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Continuou com as reformas
encetadas por seu pai, o rei D. Dinis. Publicou
leis acertadas, com as quais o comércio, a
agricultura e a marinha foram muito beneficiadas.
Pouco tempo de subir ao
trono, D. Afonso lV moveu guerra contra seu irmão
D. Afonso Sanches, com o fundamento de que este o
queria envenenar para em seguida se apossar da
Coroa. . Porém, essas lutas terminaram ainda pela
intervenção da Rainha Santa Isabel, em 1325.
Pelo facto de o rei de
Castela, D. Afonso Xl, tentar impedir a passagem
de D. Constança Manuel, que vinha realizar o seu
casamento com D. Pedro, herdeiro da Coroa
Portuguesa, D. Afonso lV entrou em guerra com
Castela.
Atribui-se também a causa
a maus tratos dados pelo rei de Castela a sua
esposa, a rainha D. Maria, filha do nosso rei
(1336). Porém, em 1339, o Papa Bento Xll, servindo
de medianeiro, conseguiu estabelecer a paz.
A justiça vinha sendo até
então administrada por Juízes da terra, ou seja,
da mesma região. Por isso, nem sempre era aplicada
como devia de ser: imparcialmente. Para remediar
este mal, o rei instituiu os chamados Juízes de
Fora.
O rei de Castela, Afonso
Xl, vendo os seus domínios gravemente ameaçados
por fortes contingentes mouriscos, pediu auxílio a
D. Afonso lV, que correu a prestar-lho. Deu-se
então uma grande batalha junto às margens do rio
Salado, em Outubro de 1340, em que os mouros foram
derrotados (*). O rei de Portugal, além de um
chefe mouro aprisionado, algumas espadas e
bandeiras, nada mais aceitou dos ricos despojos da
luta, e as acções de audácia praticadas durante a
batalha, motivaram-lhe o cognome de “Bravo”.
(*) “(...) D. Afonso IV,
à frente dos seus intrépidos cavaleiros, conseguiu
romper a formidável barreira inimiga e espalhar a
desordem, precursora do pânico e da derrota entre
os mouros granadinos. E não tardou muito que numa
fuga desordenada, africanos e granadinos
abandonassem a batalha, largando tudo para salvar
a vida. O campo estava juncado de corpos de mouros
vítimas da espantosa mortandade.
E o arraial enorme dos reis de Fez e de Granada,
com todos os seus despojos valiosíssimos em armas
e bagagens, caiu finalmente em poder dos cristãos,
que ali encontraram ouro e prata em abundância,
constituindo tesouros de valor incalculável. Ao
fazer-se a partilha destes despojos, assim como
dos prisioneiros, quis Afonso XI agradecer ao
sogro, pedindo-lhe que escolhesse quanto lhe
agradasse tanto em quantidade como em qualidade.
Afonso IV, porém num dos raros gestos de
desinteresse que praticou em toda a sua vida, só
depois de muito instado pelo genro escolheu, como
recordação, uma cimitarra cravejada de pedras
preciosas e, entre os prisioneiros, um sobrinho do
rei Abul-Hassan. A 1 de Novembro ao princípio da
tarde, os exércitos vencedores abandonaram
finalmente o campo de batalha, dirigindo-se para
Sevilha onde o rei de Portugal pouco tempo se
demorou, regressando logo ao seu país.
Pode-se imaginar sem custo a impressão
desmoralizadora que a vitória dos cristãos, na
Batalha do Salado, causou em todo o mundo
muçulmano, e o entusiasmo que se espalhou entre o
cristianismo europeu. Era ao cabo de seis séculos,
uma renovação da vitória de Carlos Martel em
Poitiers”.
A parte negra deste
reinado: D. Inês de Castro, era uma senhora de
origem castelhana e de rara beleza, por quem o
Príncipe herdeiro, D, Pedro, se apaixonara e com
quem passou a viver depois de falecer sua esposa,
D. Constança. D. Afonso lV, porém, movido por
intrigas, ou, antes, impulsionado por razões de
Estado que buliam com a tranquilidade e
independência do Reino, tendo hesitado primeiro,
terminou por consentir no assassínio de D. Inês,
em 1355, fazendo assim a vontade a alguns
cortesãos, entre os quais se evidenciaram Álvaro
Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco.
Este facto, deu azo a uma
guerra civil, que só terminou pela intervenção
conciliadora da rainha D. Beatriz, esposa de D.
Afonso lV e mãe de D. Pedro.
Os restos mortais deste
monarca encontram-se na Sé de Lisboa.
Os Lusíadas - Canto lll
(...)
98 - Afonso IV
"Nobres vilas de novo edificou
Fortalezas, castelos mui seguros,
E quase o Reino todo reformou
Com edifícios grandes, e altos muros.
Mas depois que a dura Átropos cortou
O fio de seus dias já maduros,
Ficou-lhe o filho pouco obediente,
Quarto Afonso, mas forte e excelente.
99
"Este sempre as soberbas Castelhanas
Co'o peito desprezou firme e sereno,
Porque não é das forças Lusitanas,
Temer poder maior, por mais pequeno.
Mas porém, quando as gentes Mauritanas,
A possuir o Hespérico terreno
Entraram pelas terras de Castela,
Foi o soberbo Afonso a socorrê-la.
100 - Preparam-se os Mouros para Invadir
Castela
"Nunca com Semirâmis gente tanta
Veio os campos idáspicos enchendo,
Nem Atila, que Itália toda espanta,
Chamando-se de Deus açoute horrendo,
Gótica gente trouxe tanta, quanta
Do Sarraceno bárbaro estupendo,
Co'o poder excessivo de Granada,
Foi nos campos Tartésios ajuntada.
Afonso XI, de Castela, pede Auxílio a Afonso IV,
seu Sogro
101
"E vendo o Rei sublime Castelhano
A força inexpugnábil, grande e forte,
Temendo mais o fim do povo hispano,
Já perdido uma vez, que a própria morte,
Pedindo ajuda ao forte Lusitano,
Lhe mandava a caríssima consorte,
Mulher de quem a manda, e filha amada
Daquele a cujo Reino foi mandada.
102 - Vai à Portugal a Rainha de Castela
"Entrava a formosíssima Maria
Pelos paternais paços sublimados,
Lindo o gesto, mas fora de alegria,
E seus olhos em lágrimas banhados;
Os cabelos angélicos trazia
Pelos ebúrneos ombros espalhados:
Diante do pai ledo, que a agasalha,
Estas palavras tais, chorando, espalha:
Súplica da Rainha de Castela ao Pai, Afonso IV de
Portugal
103
— "Quantos povos a terra produziu
De África toda, gente fera e estranha,
O grão Rei de Marrocos conduziu
Para vir possuir a nobre Espanha:
Poder tamanho junto não se viu,
Depois que o salso mar a terra banha.
Trazem ferocidade, e furor tanto,
Que a vivos medo, e a mortos faz espanto.
104
— "Aquele que me deste por marido,
Por defender sua terra amedrontada,
Co'o pequeno poder, oferecido
Ao duro golpe está da Maura espada;
E se não for contigo socorrido,
Ver-me-ás dele e do Reino ser privada,
Viúva e triste, e posta em vida escura,
Sem marido, sem Reino, e sem ventura.
105
"Portanto, ó Rei, de quem com puro medo
O corrente Muluca se congela,
Rompe toda a tardança, acude cedo
A miseranda gente de Castela.
Se esse gesto, que mostras claro e ledo,
De pai o verdadeiro amor assela,
Acude e corre, pai, que se não corres,
Pode ser que não aches quem socorres." —
106
"Não de outra sorte a tímida Maria
Falando está, que a triste Vênus, quando
A Júpiter, seu pai, favor pedia
Para Eneias, seu filho, navegando;
Que a tanta piedade o comovia
Que, caído das mãos o raio infando,
Tudo o clemente Padre lhe concede,
Pesando-lhe do pouco que lhe pede.
107 - Batalha do Salado
"Mas já co'os esquadrões da gente armada
Os Eborenses campos vão coalhados:
Lustra co'o Sol o arnês, a lança, a espada;
Vão rinchando os cavalos jaezados.
A canora trombeta embandeirada,
Os corações à paz acostumados
Vai às fulgentes armas incitando,
Pelas concavidades retumbando.
108
"Entre todos no meio se sublima,
Das insígnias Reais acompanhado,
O valoroso Afonso, que por cima
De todos leva o colo alevantado;
E somente co'o gesto esforça e anima
A qualquer coração amedrontado.
Assim entra nas terras de Castela
Com a filha gentil, Rainha dela.
109
"Juntos os dous Afonsos finalmente
Nos campos de Tarifa estão defronte
Da grande multidão da cega gente,
Para quem são pequenos campo e monte.
Não há peito tão alto e tão potente,
Que de desconfiança não se afronte,
Enquanto não conheça e claro veja
Que co'o braço dos seus Cristo peleja.
110
"Estão de Agar os netos quase rindo
Do poder dos Cristãos fraco e pequeno,
As terras como suas repartindo
Antemão, entre o exército Agareno,
Que com título falso possuindo
Está o famoso nome Sarraceno.
Assim também com falsa conta e nua,
À nobre terra alheia chamam sua.
111
"Qual o membrudo e bárbaro Gigante,
Do rei Saul, com causa, tão temido,
Vendo o pastor inerme estar diante,
Só de pedras e esforço apercebido,
Com palavras soberbas o arrogante
Despreza o fraco moço mal vestido,
Que, rodeando a funda, o desengana
Quanto mais pode a Fé que a força humana:
112
"Desta arte o Mouro pérfido despreza
O poder dos Cristãos, e não entende
Que está ajudado da Alta Fortaleza,
A quem o inferno horrífico se rende.
Co ela o Castelhano, e com destreza
De Marrocos o Rei comete e ofende.
O Português, que tudo estima em nada,
Se f az temer ao Reino de Granada.
113
"Eis as lanças e espadas retiniam
Por cima dos arneses: bravo estrago!
Chamam (segundo as leis que ali seguiam)
Uns Mafamede, e os outros Santiago.
Os feridos com grita o Céu feriam,
Fazendo de seu sangue bruto lago,
Onde outros meios mortos se afogavam,
Quando do ferro as vidas escapavam.
114
"Com esforço tamanho estroe e mata
O Luso ao Granadil, que, em pouco espaço,
Totalmente o poder lhe desbarata,
Sem lhe valer defesa ou peito de aço.
De alcançar tal vitória tão barata
Inda não bem contente o forte braço,
Vai ajudar ao bravo Castelhano,
Que pelejando está co'o Mauritano.
115 - Derrota dos Mouros
"Já se ia o Sol ardente recolhendo
Para a casa de Tethys, e inclinado
Para o Ponente, o Véspero trazendo,
Estava o claro dia memorado,
Quando o poder do Mauro grande e horrendo
Foi pelos fortes Reis desbaratado,
Com tanta mortandade, que a memória
Nunca no mundo viu tão grã vitória.
116
"Não matou a quarta parte o forte Mário
Dos que morreram neste vencimento,
Quando as águas co'o sangue do adversário
Fez beber ao exército sedento;
Nem o Peno asperíssimo contrário
Do Romano poder, de nascimento,
Quando tantos matou da ilustro Roma,
Que alqueires três de anéis dos mortos toma.
117
"E se tu tantas almas só pudeste
Mandar ao Reino escuro de Cocito,
Quando a santa Cidade desfizeste
Do povo pertinaz no antigo rito:
Permissão e vingança foi celeste,
E não força de braço, ó nobre Tito,
Que assim dos Vates foi profetizado,
E depois por Jesus certificado.
118 - Inês de Castro
"Passada esta tão próspera vitória,
Tornando Afonso à Lusitana terra,
A se lograr da paz com tanta glória
Quanta soube ganhar na dura guerra,
O caso triste, e dino da memória,
Que do sepulcro os homens desenterra,
Aconteceu da mísera e mesquinha
Que depois de ser morta foi Rainha.
119
"Tu só, tu, puro Amor, com força crua,
Que os corações humanos tanto obriga,
Deste causa à molesta morte sua,
Como se fora pérfida inimiga.
Se dizem, fero Amor, que a sede tua
Nem com lágrimas tristes se mitiga,
]É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.
120
"Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruto,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuto,
Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
121
"Do teu Príncipe ali te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam:
De noite em doces sonhos, que mentiam,
De dia em pensamentos, que voavam.
E quanto enfim cuidava, e quanto via,
Eram tudo memórias de alegria.
122
"De outras belas senhoras e Princesas
Os desejados tálamos enjeita,
Que tudo enfim, tu, puro amor, despreza,
Quando um gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas
O velho pai sesudo, que respeita
O murmurar do povo, e a fantasia
Do filho, que casar-se não queria,
123
"Tirar Inês ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo co'o sangue só da morte indina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina,
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse alevantada
Contra uma fraca dama delicada?
124
"Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade:
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela com tristes o piedosas vozes,
Saídas só da mágoa, e saudade
Do seu Príncipe, e filhos que deixava,
Que mais que a própria morte a magoava,
125 - Súplica de Inês de Castro ao Rei
"Para o Céu cristalino alevantando
Com lágrimas os olhos piedosos,
Os olhos, porque as mãos lhe estava atando
Um dos duros ministros rigorosos;
E depois nos meninos atentando,
Que tão queridos tinha, e tão mimosos,
Cuja orfandade como mãe temia,
Para o avô cruel assim dizia:
126
— "Se já nas brutas feras, cuja mente
Natura fez cruel de nascimento,
E nas aves agrestes, que somente
Nas rapinas aéreas têm o intento,
Com pequenas crianças viu a gente
Terem tão piedoso sentimento,
Como coa mãe de Nino já mostraram,
E colos irmãos que Roma edificaram;
127
—"Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito
(Se de humano é matar uma donzela
Fraca e sem força, só por ter sujeito
O coração a quem soube vencê-la)
A estas criancinhas tem respeito,
Pois o não tens à morte escura dela;
Mova-te a piedade sua e minha,
Pois te não move a culpa que não tinha.
128
— "E se, vencendo a Maura resistência,
A morte sabes dar com fogo e ferro,
Sabe também dar vicia com clemência
A quem para perdê-la não fez erro.
Mas se to assim merece esta inocência,
Põe-me em perpétuo e mísero desterro,
Na Cítia f ria, ou lá na Líbia ardente,
Onde em lágrimas viva eternamente.
129
"Põe-me onde se use toda a feridade,
Entre leões e tigres, e verei
Se neles achar posso a piedade
Que entre peitos humanos não achei:
Ali com o amor intrínseco e vontade
Naquele por quem morro, criarei
Estas relíquias suas que aqui viste,
Que refrigério sejam da mãe triste." —
130 - Morte de Inês de Castro
"Queria perdoar-lhe o Rei benino,
Movido das palavras que o magoam;
Mas o pertinaz povo, e seu destino
(Que desta sorte o quis) lhe não perdoam.
Arrancam das espadas de aço fino
Os que por bom tal feito ali apregoam.
Contra uma dama, ó peitos carniceiros,
Feros vos amostrais, e cavaleiros?
131
"Qual contra a linda moça Policena,
Consolação extrema da mãe velha,
Porque a sombra de Aquiles a condena,
Co'o ferro o duro Pirro se aparelha;
Mas ela os olhos com que o ar serena
(Bem como paciente e mansa ovelha)
Na mísera mãe postos, que endoudece,
Ao duro sacrifício se oferece:
132
"Tais contra Inês os brutos matadores
No colo de alabastro, que sustinha
As obras com que Amor matou de amores
Aquele que depois a fez Rainha;
As espadas banhando, e as brancas flores,
Que ela dos olhos seus regadas tinha,
Se encarniçavam, férvidos e irosos,
No futuro castigo não cuidosos.
133
"Bem puderas, ó Sol, da vista destes
Teus raios apartar aquele dia,
Como da seva mesa de Tiestes,
Quando os filhos por mão de Atreu comia.
Vós, ó côncavos vales, que pudestes
A voz extrema ouvir da boca fria,
O nome do seu Pedro, que lhe ouvistes,
Por muito grande espaço repetisses!
134
"Assim como a bonina, que cortada
Antes do tempo foi, cândida e bela,
Sendo das mãos lascivas maltratada
Da menina que a trouxe na capela,
O cheiro traz perdido e a cor murchada:
Tal está morta a pálida donzela,
Secas do rosto as rosas, e perdida
A branca e viva cor, coa doce vida.
135
"As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram;
O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água, e o nome amores
D. Afonso IV - O Bravo
http://observador.weblog.com.pt/arquivo/004078.html
Nasceu em 1290, tendo iniciado o seu reinado em
1325, ou seja, com 35 anos de idade.
É este rei quem proíbe, sob pena de morte, os
fidalgos de fazerem justiça com as próprias mãos,
passando tal direito a ser um privilégio do
monarca.
Entre 1348/49, Portugal é assolado pela Peste
Negra que provoca o abandono de terras. D. Afonso
IV, embora encetando todos os esforços nesse
sentido, nunca conseguiu fazer frente a esta
situação, nem obter resultados positivos de
reocupação de terras. É um problema que se vai
manter até D. João I.
D. Afonso IV envolve-se em lutas com o seu genro,
o rei de Castela, D. Afonso XI, por suspeitar que
este maltratava a sua filha. A paz só surge
perante a ameaça moura que é devidamente afastada
na Batalha do Salado travada em 30 de Outubro de
1340.
Este Rei continua a política de desenvolvimento da
armada portuguesa e ordena o envio das primeiras
expedições portuguesas que descobriram as Canárias
ainda antes de 1337.
Mau grado todos os seus esforços, D. Afonso IV
nunca foi muito feliz na sua actividade
governativa. A peste que assolou o país durante
grande parte do seu reinado, as guerra civis com o
seu meio irmão, Afonso Sanches e mais tarde com o
seu próprio filho, D. Pedro, marcam,
definitivamente, esta época.
D.Afonso IV, morre em 1357, com 67 anos de idade,
sucedendo-lhe D. Pedro I.
Publicado por André Abrantes Amaral em Março 26,
2004 10:23 AM
D. AFONSO IV - O BRAVO -
(reinou de 1325 a 1357)
http://www.cunhasimoes.net/cp/Textos/Historia/LivHistoria05.htm
Afonso IV, apesar de turbulento em termos de
contendas internas, conseguiu, mesmo assim, que o
reino se organizasse e fosse bem administrado. Fez
entrega de forais a novas terras, implementou a
justiça.
Apoiado na Ordem de Cristo, incrementou a marinha.
Fez repetidas viagens às Canárias e a zonas do
mundo desconhecido, das quais só a Ordem detinha o
segredo.
Em 1331 instituiu, definitivamente, os juizes de
fora, ou seja, aqueles que não eram da própria
localidade para não haver a tentação a
favorecimento ou a vinganças pessoais.
O feitio belicoso e temperamental do rei, mal
tomou conta do poder, fá-lo atacar o irmão
bastardo, Afonso Sanches, confisca-lhe as
propriedades e desterra-o. A seguir, envolve-se em
lutas com o rei de Castela, Afonso XI, não só por
divergências políticas, mas porque este, tendo
casado com D. Maria, filha dele, a tratava mal. D.
Afonso IV invade a Galiza e cerca Badajoz. Só o
Papa e o rei Carlos VII de França o conseguem
acalmar.
Acaba por ajudar o genro, a pedido da filha. O
reino de Castela ia ser atacado por um
poderosíssimo exército mouro. A batalha vai-se dar
a 30 de Outubro de 1340 nas margens do rio Salado.
O rei português corre em auxílio do genro. A sua
bravura é tal que os exércitos mouros do rei de
Marrocos e de Granada são totalmente desbaratados.
As riquezas aí deixadas são imensas. Ao rei
português pertenciam metade dos despojos. Não
aceitou nada.
Aqui tens o protótipo do português: valente,
ingénuo e desinteressado. Hoje em dia os serviços
pagam-se.
As qualidades do rei eram muitas, mas as suas
fúrias tinham, por vezes, consequências trágicas.
Basta-nos recordar o episódio de Inês de Castro:
O filho de Afonso IV, o futuro rei D. Pedro I,
casou com uma infanta de Aragão, Dona Constança
Manuel. Com ela veio Inês de Castro que era muito
bonita e de famílias ricas e nobres da Galiza e de
Castela. D. Pedro, depois da morte da mulher,
passou a viver com ela, de quem teve quatro
filhos.
A amizade do príncipe D. Pedro, aos irmãos e
amigos de Inês era grande. Os fidalgos
portugueses, temendo que isso pusesse em perigo a
independência do reino, convenceram Afonso IV que
Inês era perigosa. Os conselheiros do rei, Álvaro
Gonçalves, Pêro Coelho e Diogo Lopes Pacheco, não
encontraram melhor solução, para afastar os
amantes, do que matá-la.
O príncipe ficou louco de dor. Voltou-se contra o
pai. As pazes assinadas em Canaveses terminaram
com o conflito mas não fizeram esquecer ao jovem
príncipe a infâmia cometida contra uma mulher.
No reinado de Afonso IV, o reino viu-se devastado
por uma epidemia de peste negra que desertificou o
País, mas que o rei soube corrigir promulgando
leis a reprimir a mendicidade e a ociosidade, e
mandando vir colonos de França para ocuparem as
terras livres.
Ainda infante lançou o
reino na guerra civil devido a favores que D.
Dinis concedia ao filho bastardo Afonso Sanches.
Proclamado rei (1325), reúne cortes em Évora,
condena o seu irmão ao desterro e à perda total
dos seus haveres. Afonso Sanches invade Portugal,
tendo a paz sido alcançada devido, em parte, à
mediação de D. Isabel.
Os maus tratos infligidos pelo rei de Castela,
Afonso XI, a sua esposa D. Maria, filha de Afonso
IV, e o facto de D. Constança, esposa de D. Pedro
ter sido retida em Castela, levaram o monarca
português a sustentar uma guerra contra o seu
genro. A guerra durou quatro anos tendo terminado
com a paz de Sevilha (10 de Julho de 1339 ou 1340)
graças à mediação da «fermosíssima Maria», enviada
a Portugal por Afonso XI, quando os Mouros
retomavam a ofensiva.
Os dois monarcas combateram então na batalha do
Salado (30 de Outubro de 1340), assinalando-se a
valentia do rei português.
No final do reinado deu-se o assassinato de Inês
de Castro (1355) e a subsequente rebelião de D.
Pedro. Afonso IV impulsionou a marinha datando
possivelmente do seu reinado as primeiras viagens
às Canárias (ca. 1345).
Batalha do
Salado
http://www.geocities.com/atoleiros/salado.htm
No começo do Outono de 1340, Afonso IV de Portugal
dirigiu-se a Sevilha, em auxílio de Afonso XI de
Castela, donde seguiram os dois monarcas cristãos
para Tarifa, cercada então pelos fortes exércitos
sarracenos.
A batalha travou-se junto ao rio Salado, cabendo
às tropas portuguesas a tarefa de defrontar as do
rei de Granada, que se encontravam do outro lado
do rio.
É salientada a coragem de D. Afonso IV, que a esta
batalha ficou a dever o cognome de o Bravo, e
também o seu desinteresse pela riqueza, bem como a
dos combatentes portugueses que o acompanharam,
que não quiseram aceitar a oferta de Afonso XI
para que colhessem, do opulento espólio deixado no
campo de batalha pelos Sarracenos vencidos, tudo o
que lhes aprouvesse.
A Batalha do Salado foi o remate da última
tentativa de vulto realizada pelos Muçulmanos e
pelo remanescente reino de Granada para
restabelecer ou, pelo menos, alargar o seu domínio
na Península.
História da Batalha
Ao romper da alva de 28 de Agosto de 1340, as
longas cristãs e os tambores mouriscos acordaram
os acampamentos, chamando ao combate. Os Mouros
foram muitos postos ao longo do rio Salado para
defenderem o passo aos cristãos. Estes, depois de
confessados e comungados, foram ocupar as suas
posições - os castelhanos em frente das tropas
africanas de Abdul-Hassan, e os Portugueses
defronte do exército granadino do rei Yussuf.
Iniciou a peleja Afonso XI à testa da cavalaria
castelhana, forçando a passagem do rio e
arremessando-se contra a flor da cavalaria moura
que ao seu encontro viera. Logo ali se feriu entre
as duas lustrosas cavalarias a mais feroz
refrega.
Entretanto, na ala esquerda, a hoste portuguesa,
com Afonso IV à frente, entoando o psalmo Exurgat
Deus e tocando as caixas e trombetas, investia
pela planura contra os esquadrões granadinos, que,
em disciplina, táctica e resistência, se
avantajavam às tropas africanas. Transposto o rio,
sob um chuveiro de flechas, com tal fúria Afonso
IV acometeu os de Granada que em breve os forçou a
recuar lentamente.
Já na ala direita, castelhana, a cavalaria de
Afonso XI levava de vencida a cavalaria moura, e,
pondo-a em fuga, ia levar a confusão às tropas de
reserva mouriscas. Neste mesmo momento, Afonso XI,
ao tomar uma colina que dominava o campo de
batalha, teria perdido a vida se o pronto e
denodado socorro dos seus melhores cavaleiros lhe
não tivesse então valido.
Quando já em toda a linha os sarracenos recuavam,
a guarnição de Tarifa, reforçada durante a noite
com 1000 lanças e 4000 peões, fez uma audaciosa
sortida que, surpreendendo pela retaguarda os
corpos mouros de reserva, acabou de os pôr em
desordenada fuga e decidiu da vitória.
Começou então a perseguição «seguindo os reys
catolicos o alcance com muyta parte de cavalaria e
aquela infantaria que os poude acompanhar por
distancia de duas leguas sem levantar as lanças
nem abater as espadas». Os acampamentos do emir de
Marrocos e do rei de Granada, com todas as suas
riquezas - tendas de seda e ouro, alfanges com
pedras preciosas, vasos lavrados, etc.-, caíram em
poder dos cristãos e «então os soldados a sangue
frio cortaram por hum e outro sexo, por huma e
outra idade...».
A mortandade foi, com efeito, enorme. Tal terror
se apoderou dos mouros, que Abdul-Hassan, tendo-se
acolhido a Gibraltar, passou logo à África, e o
rei Yussuf, receando-se da viagem por terra,
recolheu aos seus estados por mar.
Drama de D. Inês de
Castro
http://www.resumosdelivros.com.br/i/ines-de-castro/
Dama da corte portuguesa nascida em Castela, cujo
drama que a levou à morte, assassinada por motivos
políticos, foi imortalizado por Camões em Os
lusíadas. Filha ilegítima de um nobre da Galícia,
foi para Portugal (1340) como dama de honra de D.
Constança, filha do infante espanhol D. Juan
Manuel, quando esta se casou com o príncipe
herdeiro D. Pedro, filho do rei de Portugal, D.
Afonso IV. Na corte tornou-se amante do príncipe
herdeiro, que após a morte de Constança (1345),
apesar da oposição do rei, casaram-se
secretamente.
O casal teve quatro filhos e essas crianças e mais
a presença em Portugal de seus irmãos Alfonso e
Fernando, provocaram intrigas na corte e
alimentaram a suspeição do rei D. Afonso, que
temia pelos direitos sucessórios de seu neto
Fernando, filho de Constança. Numa das ausências
de Pedro, conspiradores prenderam-na em Coimbra e
o rei ordenou a execução, morte lamentada por
Camões e que demonstrou sua indignação em versos
imortais.
Quando Pedro subiu ao trono (1357) desencadeou sua
vingança e mandou executar todos os matadores de
sua amada, além de ordenar que os restos mortais
dela fossem transportados do mosteiro de Santa
Clara para Alcobaça, com pompas reais. O seu drama
tornou-se tema de inúmeras peças de teatro, e de
outras artes, como a pintura, imortalizando-a como
personagem de uma história real de amor.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal
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