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Em 1245, D. Afonso foi
nomeado, primeiro, Defensor e Procurador do Reino.
Só em 1245, por morte de seu irmão D. Sancho, é
que foi aclamado rei de Portugal.
Durante este reinado, os
portugueses conquistaram todas as terras que
estavam ainda na posse dos mouros, tais como:
Faro, Albufeira, Perches e demais localidades
algarvias.
Com tal sucesso, o Reino
de Portugal, ficou mais ou menos com a delimitação
de fronteiras que actualmente possui, terminando
assim as lutas e conquistas ao mouros, em
território nacional. Portugal entrou assim numa
nova fase de organização política e
administrativa, que muitas prosperidades lhe
trouxe. D. Afonso lll e seus sucessores, a partir
desta data, começaram a usar o título de Rei de
Portugal e dos Algarves.
D. Afonso lll, teve lutas
com o rei de Castela (ainda não existia Espanha)
em 1250, que alegava direitos sobre a posse do
Algarve.
Mas o Tratado de Badajoz,
em 1267, entre os dois monarcas, pôs termo àquelas
lutas, dando-lhes a posse definitiva desta
província.
No desejo de conquistar
as simpatias das classes populares, D. Afonso
Henriques convocou em 1254, as chamadas Cortes de
Leiria, em que, pela primeira vez, tomaram lugar
representantes do povo, por intermédio de
procuradores dos concelhos.
D. Afonso lll deu uma
primorosa e cuidada educação a seu filho D. Dinis,
futuro herdeiro do trono, para quem contratou
mestres sábios e eminentes, como o português
Domingo Jardo e o francês Américo de Ebrard.
Seus restos mortais
encontram-se no mosteiro de Alcobaça.
OS LUSIADAS - CANTO III
(...)
94 - Afonso III, o Conde Bolonhês
"Por esta causa o Reino governou
O Conde Bolonhês, depois alçado
Por Rei, quando da vida se apartou
Seu irmão Sancho, sempre ao ócio dado.
Este, que Afonso o bravo, se chamou,
Depois de ter o Reino segurado,
Em dilatá-lo cuida, que em terreno
Não cabe o altivo peito, tão pequeno.
95 - Conquista do Algarve
"Da terra dos Algarves, que lhe fora
Em casamento dada, grande parte
Recupera co'o braço, e deita fora
O Mouro, mal querido já de Marte.
Este de todo fez livre e senhora
Lusitânia, com força e bélica arte;
E acabou de oprimir a nação forte,
Na terra que aos de Luso coube em sorte
D. Afonso III (Coimbra, 5
de Maio de 1210 – id., 16 de Fevereiro de 1279)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_III_de_Portugal
cognominado O Bolonhês
por haver sido casado com a Condessa de Bolonha,
foi o quinto Rei de Portugal. Afonso III era o
segundo filho do rei Afonso II e de sua mulher
Urraca de Castela, e sucedeu a seu irmão Sancho II
em 1248.
Guerra Civil - Deposição de D. Sancho II
Como segundo filho, Afonso não era suposto herdar
o trono destinado a Sancho e por isso fez a vida
em França, onde casou com a herdeira Matilde de
Bolonha em 1238, tornando-se assim conde de
Bolonha. Todavia, em 1246, os conflitos entre
Sancho II e a Igreja tornaram-se insustentáveis e
o Papa Inocêncio IV ordenou a substituição do rei
pelo conde de Bolonha. Afonso não ignorou a ordem
papal e dirigiu-se a Portugal, onde se fez coroar
rei em 1248 após o exílio e morte de Sancho II em
Toledo.
Até à morte de D. Sancho e a sua consequente
coroação, D. Afonso apenas usou os títulos de
Visitador, Curador e Defensor do Reino.
Para aceder ao trono, Afonso abdicou de Bolonha e
divorciou-se de Matilda para casar com Beatriz de
Castela. Decidido a não cometer os mesmos erros do
irmão, o novo rei prestou especial atenção à
classe média de mercadores e pequenos
proprietários, ouvindo suas queixas. Em 1254, na
cidade de Leiria convocou a primeira reunião das
Cortes, a assembleia geral do reino, com
representantes de todos os espectros da sociedade.
Afonso preparou legislação que restringia a
possibilidade das classes altas cometerem abusos
sobre a população menos favorecida e concedeu
inúmeros privilégios à Igreja. Recordado como
excelente administrador, Afonso III organizou a
administração pública, fundou várias vilas e
concedeu o privilégio de cidade através do edito
de várias cartas de foral.
A Reconquista
Com o trono seguro e a situação interna
pacificada, Afonso virou a sua atenção para os
propósitos da Reconquista do Sul da Península
Ibérica às comunidades muçulmanas. Durante o seu
reinado, Faro foi tomada com sucesso em 1249 e o
Algarve incorporado no reino de Portugal. Após
esta campanha de sucesso, Afonso teve de enfrentar
um conflito diplomático com Castela, que
considerava que o Algarve lhe pertencia. Seguiu-se
um período de guerra entre os dois países, até
que, em 1267, foi assinado um tratado em Badajoz
que determina a fronteira no Guadiana desde a
confluência do Caia até à foz, a fronteira
luso-castelhana.
Segundas Núpcias
Em 1253, o rei desposa D. Beatriz, conhecida por
D. Brites por distorção do povo, filha de D.
Afonso X de Castela, O Sábio. Desde logo isto
constituiu polémica pois D. Afonso era já casado
com D. Matilde, Condessa de Bolonha.
O Papa Alexandre IV responde a uma queixa de D.
Matilde ordenando ao rei D. Afonso que abandone D.
Beatriz em respeito ao seu matrimónio com D.
Matilde. O rei, muito astuto em questões
diplomáticas, não obedeceu, mas procurou ganhar
tempo neste assunto delicado. O problema ficou
resolvido com a morte de D. Matilde em 1258 e o
Infante D. Dinis, nascido durante a situação
irregular dos pais, foi então legitimado em 1263.
O casamento funcionou como uma aliança que pôs
termo à luta entre Portugal e Castela pelo Reino
do Algarve. Também resultou em mais riqueza para
Portugal quando D. Beatriz, já após a morte do
rei, recebe do seu pai, Afonso X, uma bela região
a Este do Rio Guadiana, onde se incluíam as vilas
de Moura, Serpa, Noudar, Mourão e Niebla. Tamanha
dádiva deveu-se ao apoio que D. Brites lhe prestou
durante o seu exílio na cidade de Sevilha.
Excomunhão do Rei e do Reino
No final da sua vida, viu-se envolvido em
conflitos com a Igreja, tendo sido excomungado em
1268 pelo arcebispo de Braga e pelos bispos de
Coimbra e Porto, à semelhança dos reis que o
precederam. O clero havia aprovado um libelo
contendo quarenta e três queixas contra o monarca,
entre as quais se achavam o impedimento aos bispos
de cobrarem os dízimos, utilização dos fundos
destinados à construção dos templos, obrigação dos
clérigos a trabalhar nas obras das muralhas das
vilas, prisão e execução de clérigos sem
autorização dos bispos, ameaças de morte ao
arcebispo e aos bispos e, ainda, a nomeação de
judeus para cargos de grande importância.
O rei, que era muito querido pelos portugueses por
decisões como a da abolição da anúduva (imposto do
trabalho braçal gratuito, que obrigava as gentes a
trabalhar na construção e reparação de castelos e
palácios, muros, fossos e outras obras militares),
recebeu apoio das cortes de Santarém em Janeiro de
1274, onde foi nomeada uma comissão para fazer um
inquérito às acusações que os bispos faziam ao
rei. A comissão, composta maioritariamente por
adeptos do rei, absolveu-o. O Papa Gregório X,
porém, não aceitou a resolução tomada nas cortes
de Santarém e mandou que se excomungasse o rei e
fosse lançado interdito sobre o reino em 1277.
À sua morte, em 1279, D. Afonso III jurou
obediência à Igreja e a restituição de tudo o que
lhe tinha tirado. Face a esta atitude do rei, o
abade de Alcobaça levantou-lhe a excomunhão e o
rei foi sepultado no Mosteiro de Alcobaça.
Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro – Marinha Grande - Portugal
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