
Aí despachava, aplicava a justiça, morigerava os
costumes e governava.
Numa das suas estadias em Elvas, em 1361, fez
reunir as Cortes; nelas, o povo insurge-se contra
a intromissão da Santa Sé nos assuntos internos do
país. D. Pedro ouviu as razões e instituiu o
Beneplácito Régio, pelo qual o rei decretava que
nenhum documento da Cúria Romana tivesse qualquer
validade sem a aprovação do rei. Os prelados
protestaram. D. Pedro I não os atendeu.
Por esta determinação, e sabendo como a Santa Sé
era poderosa e a quem todos os reis e príncipes
obedeciam, se pode ver até que ponto Portugal
estava consciente da sua força.
Os dez anos do rei D. Pedro foram dez anos de paz
e desenvolvimento. Apesar de se ver confrontado
com o flagelo da peste negra (derivada da falta de
higiene) conseguiu fomentar a economia e aumentar
a riqueza do país. De onde se conclui que os
exércitos e as guerras são os inúteis sorvedouros
dos dinheiros públicos e a causa da miséria e da
desgraça dos povos.
Durante toda a vida, D. Pedro nunca esqueceu a
bela Inês nem os seus "brutos matadores".
Conseguiu deitar a mão a Pêro Coelho e fez-lhe
arrancar o coração pelo peito, apanhou Álvaro
Gonçalves e arrancou-lhe o coração pelas costas.
Escapou Diogo Lopes Pacheco. O rei devia-o ter
esquecido depois de ter saciado o desprezo e o
ódio pelos infames matadores de mulheres
indefesas.
A Inês de Castro fê-la coroar rainha. A sua
trasladação de Coimbra para Alcobaça, onde se
encontram os belíssimos túmulos do rei e de Inês,
são a prova evidente de "como é diferente o amor
em Portugal".
A lenda e a
vida de um rei que não teve rainha
http://dn.sapo.pt/2005/04/24/artes/a_lenda_vida_um_que_teve_rainha.html
"Determinado, mas de uma debilidade extrema na
relação com o passado." Assim é D. Pedro I segundo
a sua biógrafa. Cristina Pimenta, historiadora
especializada nas Ordens Militares em Portugal na
Baixa Idade Média, "encantou-se" ao conhecer a
personagem que lhe coube biografar. Um
encantamento que não se limita à poética dos
amores entre Pedro e Inês, mas à personalidade de
um homem que compara ao imperador Frederico II,
numa descrição da época "Era um homem astucioso,
bellaco, codicioso, lujurioso, malicioso,
irritable. Y era al mismo tiempo un hombre lleno
de valor; cuando queria demonstrar sus mercedes o
amabilidades, era benevolente, encantador,
delicioso, activo […] En cuanto lo vi, me agradó."
E se, como Frederico II, "D. Pedro não espantou o
mundo, espantou, pelo menos Inês de Castro",
acrescentou ao DN a historiadora, que lamenta a
escassez de fontes sobre a vida do monarca.
Filho de D. Afonso IV e de Beatriz de Castela, o
infante D. Pedro ficou eternizado através do seu
romance com Inês de Castro. É o estudo da evolução
deste tema que inaugura o primeiro livro da
colecção, Reis de Portugal, iniciativa do Círculo
de Leitores e do Centro de Estudos dos Povos e
Culturas de Expressão Portuguesa, da Universidade
Católica, com coordenação científica de Teodoro de
Matos e João Paulo Oliveira e Costa.
Começando pela crónica de Fernão Lopes (séc. XIV)
e terminando na poesia de Nuno Júdice (séc. XX), a
relação entre Pedro e Inês é a melhor documentada
do livro, pelo menos do ponto de vista literário,
com a lenda a ganhar aos factos. Como refere a
autora, "é impossível tratar o tema do ponto de
vista histórico, strictu sensu, sem ter o mito
presente. Desde Fernão Lopes que o discurso à
volta se vai alterando, o que tem que ver com as
épocas, com a conjuntura política e com o que se
quer fazer passar".
Numa linguagem que quer afastar-se do academismo,
mas sem pretender ser literária - "não de trata de
um romance", justifica a autora -, a biografia
demora-se no enquadramento internacional e
nacional de um tempo de crise económica,
instabilidade política e de peste como aquele em
que viveu e reinou D. Pedro; fixa-se nos pontos
fortes do governo e, por fim, olha o homem, cujo
retrato físico e psicológico é feito de traços
pouco definidos quanto à infância, no
relacionamento com os filhos e nos amores. Pedro,
homem "grande de corpo, de real presença, frente
espaçosa, olhos negros e formosos, cabelo ruivo,
um pouco escuro, comprido, boca não pequena e
rosto largo", casou com Constança, mãe do futuro
D. Fernando, de quem ficou viúvo; amou Inês, com a
qual teve três filhos e a lenda diz que casou;
teve um filho (D. João I) com Teresa, mas foi um
rei que não teve rainha. Apesar das paixões, não
se livrou da suspeita lançada por Fernão Lopes de
que teria amado um tal Afonso Madeira "mais do que
se deve aqui de se dizer".
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal
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