|
Sucedendo a D. Afonso
lll, seu pai, o seu maior cuidado consistiu e
promover o engrandecimento e riqueza de Portugal.
Para isso, concedeu vários forais e fundou e
reconstruiu muitos castelos e povoações. Neste
reinado, deu-se protecção a:
Agricultura, mandando
cultivar muitas terras incultas, enxugar terrenos
pantanosos, plantar vinhas e semear o Pinhal de
Leiria e o da Azambuja;
Indústria, auxiliando a
exploração de minhas de ouro, prata e cobre,
favorecendo as indústrias da pesca e de tecidos de
linho;
Comércio, criando
mercados e feiras francas em muitas localidades;
Marinha, promovendo a
construção de navios, a fim de serem transportadas
para o estrangeiro as nossas mercadorias;
instituindo a Bolsa do Comércio do Porto e
mandando vir do estrangeiro marinheiros
experimentados, entre os quais se conta o genovês
Manuel Pezagno, que desempenhou as funções de
Almirante;
Intrução, fundando a
Universidade de Lisboa, primitivamente conhecida
pelo nome de Estudo Geral, que mais tarde
transferiu para Coimbra; ordenando que se usasse,
nos documentos escritos, a língua portuguesa, em
substituição da latina até então empregada (1290);
protegendo os trovadores (poetas). O próprio rei
era o melhor trovador do seu tempo.
Neste reinado, foi
extinta pelo Papa a antiga Ordem dos Templários.
Porém, D. Dinis conseguiu que, em sua
substituição, fosse criada a Ordem de Cristo, para
a qual passaram todos os bens dos Templários em
Portugal, em 1319.
Em 1295, por motivos
referentes à demarcação de fronteiras, D. Dinis
invadiu o reino de Castela, governado por Fernando
lV, tendo-se apoderado de algumas terras situadas
entre o rio Côa e o Douro. O Tratado de Alcanises,
em 1267, pelo qual o rei de Castela reconheceu a
Portugal a posse das recentes conquistas, pôs
termo ao conflito.
Era santa a esposa de D.
Dinis. Dotada das mais raras e sublimes virtudes,
foi anjo de concórdia e de caridade; pôs termo às
lutas que D. Dinis teve com o filho e com um
irmão, e consolou muitos infelizes. Canonizada em
1625, ficou inscrita, ente o número das santas
mais veneradas, como o nome de Rainha Santa
Isabel. Seus restos mortais encontram-se no
mosteiro de Santa Clara Nova, em Coimbra. Os
restos mortais de D. Dinis, encontram-se no
convento de Odivelas, por ele mandado construir.
OS
LUSIADAS - CANTO III
(...)
96 - Dom Dinis
"Eis depois vem Dinis, que bem parece
Do bravo Afonso estirpe nobre e dina,
Com quem a fama grande se escurece
Da liberalidade Alexandrina.
Com este o Reino próspero florece
(Alcançada já a paz áurea divina)
Em constituições, leis e costumes,
Na terra já tranquila claros lumes.
97 - Fundação da Universidade de Coimbra
"Fez primeiro em Coimbra exercitar-se
O valeroso ofício de Minerva;
E de Helicona as Musas fez passar-se
A pisar do Monde-o a fértil erva.
Quanto pode de Atenas desejar-se,
Tudo o soberbo Apolo aqui reserva.
Aqui as capelas dá tecidas de ouro,
Do bácaro e do sempre verde louro.
(...)
MONTE REAL
Primitivamente chamada de Póvoa de Monte
Real, recebeu privilégios e foi elevada à
categoria de vila por D. Dinis, em 1292.
ORIGEM DO NOME:
“A dois passos da cidade de Leiria e
próximo da estrada da Figueira da Foz, existe,
empoleirada num alto e rodeada de pinheirais
frondosos, uma povoaçãozinha curiosa a que não
falta o perfume das lendas e tradições. O seu nome
não pode ser mais belo; a paisagem que a emoldura
não pode ser mais suave; o céu (o céu de Portugal
!) não pode ser mais azul; e, como o mar lhe fica
perto e os campos que a rodeiam são dos mais
lindos da terra lusa, a vila antiga, com todos os
seus encantos, foi escolhida em tempos distantes
para a residência da Corte Real.
“...como mansa pomba alvíssima, nevada, /inda hoje
entre vegetais ao longe se levanta /
ufana de ter sido o templo duma santa / e o
alcácer dum rei !...”.
E a vila de Monte Real, alegre e
graciosa, onde paira o espírito de Isabel de
Aragão, que, das janelas dos seus Paços, tantas
vezes contemplou os prados verdejantes do rio Lis,
e tantas vezes, também, esperou até altas horas D.
Dinis, enamorado das lindas camponesas da região,
robustas, elegantes, alegres e formosas.
A vilazinha antiga passa os dias na
contemplação daquele pinhal imenso, que o Rei
Lavrador (também Trovador – D. Dinis) mandou
plantar, parecendo olhar, do alto, o rumo das
caravelas construídas na foz do poético Lis.
A terra, pequenina, pobrezinha, tem uma
história tão bela e uma paisagem tão rica, que o
povo, sempre poeta, ainda hoje a canta nos seus
versos:
“Vila de Monte Real / Tem figueiras ao redol / tem
rapazes como a Lua /
Raparigas como o Sol.
Vila de Monte Real / É um perfeito jardim, /
Tem um craveiro ao princípio / E uma roseira ao
fim.
Vila de Monte Real / Tem ladeiras a subir, /
Quem lá vai tomar amores / Vai ao Sol e torna a
vir”
A povoação de Monte Real é muito antiga,
correndo que já existia nos tempos pré-históricos,
como o demonstra o aparecimento de numerosas
ossadas, moedas e inscrições. D. Dinis fez de
Monte Real a sua estância favorita, para gozar a
amenidade do clima e as relações galantes que teve
por aquelas terras encantadoras, onde os amores do
Rei Trovador ainda não estão esquecidos”. (Dr.
António Montês – 1943).
“A sua origem perde-se na bruma dos
tempos. Pela situação privilegiada e riqueza do
solo, sempre esta terra foi cobiçada desde os
tempos pré-históricos. Conforme vários peritos na
historiografia desta terra, a povoação de Monte
Real teria sido fundada em Outubro de 1292, por D.
Dinis, no Reguengo de Ulmar que começava onde hoje
é a Barosa (localidade a noroeste de Leiria) e se
estendia até ao mar, na foz do rio Lis.
Posteriormente chamou-se também “Póbra” de Mõ Real
e Vila da Póvoa de mon Real; também foi chamada de
o Reguengo da Camarinha. À Póbra de Mô Real, D.
Dinis concedeu em 1310, com numerosos privilégios,
a 1ª carta de foro do “Regaêgo” que chamaram
Camarinha. Em 1312 D. Dinis concedeu a 2ª carta de
foro do Regaêgo de Ulmar. O termo “ulmar” vem de
uma espécie de árvore chamada ulmeiro que abunda
na região. Monte Real foi, então, elevada à
categoria de vila com juiz ordinário ecâmara de
três vereadores. D. Dinis aforou todos os terrenos
pertencentes a Ulmar; cedeu aos povoadores,
através do pagamento de um quarto de todas as
colheitas de pão e outros frutos, o Reguengo da
Camarinha, isto é, a região que vai do mar ao que
ainda hoje se chama Caminho e Monte da Bóca, que
fica a cerca de um quilómetro a montante dos Paços
de Monte Real; concedeu, através do pagamento de
um terço de todas as colheitas de pão e outros
frutos, a parte do fundo do Ulmar que vai do lugar
do Freixo até ao Camarinho, isto é, desde o Campo
do Freixo, a montante de Riba ‘ Aves, ao Tacanho
(perto da localidade de Amor), até ao citado Monte
da Bóca”. (Padre Isidro da Piedade Alberto –
1955).
Monte Real é uma estância termal de
grande nomeada, e foi elevada a vila no final do
século Xlll. Na parte da vila velha, na zona mais
alta da actual povoação, restam alguns vestígios
da sua importância quando ainda era Póvoa de Monte
Real, tais como o antigo Paço Real, reduzido a uma
modesta construção restaurada, que recorda os
tempos em que D. Dinis e a Rainha Santa Isabel o
terão habitado. Não muito longe, mas quase perdido
na borda do caminho, encontra-se o pelourinho,
quinhentista, atestando jurisdição municipal, e
uma ermida de onde se alcança uma ampla e
agradável vista sobre os campos do Lis. Na zona
baixa, junto à frondosa mata que aconchega os
edifícios termais, as vivendas multiplicam-se por
trás de bonitos jardins, bem perto dos vastos
campos aproveitados pela agricultura desde que o
citado rei os mandou enxugar, transformando assim
em terra fértil e arável o antigo paul de Ulmar,
que os ocupava. Essa obra foi realizada por Frei
Martinho, do Mosteiro de Alcobaça, na altura
especialista em tais trabalhos. A Monte Real, em
consequência da presença assídua do rei D. Dinis,
está inteiramente ligado o seu nome, além de
lendas a que as suas aventuras de monteiro e
galenteador deram origem.
Subordinada à presença do rio Lis e do
seu afluente o Lena, toda esta região se
caracteriza não só pela fertilidade dos campos que
a marginam, facilmente irrigados, como também pela
aptidão para a cultura florestal, representada
pelas extensas áreas ocupadas pelo pinhal. Tudo
ali verdeja quando esses campos estão ocupados
pelas culturas que lhes são próprias, só os tons
são diferentes. A sensação que se colhe
percorrendo-a é de uma amenidade pouco vulgar,
traduzida por um ambiente saudável e calmante;
nada é brusco, nada é agreste, nada fere, magoa ou
assusta. Apenas o morro onde se ergue o Castelo de
Leiria e, em frente dele, um outro dominado pela
Igreja da Nossa Senhora da Encarnação quebram a
suavidade da paisagem, que se estende das
serranias calcárias que a limitam a nascente até
ao Atlântico, a poente. Paira em tão vasta área,
por um lado, a influência da assídua presença de
D. Dinis, que a preferia, e, por outro, a de D.
João l e D. Nuno Álvares Pereira – O Condestável
do Reino. O primeiro deixou-a assinalada pelas
obras que ali realizou, desde o castelo ao enxugo
do paul do Ulmar e aos Paços de Monte Real, pelo
desenvolvimento dado à mata de Leiria e ainda
pelas lendas e toponímia ligada aos seus desvarios
sentimentais. D. João l e o seu condestável
deixaram a recordação dos actos heróicos com que
os portugueses conseguiram fazer vingar a sua
independência.
Entre a cidade de Leiria e Monte Real,
fica a localidade de AMOR, tão conhecida e cantada
pelos amores ilícitos do galante rei D. Dinis – o
Lavrador mas também conhecido pelo Trovador:
“Certa noite em que D. Dinis regressava
ao Paço de Monte Real, perguntou-lhe a Rainha
Santa: - “Donde vides?”. – “De AMOR”, respondeu o
rei. E talvez por causa da namorada, a mor de
todas ao que se diz a lenda, ficou o nome à
povoaçãozinha graciosa:
Com tal beleza / Tal camponesa / Dos campos em
flor / Soprou a chama ... / Que inda se chama / A
aldeia – AMOR” (Dr. António Montês – 1949)
“Trovador meu rei, a nossa província é
bela: tem o mar, a espessura verde, o campo em
flor, e a alta serra. E Coimbra é perto e nossa.
Tem castelos de orgulho, mosteiros de glória com
capelas de heróis, e os túmulos onde sonham
Tristan e Iseu, que nós cantamos. E estas terras
inda são cheias de ti, oh Lavrador ! Que imensa
barcarola o nosso jardim marinho, onde aprendi
certos ritmos que ora são de toda a gente. E que
linda lembrança tua é uma terrinha humilde que eu
jamais quis ver, perto de outra que te recorda
também: Monte Real. Jamais quis ver essa aldeia
vizinha, e, que passeei a cavalo esta província
toda, porque ela tem o nome mais belo do mundo:
AMOR. Quero guardar preciosa a mentira de minha
fantasia, quando imagino o local onde amavas não
sei qual das tuas donas. O povo conta o romance da
terra amorosa, daquela eu jamais quis ver para
guardar preciosa a mentira do meu sonho: - Ai
flores do verde pinho ! Seria Aldonsa ? Grácia ?
Marinha ? ou Branca ? Que importa, se todas elas
eram rimas de um só cantar. De Monte Real foras
vê-la e nos beijos da sua boca esqueceras que o
dia passara e ao lusco – fusco te soltaras deles.
Os beijos de Aldonsa ? De Branca ?. Os
beijos de Grácia ou Marinha ? Que importa, se o
beijo era um só, em outras bocas beijado ! E pela
noite adiante cavalgavas, oh com saudades já
daqueles beijos, daqueles beijos que quando mais
se davam, mais sede faziam !. E vinhas compondo
uma trova em louvor da amiga fremosa, de bem
talhada, da louçana e da valida. Em louvor de
Aldonsa ? De Branca ? De Grácia ou Marinha ? Que
importa se as suas trovas cantavam mas era o amor
! Mas eis que ao longe enxergas uma fila de luzes,
e as luzes desciam do castelo e entornavam-se
tremeluzindo pelo vale ...
Era a Rainha Santa que te esperava com
uma multidão de pagens que erguiam no ar as pinhas
que ardiam brilhando: - Senhor (sorriu gravemente
a Rainha) cego vindes de amor e eu vos alumio por
que vós não percais ...
Desde então chama-se AMOR a terra que eu
jamais quis ver, para guardar preciosa a mentira
do meu sonho. E no sítio onde a Rainha Santa
falou, fez-se a aldeia de Cégodim, (hoje Segodim)
que recorda as palavras da Rainha. Com o tempo, o
povo as trocou ...”. (Lenda contada por Afonso
Lopes Vieira – 1954).
“Das lendas, a que mais se conserva na
memória do povo, apesar de alguns ilustres
escritores a terem reivindicado para outros
lugares de Portugal, é a de Cegovindes.
Vivia a Rainha Santa – diz a lenda –
amargurada em seus Paços de Monte Real pelas
frequentes ausências do Rei, seu esposo, distraído
como andava em digressões amorosas. Certamente,
inquieta e cansada de esperar, resolveu a Rainha
ir com alguns pagens, munidos de tochas acesas,
postar-se no caminho onde sabia que o rei devia
passar. Quando este chegou cavalgando, ao deparar
com o que via, apeou-se e, disse agastado,
dirigindo-se à esposa: - Que fazeis aqui, Senhora
Minha, com gente tanta ?!.
Vim alumiar-vos o caminho, Senhor –
respondeu a Rainha – pois cego vindes de amor...
Verdade ou lenda, o certo é que ainda
hoje existe à beira do caminho que leva ao lugar
de AMOR (agora sede importante freguesia do
concelho de Leiria, o lugar de Segodim, que
pertence à freguesia de Monte Real, de que dista
cerca de um quilómetro”. (Olímpio Duarte Alves –
1955).
“A mesma lenda contada pelo Dr. António
Montês (1943):
No Inverno inundavam-se os campos
formosos, e D. Dinis mandou abrir uma vala real no
reguengo. Para ir de Monte Real a AMOR, se não
pudesse ir de barco, teria de fazer grande desvio,
e passar ao lugarejo que hoje tem o nome de
Segodim. Conta-se que a Rainha Santa, sabendo das
relações do rei com a zagala, mandara um dia
esperar o monarca à serra, indo os criados de
brandões acesos, para que não se perdessem nessa
noite escura de inverno. D. Dinis não gostou da
surpresa, mas a Rainha, aparecendo, repreendeu-o
docemente, dizendo: - “Vindes tão cego, Senhor,
que julguei melhor mandar alumiar-vos o caminho”.
El – Rei, humilhado, confessou a culpa, e
respondeu: - “Cego vim, Senhora”. E daí chamar-se
Cegovim ao lugarejo, que hoje, tem o nome de
Segodim”.
“AMOR: / Minha vizinha aldeia de Amor, / jamais em
ti os pés hei-de pôr.
Jamais em ti hei –de pôr os pés / para te julgar
como tu não és.
Donde vem teu nome, teu nome de Amor? / Da
Aldonsa? De Grácia ? De que boca em flor ?
Elas eram tantas, tantas eram elas / Tal o céu à
noite cheinho de estrelas !
Que belo destino entre os doutros bardos ! / -
Semear navios e criar bastardos !...”.
Nem sempre a grafia de um nome de lugar
revela completamente a pronúncia do mesmo, e
podemos por isso ser levados a interpretá-lo de
modo errado. Também da grafia incorrecta se
origina em muitas pessoas, não raramente, uma
pronúncia que não corresponde à usada na
circunscrição a que o lugar pertence ...
Quem conhece a freguesia de Amor, no
concelho de Leiria, só pela escrita, entenderá que
temos aí o substantivo comum amor: e isso não é
assim, porque os naturais dizem “Àmor”, com o “a”
aberto, embora átono. “Àmor” faz suspeitar que a
forma anterior seria AAMOR, havendo-se “aa”
desenvolvido (sic) em à, como em aalém e aaquém
... De facto, assim como no latim amore
corresponde àmor assim adamor, pode Ter-se feito
corresponder adamor (cfr. Adamátor citado pelos
lexicógrafos como de Tertuliano). O acusativo
adamorem dava perfeitamente aamor ou Aamor, depois
Àmor.” (Dr. Leite de Vasconcelos – 1946).
D. Dinis - “o Lavrador”
Nasceu em Lisboa em 09-10-1261. Filho de
D. Afonso lll e de D. Beatriz de Castela. Subiu ao
Trono, por morte de seu pai, em 16-02-1279.
Faleceu em Santarém em 07-01-1225, com 64 anos de
idade. Reinou cerca de 46 anos. Casou com D.
Isabel, filha mais velha do rei de Aragão, Pedro
lll, celebrado em Barcelona, por procuração, em
11-02-1282. Do seu casamento com a Rainha Santa
Isabel teve apenas dois filhos: D. Constança e D.
Afonso que lhe sucedeu no Trono. Fora do
matrimónio, teve mais 4 filhos e duas filhas.
D. Dinis herdou do pai um conflito grave
com o alto clero e com a Santa Fé. Tal conflito só
ficou apaziguado com a virtuosa intervenção de sua
esposa, a Rainha Santa Isabel, em 1289, após
longas e morosas negociações, com uma concordata e
um acordo. A colonização interna e a protecção à
agricultura contam-se entre os mais desvelados
cuidados do rei D. Dinis. Facilitou a distribuição
da propriedade, atraiu as classes elevadas aos
trabalhos agrícolas, mandou proceder a importantes
trabalhos de enxugo, como foi o caso dos campos do
Ulmar, de Monte Real. Alargou a plantação do
Pinhal de Leiria (hoje também conhecido pelo
Pinhal do Rei), que mais tarde deu a madeira para
as primeiras naus portuguesas, protegeu a
instituição de feiras francas, privilegiou a
exploração de minas, desenvolveu a marinha. Teve
graves conflitos com o irmão Afonso e também com o
filho do mesmo nome. D. Isabel de Aragão foi a
grande pacificadora nestes conflitos. D. Dinis
criou ainda em 01-03-1290, em Lisboa, o Estudo
Geral, que depois foi transferido para Coimbra em
1308, onde mais tarde nasceu a Universidade de
Coimbra. D. Dinis foi um rei poeta e trovador:
Ai Flores
“Ai flores, ai flores de verde pino / Se saberes
novas do meu amigo ! / Ai Deus, e hu é ?.
Ai flores, ai flores do verde ramo, / Se saberdes
novas do meu amado / Ai Deus, e hu é?
Se sabedes novas do meu amigo, / aquei que mentiu
do que pós comigo ! / Ai Deus, e hu é?
Se sabedes novas do meu amado, /
Ai Deus, e hu é ?
Vos me perguntades polo voss’ amigo, /
E eu bem digo que é sano e vivo; / Ai Deus, e hu é
?
Vos me perguntades polo voss’ amado, / e eu bem
vos digo que é viv’ e sano. /
Ai Deus, e hu é ?
E eu bem vos digo que é san’ e vivo, / E será
vosc’ ant’ prazo saído; / Ai Deus, e hu é ?
E eu bem vos digo que é viv’ e sano, / e será
vosc’ ant’ o prazo passado !
Ai Deus, e hu é ?”.
QUER’EU
“Quer’ eu en maneyra de proençal / fazer agora hun
cantar d’ amor / e querrey muyt’ loar mha senhor /
o o que prez nem fremusura non fal, / nen bondade,
e mays uos direy en: /
tanto a fez Deus comprida de bem / que mays que
todas las do mundo ual:
Ca mha senhor quiso Deus fazer tal / quando a fez
sabedor / de todo bê de mui grã valor / e cõ
tod´est (o) é mui comunal / aly hu deve: er
dei-lhi bsem / e des y lhi fez pouco de bem /
quando nõ quis que lh’ foss’ igual.
Ca em mha senhor n~uca Deus pos mal, / mays pos hi
prez e beldad’ e loor / e falar mui b~e e rijr
melhor / que outra molher; des y é leal / muyt´, e
por esto n~sey oi eu quê / possa compridam~ete no
seu bê / falar, ca nõ á, tra lo seu bem, al”
Duas poesias do Rei D. Dinis, em português da
época (medieval)
D. Isabel de Aragão ( a Rainha Santa Isabel)
“Nasceu em Saragoça, então cidade do
reino de Aragão (Espanha), em 1271. Recebeu a
benção matrimonial do seu casamento com o rei D.
Dinis, por procuração, feito, simultaneamente em
Barcelona e na Igreja de Trancoso, em 24-06-1282.
Rainha de Portugal, foi o Anjo da Paz.
Com a morte do Rei D. Dinis, seu marido, em 1325,
entrou para o Convento de Santa Cruz, em Coimbra.
Faleceu no Castelo de Estremoz, em 04-06-1336,
sendo o cadáver transportado para a Igreja do
Convento de Santa Clara de Coimbra, onde mandara
construir o seu túmulo. Em 1612, foi o túmulo
aberto achando-se incorrupto o seu corpo, como
ainda está hoje no novo túmulo em prata, da Igreja
do actual Convento de Santa Clara, para onde foi
transladado em 1696. Foi beatificada em 1516 e
canonizada em 1625, pelo então Papa Urbano Vlll.
Era filha do rei D. Pedro lll, de Aragão, e da
rainha D. Constança. A Rainha Santa viveu
temporadas no seu Palácio de Monte Real, parte do
qual é hoje ocupado pela Capela, onde se venera a
sua imagem que é contemporânea da capela, isto é,
do século XVll. A capela foi edificada pelo bispo
de Leiria, D. Martim Mexia, entre 1605 e 1615. A
Rainha Santa era uma mulher cheia de doçura,
bondade, equilibrada, discreta, muito inteligente
e bem educada. Gostava da vida interior e do
trabalho silencioso. Jejuava muito, comovia-se com
os que erravam, rezava muito, distribuía esmolas
aos necessitados e governava a sua casa. Neta de
Jaime l e bisneta de Frederico ll da
Alemanha, deles herdou a energia e a força de
alma.
Muito mulher, mas cristã atè à medula da
alma, criou até os filhos ilegítimos do seu
marido, o Rei D. Dinis. Mandou construir igrejas,
mosteiros e hospitais. Nas suas viagens, ao ver os
pobres sentados às portas das vilas e aldeias,
distribuía-lhes roupa e alimento, visitava os
doentes e cuidava deles.
Beijava até os pés das mulheres leprosas.
À Rainha Santa se atribuem milagres lendários,
entre os quais, o famoso milagre das rosas: Indo
ela levar pão aos seus pobres, no seu regaço,
apareceu-lhe, de repente, o seu marido, D. Dinis,
que, ciumento, não gostava de tais atitudes, que
ele considerava baixas, da sua santa esposa. O
marido pergunta-lhe: “ o que levas aí no teu
regaço ?”. E ela responde-lhe: “São rosas, meu
Senhor”. Entretanto, abre o regaço e em vez do pão
que realmente levava, surgem verdadeiras rosas. O
rei ao vê-las acalma-se e a rainha admira-se do
prodígio, ao ver o pão transformado em verdadeiras
rosas “.
D. Dinis . O Lavrador
http://observador.weblog.com.pt/arquivo/004068.html
D. Dinis, que se tornou Rei muito jovem, logo com
18 anos, cedo procurou evitar, através das
Inquirições, as usurpações do património real,
levadas a cabo tanto pela nobreza como pelo clero.
É preciso ter em conta que Portugal era um país
fronteiriço e que necessitava seriamente de um
poder central minimamente forte para fazer frente
às dificuldades que obviamente lhe surgiam.
Este Rei tomou várias medidas para incentivar a
agricultura, atribuindo terras a quem as quisesse
trabalhar, fragmentando as grandes propriedades
não cultivadas, fomentando a drenagem de várias
terras alagadas tornando-as boas terras agrícolas.
A nível agrícola a sua iniciativa mais conhecida
acabou por ser a plantação do pinhal de Leiria.
Foi com D. Dinis que se começou a incrementar, com
a contratação do genovês Manuel Pessanha, a força
naval portuguesa. Começaram também as explorações
das minas de estanho, prata e enxofre.
D. Dinis fomentou também a actividade comercial,
com as conhecidas feiras francas nas quais os
comerciantes estavam isentos de pagamento de
vários impostos.
Este reinado foi ainda marcado pela normalização
das relações com a Santa Sé concluída com a
assinatura da Concordata em 1289.
Nacionalizaram-se as ordens religiosas militares
de Santiago e dos Templários tendo sido criada, em
seu lugar, a Ordem de Cristo.
O reinado de D. Dinis teve duas nódoas,
ironicamente, no início e no fim do seu reinado e
ambas foram as guerras civis, primeiro com o seu
irmão que queria tomar-lhe o trono e depois, com o
seu filho, futuro D. Afonso IV, que exigiu lhe
fosse entregue a condução do reino por suspeitar
que D. Dinis queria conduzir, como seu herdeiro, o
seu filho ilegítimo, Afonso Sanches.
D. Isabel de Aragão, teve um papel, como se sabe,
fundamental no apaziguamento das relações entre
pai e filho.
D. Dinis morreu em 7 de Janeiro de 1325, com 64
anos de idade, tendo reinado durante 46 anos.
Publicado por André Abrantes Amaral em Março 19,
2004 09:51 AM
D. Dinis (também existe a
grafia arcaizante Diniz) - (o Lavrador)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinis_de_Portugal
(9 de Outubro 1261 – 7 de
Janeiro 1325, Santarém), rei de Portugal, filho de
D. Afonso III e da infanta Beatriz de Castela,
neto de Afonso X de Castela. Foi aclamado em
Lisboa em 1279. Cognominado O Lavrador ou O
Rei-Agricultor (pelo impulso que deu no reino
àquela actividade) e ainda, O Rei-Poeta ou O
Rei-Trovador (pelas Cantigas de Amigo e de Amor
que compôs e pelo desenvolvimento da poesia
trovadoresca a que se assistiu no seu reinado),
foi o sexto Rei de Portugal. Foi o primeiro rei
português a assinar os seus documentos com o nome
completo. Presume-se que tenha sido o primeiro rei
português não analfabeto [1].
Como herdeiro da coroa, D. Dinis desde cedo foi
envolvido nos aspectos de governação pelo seu pai.
À data da sua subida ao trono, Portugal
encontrava-se em conflito com a Igreja Católica.
D. Dinis procurou normalizar a situação assinando
um tratado com o Papa Nicolau III, onde jurava
proteger os interesses de Roma em Portugal. Salvou
a Ordem dos Templários em Portugal através da
criação da Ordem de Cristo, que lhe herdou os bens
em Portugal depois da sua extinção e apoiou os
cavaleiros da Ordem de Santiago ao separarem-se do
seu mestre castelhano.
D. Dinis foi essencialmente um rei administrador e
não guerreiro: envolvendo-se em guerra com Castela
em 1295, desistiu dela em troca das vilas de Serpa
e Moura. Pelo Tratado de Alcanises (1297) firmou a
Paz com Castela, definindo-se nesse tratado as
fronteiras actuais entre os dois países ibéricos.
Por este tratado previa-se também uma paz de 40
anos, amizade e defesa mútuas.
A sua prioridade governativa foi essencialmente a
organização do reino: continuando a vertente
legisladora de seu pai D. Afonso III, a profusa
acção legislativa está contida, hoje, no Livro da
Leis e Posturas e nas Ordenações Afonsinas. Não
são "códigos" legislativos tal como os entendemos
hoje, mas sim compilações de leis e do direito
consuetudinário municipal, alteradas e
reformuladas pela Coroa. Com efeito, a incidência
de questões de carácter processual com igual peso
ao carácter de direito positivo das suas leis,
denuncia a crescente preocupação do rei em
enquadrar o direito consuetudinário (ou
costumeiro) no âmbito da Coroa, e em efectivar o
seu poder no terreno. As determinações sobre a
actuação de alvazis (oficiais concelhios), juízes,
procuratores e advocati demonstram isto, já que um
poder meramente nominal sobre todos os habitantes
do Reino, como era típico na Idade Média, não se
compatibiliza com este esforço em esmiuçar os
trâmites jurídicos, ou em moralizar o exercício da
justiça. A criação de corregedores denuncia
claramente o início do processo de
territorialização da jurisdição da Coroa,
extravasando os domínio régios, a par da crescente
importância da capitalidade de Lisboa.
O reinado de D. Dinis acentuou a predilecção por
Lisboa como local de permanência da corte régia.
Não existe uma capital, mas a localização de
Lisboa, o seu desenvolvimento urbano, económico e
mercantil vão fazendo da cidade o local mais
viável para se afirmar como centro administrativo
por excelência. A articulação entre o Norte e o
Sul do país - este Sul que se torna alvo da maior
atenção e permanência dos reis - fazem de Lisboa
centro giratório para tornar Portugal viável.
Entre o Norte, onde a malha senhorial é mais densa
e apertada, e o sul, onde o espaço vasto
conquistado aos mouros implanta sobretudo os
domínios régios e as ordens militares, assim como
vastos espaços de "res nullius", torna Portugal um
reino onde duas realidades diferentes se
complementam.
Preocupado com as infra-estruturas do País (ver
discussão), D. Dinis ordenou a exploração de minas
de cobre, prata, estanho e ferro e fomentou as
trocas com outros reinos, assinou o primeiro
tratado comercial com o rei de Inglaterra em 1308
e criou o almirantado, atribuído como privilégio
ao genovês Manuel Pessagno, e fundando as bases
para uma verdadeira marinha portuguesa ao serviço
da Coroa.
D. Dinis redistribuiu terras, promoveu a
agricultura e fundou várias comunidades rurais,
assim como mercados e feiras criando as chamadas
feiras francas ao conceder a várias povoações
diversos privilégios e isenções. Um dos seus
maiores legados foi a ordem de plantar o Pinhal de
Leiria, que ainda se mantém, de forma a proteger
as terras agrícolas do avanço das areias
costeiras.
A cultura foi um dos seus interesses pessoais. D.
Dinis não só apreciava literatura, como foi
ele-próprio um poeta notabilíssimo e um dos
maiores e mais fecundos trovadores do seu tempo.
Aos nossos dias chegaram 137 cantigas da sua
autoria, distribuídas por todos os géneros (73
cantigas de amor, 51 Cantigas de Amigo e 10
Cantigas de escárnio e maldizer), bem como a
música original de 7 dessas cantigas (descobertas
casualmente em 1990 pelo Prof. Harvey L. Sharrer,
no Arquivo da Torre do Tombo, num pergaminho que
servia de capa a um livro de registos notariais do
século XVI, e que ficou conhecido como "Pergaminho
de Sharrer"). Durante o seu reinado, Lisboa foi,
pois, um dos centros Europeus de cultura. A
Universidade de Coimbra foi fundada pelo seu
decreto Magna Charta Priveligiorum no qual foram
desde logo ensinadas as Artes, o Direito Civil, o
Direito Canónico e a Medicina. Mandou traduzir
importantes obras, tendo sido a sua Corte um dos
maiores centros literários da Península Ibérica.
Os últimos anos do seu reinado foram, marcados por
conflitos internos. O herdeiro, futuro D. Afonso
IV, receoso que o favorecimento de D. Dinis ao seu
filho bastardo, D. Afonso Sanches o espoliasse do
trono, exigiu o Poder e combateu o pai. Nesta luta
teve intervenção apaziguadora a Rainha Santa
Isabel que, em Alvalade se interpôs entre as
hostes inimigas já postas em ordem de batalha. Tem
como Descendente também o Papa Bento XIII, que foi
Papa de 1724 a 1730.
D. Dinis está sepultado no Convento de São Dinis,
em Odivelas.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal
«««
pág. seguintes:
Pag. das dinastias:
|