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HISTÓRIA de P O R T U G AL
(Resumo)
2ª Dinastia
chamada de:
Joanina ou de Avis
|

(1495-1521)

Bandeira real |

Rei de Portugal e dos Algarves d'Aquém e
d'Além Mar em África, Senhor da Guiné e do Comércio, da Conquista e da Navegação
da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia |
D. Manuel l –
(o Venturoso)
reinou de 1495
a 1521 |
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Trabalho e pesquisa de
Carlos Leite Ribeiro
Dezembro/2006 |

D. Manuel l
D. João ll faleceu sem deixar
descendentes directos. Morrera de desastre o único filho que
tinha, por ter caído dum cavalo na Ribeira de Santarém, em 1491.
Por esta razão, sucedeu-lhe no trono, como parente mais próximo,
D. Manuel, duque de Beja, que era primo e cunhado de D. João ll.
Em 1496, mandou D. Manuel l
expulsar do Reino todos os judeus e mouros que se não quisessem
converter ao cristianismo. Os que ficaram, por terem abraçado a
cristianismo, chamavam-se cristãos-novos. Esta medida desagradou a
uns e agradou a outros, contentando em especial sua esposa, a
princesa D. Isabel, filha dos reis católicos de Espanha.
Em 1505, deu-se na Igreja de São
Domingos, em Lisboa, um tumulto popular contra os cristãos-novos
(matança dos cristãos-novos), tendo morrido milhares deles. D.
Manuel l protegeu então os perseguidos e dissolveu a Casa dos
Vinte e Quatro, criada por D. João l, à qual atribuiu as
responsabilidades desse motim sangrento. Os judeus e mouros
habitavam bairros especiais, respectivamente, pelos nome de
Judiarias e Mourarias.
D. Manuel l prosseguiu na senda
dos Descobrimentos.
A frota, já preparada por D.
João ll para a grande Viagem à Índia, Encontrava-se então reunida
na praia do Restelo (Belém – Lisboa). Compunha-se de 3 naus (S.
Gabriel, São Rafael e Bérrio) e uma barcaça de mantimentos,
levando todas, aproximadamente, uma tripulação de 170 homens. Era
seu almirante Vasco da Gama, e piloto, da nau da capitania, Pêro
de Alenquer. Assim constituída, e depois de desfraldadas as velas,
em que se via a Cruz de Cristo, a armada partiu de Belém com
destino à Índia, no dia 8 de Julho de 1497. A 22 de Novembro,
dobrava o Cabo da Boa Esperança, a 15 de Abril de 1498 aportava em
Melinde, e a 20 de Maio do mesmo ano chegava finalmente a Calecute
(Índia), depois de ter visitado toda a costa oriental da África.
Estava descoberto, por mar, o Caminho do Oriente
.
Os Lusíadas - Canto V
1 - Parte de Belém a expedição do Gama
"Estas sentenças tais o velho honrado
Vociferando estava, quando abrimos
As asas ao sereno e sossegado
Vento, e do porto amado nos partimos.
E, como é já no mar costume usado,
A vela desfraldando, o céu ferimos,
Dizendo: "Boa viagem", logo o vento
Nos troncos fez o usado movimento.
2
"Entrava neste tempo o eterno lume
No animal Nemeio truculento,
E o mundo, que com tempo se consume,
Na sexta idade andava enfermo e lento:
Nela vê, como tinha por costume,
Cursos do sol catorze vezes cento,
Com mais noventa e sete, em que corria,
Quando no mar a armada se estendia.
3
"Já a vista pouco e pouco se desterra
Daqueles pátrios montes que ficavam;
Ficava o caro Tejo, e a fresca serra
De Sintra, e nela os olhos se alongavam.
Ficava-nos também na amada terra
O coração, que as mágoas lá deixavam;
E já depois que toda se escondeu,
Não vimos mais enfim que mar e céu.
4 - Em alto mar
"Assim fomos abrindo aqueles mares,
Que geração alguma não abriu,
As novas ilhas vendo e os novos ares,
Que o generoso Henrique descobriu;
De Mauritânia os montes e lugares,
Terra que Anteu num tempo possuiu,
Deixando à mão esquerda; que à direita
Não há certeza doutra, mas suspeita.
Os Lusíadas - Canto VII
1 - Chegada da frota à Índia
Já se viam chegados junto à terra,
Que desejada já de tantos fora,
Que entre as correntes Indicas se encerra,
E o Ganges, que no céu terreno mora.
Ora, sus, gente forte, que na guerra
Quereis levar a palma vencedora,
Já sois chegados, já tendes diante
A terra de riquezas abundante.
2 - Elogio a Portugal
A vós, ó geração de Luso, digo,
Que tão pequena parte sois no inundo;
Não digo ainda no mundo, mas no amigo
Curral de quem governa o céu rotundo;
Vós, a quem não somente algum perigo
Estorva conquistar o povo imundo,
Mas nem cobiça, ou pouca obediência
Da Madre, que nos céus está em essência;
3
Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que à custa de vossas várias mortes
A lei da vida eterna dilatais:
Assim do céu deitadas são as sortes,
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade:
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!
No ano de 1500, larga do Restelo
uma frota comandada por Pedro Álvares Cabral que, seguindo para o
lado ocidental do Atlântico, descobriu Vera Cruz, mais tarde
chamada Brasil.

Em 1501, Gaspar Corte Real
encontrou a ilha da Terra Nova; e em 1502, João da Nova descobriu
as ilhas de Ascensão e de Santa Helena.
Em 1519, um navegador português,
chamado Fernão de Magalhães, empreendeu, ao serviço de Carlos V,
rei de Espanha, a 1ª viagem à volta da Terra. Esta empresa foi
depois concluída pelo seu companheiro Sebastião del Cano, em 1522,
em virtude daquele célebre marinheiro ter morrido numa das ilhas
Filipinas, em combate com os indígenas.
A grandeza e fama de Portugal
eram então celebradas por todo o Mundo. Nem tudo estava, porém,
concluído. A cruzada começada pelo Infante D. Henrique ia entrar
na sua fase decisiva, sob os auspícios de D. Manuel l: ÍNDIA.
D. Francisco de Almeida, 1º
vice-rei da Índia, conquistou, na costa oriental da África,
Mombaça e Quiloa, em 1505; fundou, no oriente, as fortalezas de
Cananor, Angediva e Cochim; e, perto de Dio, desbaratou uma
poderosa armada egípcia.
Afonso de Albuquerque, 2º
vice-rei, guerreiro invencível e conquistador, tomou Ormuz, Goa e
Malaca, de 1507 a 1511.
Em África oriental, foram ainda
conquistadas várias fortalezas, como: a de Safim, por Diogo de
Azambuja, e as de Azamor, Tete e Almedina, por D. Jaime, duque de
Bragança.
Depois de descoberto o Caminho
Marítimo para a Índia e de assegurado tão grande império, que se
dilatava pelos confins de África, Ásia, América e Oceânia, D.
Manuel l tomou o pomposo título de Rei de Portugal e dos Algarves,
daquém e dalém Mar, em África, Senhor da Guiné e da Conquista,
Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia.
No reinado de D. Manuel l, foram
construídos os seguintes monumentos:
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Mosteiro dos Jerónimos
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e
Torre de Belém |
, em Lisboa; Capelas
Incompletas, no Mosteiro da Batalha; Castelo da Pena, em Sintra;
Convento de Cristo, em Tomar.
O Mosteiro dos Jerónimos,
erigido em comemoração da Descoberta do Caminho Marítimo para a
Índia, é uma obra colossal e magnificente. Foi construído pelos
arquitectos, Boitaca e João de Castilho. Neles se encontram os
restos mortais, entre outros de D. Manuel l e de Camões.
.
Rainha D. Maria Aragão e Castela
e Rainha D. Leonor de Áustria
(casadas do D. Manuel
D. Manuel lº
Cognome histórico: o "VENTUROSO" Reinou de 1495 a 1521 O décimo
quarto rei de Portugal nasceu em 1469 em Alcochete (província do
Ribatejo). Era filho de D. Fernando, Duque de Viseu e de sua
mulher, a infanta D. Beatriz, e irmão do Duque de Viseu, que o seu
antecessor, D. João ll o "Príncipe Perfeito", matara. Tendo este
falecido sem descendente directo, pois seu único filho, o príncipe
D. Afonso morrera num desastre perto de Santarém, sucedeu-lhe D.
Manuel, que casou em primeiras núpcias com D. Isabel, filha dos
reis de Espanha (os católicos) e viúva do falecido príncipe D.
Afonso. Esta princesa que recebera uma educação fanaticamente
católica, impôs como condição de casamento, que fossem expulsos de
Portugal os Judeus e os Mouros, o que obrigou muitos daqueles a
converterem-se ao catolicismo, ficando a chamar-se "Cristãos
Novos". Durante este reinado, foram muitos e gloriosos os feitos
dos navegadores portugueses, e daí o cognome de o "Venturoso",
atribuído a D. Manuel l.
Em 1498, D. Vasco da Gama aporta Calicute (Índia), tendo
descoberto o caminho marítimo para a Índia. Em 1500, D. Pedro
Álvares Cabral descobre terras de Santa Cruz (Brasil) e Gaspar
Corte Real, a Terra Nova (Canadá).
Na Índia, D. Francisco de Almeida, Duarte Pacheco e sobretudo
Afonso de Albuquerque, consolidam o território de denominação
portuguesa. Todas as riquezas do Oriente afluem a Lisboa, cujo
porto de mar, demandam navios de muitas nações. D. Manuel l
deslumbrou a Europa com o esplendor da sua Corte, onde brilhavam
Gil Vicente (o grande impulsionador do teatro em Portugal) e
Bernardino Ribeiro. Começaram a ser construídos o Mosteiro dos
Jerónimos, a Torre de Belém, o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra,
o Convento de Tomar. Mas esta prosperidade é mais aparente do que
real, porque o povo continuava pobre e carregado de impostos. Da
opulência seguiu-se rapidamente a decadência ... D. Manuel l jaz
no Mosteiro dos Jerónimos (Belém - Lisboa).
66 - D. Manuel - (Canto lV de
Os Lusíadas)
"Parece que guardava o claro Céu
A Manuel, e seus merecimentos,
Esta empresa tão árdua, que o moveu
A subidos e ilustres movimentos:
Manuel, que a Joane sucedeu
No Reino e nos altivos pensamentos,
Logo, corno tornou do Reino o cargo,
Tomou mais a conquista do mar largo.
67 - O sonho de D. Manuel
"O qual, como do nobre pensamento
Daquela obrigação, que lhe ficara
De seus antepassados, (cujo intento
Foi sempre acrescentar a terra cara)
Não deixasse de ser um só momento
Conquistado: no tempo que a luz clara
Foge, e as estrelas nítidas, que saem,
A repouso convidam quando caem,
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"Estando já deitado no áureo leito,
Onde imaginações mais certas são?
Revolvendo continuo no conceito
Seu ofício e sangue a obrigação,
Os olhos lhe ocupou o sono aceito,
Sem lhe desocupar o coração;
Porque, tanto que lasso se adormece,
Morfeu em várias formas lhe aparece.
69 - Os rios Indo e Gange
"Aqui se lhe apresenta que subia
Tão alto, que tocava a prima Esfera,
Donde diante vários mundos via,
Nações de muita gente estranha e fera;
E lá bem junto donde nasce o dia,
Depois que os olhos longos estendera,
Viu de antigos, longínquos e altos montes
Nascerem duas claras e altas fontes.
70
"Aves agrestes, feras e alimárias,
Pelo monte selvático habitavam;
Mil árvores silvestres e ervas várias
O passo e o tracto às gentes atalhavam.
Estas duras montanhas, adversárias
De mais conversação, por si mostravam
Que, desde que Adão pecou aos nossos anos,
Não as romperam nunca pés humanos.
D. Manuel I
Décimo quarto rei de Portugal, nono filho do infante D. Fernando e
de D. Brites.
Filho adoptivo do príncipe D. João II, a quem votava afeição
filial, foi feito, à morte do seu irmão D. Diogo, duque de Beja,
senhor de Viseu, Covilhã e Vila Viçosa, governador do mestrado de
Cristo, condestável do reino, e fronteiro‑mor de Entre-Tejo e
Guadiana. O acidente que vitimou o herdeiro do trono (D. Afonso)
conduziu a que fosse aclamado rei em Alcácer do Sal (27 de Outubro
de 1495). Realizou três casamentos, o primeiro em 1497 com D.
Isabel (viúva de D. Afonso), o segundo em 1500 com a infanta D.
Maria de Castela e o terceiro em 1518, com D. Leonor, irmã de
Carlos V.
Como político, teve sempre em conta o interesse nacional. Recebeu
o governo exactamente no momento em que a Nação se preparava para
alcançar a mais elevada projecção. Os vinte e seis anos do seu
reinado conheceram grande actividade nos domínios da política
interna, da política ultramarina e da política externa.
1) O poder que viera parar às suas mãos era forte, centralizado e
o seu governo tendeu abertamente para o absolutismo. Com efeito
reuniu cortes logo quando subiu ao trono, em Montemor-o-Novo e só
mais três vezes, em 1498, 1499 e 1502, e sempre em Lisboa, o que é
significativo. Nas cortes de Montemor-o-Novo, toma medidas no
sentido duma centralização mais profunda de toda a administração
pública: mandou confirmar todos os privilégios, liberdades e
cartas de mercê, pelos principais letrados do reino que elegeu,
reforma os tribunais superiores e toma uma política de tolerância
em relação aos nobres emigrados por razões políticas e judeus
castelhanos que D. João II reduzira à escravatura. Pelo decreto de
1496 obriga todos os judeus que não se quisessem baptizar a
abandonar o país no prazo de dez meses, sob pena de confisco e
morte. Pela lei de 4 de Maio de 1497, proibiu que se indagasse das
crenças dos novos convertidos e, por alvará de 1499, dificulta a
saída do reino aos conversos. O objectivo era agradar aos Reis
Católicos e ao mesmo tempo, evitar que os judeus continuassem a
ser um todo independente dentro do reino. Pelas Ordenações
Afonsinas, deixa de reconhecer individualidade jurídica aos
Judeus; faz a reforma dos forais, com o fito económico de
actualizar os encargos tributários e para eliminar a vida local;
em 1502 saiu o regimento dos oficiais das cidades, vilas e lugares
(Livro dos Ofícios); em 1509 o das Casas da Índia e Mina e em 1512
saiu o novo regimento de sisas. Por outro lado com D. Manuel
inaugura-se o Estado burocrático e mercantilista, mandando cunhar
índios, o português ou escudo de prata.
2) D. Manuel herdou o impulso dos descobrimentos. Partiu para a
índia (8‑7‑1497) a armada de Vasco da Gama, que chegou a Calecut
em 20‑5‑1498. Em 1500 uma armada comandada por Pedro Álvares
Cabral, com o objectivo da Índia, rumou intencionalmente (opinião
actual) para sudoeste, atingindo a Terra de Santa Cruz. D.
Francisco de Almeida é nomeado vice-rei da índia, com o plano de
manter o monopólio da navegação e do comércio para Portugal, tendo
em terra pontos de apoio, para a carga da pimenta e reparação dos
barcos. Lançou as bases do futuro «Império», que será obra de
Afonso de Albuquerque. Apesar do comércio da pimenta a
administração vivia em pleno défice (dinheiro gasto superfluamente
ou em compra de produtos manufacturados e alimentares). Afonso de
Albuquerque cria novas fontes de receita, pela conquista de
territórios da índia que pagavam impostos.
3) Soube D. Manuel em matéria de política externa, usar de grande
habilidade e diplomacia. No aspecto cultural, reconheceu o atraso
do ensino universitário, mandando promover a reforma da
universidade, estabelecendo entre 1500 e 1504 novos planos de
estudo e uma nova administração escolar.
Fontes:
Joel Serrão - Pequeno Dicionário de História de Portugal, Lisboa,
Iniciativas Editoriais, 1976
Joaquim Veríssimo Serrão - História de Portugal, Volume III: O
Século de Ouro (1495-1580), Lisboa, Verbo, 1978.

Vasco da Gama
http://www.corvobranco.com/Historia/VascoDaGama.htm
Vasco da Gama é uma das figuras mais
relevantes da história de Portugal e um dos grandes vultos da
história europeia no início dos tempos modernos.
Nenhuma terra portuguesa ficou tão ligada a Vasco da Gama como
Sines da mesma forma como Vasco da Gama não se ligou a nenhuma
outra terra como a Sines. Ele tinha Sines na alma. Toda a vida,
Vasco da Gama teve um sonho: ser conde de Sines. Acaba por não
chegar a realizar esse sonho mas isso indica-nos que Sines era uma
terra que deveria conhecer desde a infância. O alcaide do castelo
de Sines era pai de Vasco da Gama e este terá nascido
provavelmente no próprio castelo. Apesar de não haver nenhum
documento que relate o seu nascimento (uma vez que na época não
era dado qualquer relevo ao nascimento das pessoas) as
probabilidades do nascimento se ter verificado no castelo são
muito elevadas. Conhecem-se perfeitamente as circunstâncias da
morte de Vasco da Gama mas quanto ao nascimento não há dados
fiáveis. Mesmo quanto à sua data de nascimento não existe nenhum
documento ou qualquer indício que possa dar uma forte evidência de
uma data. Sabe-se apenas que nasceu entre 1465 e 1475 e que era
filho de Estêvão da Gama, o alcaide do castelo de Sines, e era o
segundo filho, tendo um irmão mais velho chamado Paulo da Gama.
Um dos problemas curiosos que os historiadores tiveram que
resolver era o porquê de ser o irmão mais novo a comandar a
expedição que descobriu o caminho marítimo para a Índia, sendo
que, naquela época, era norma que fosse o filho varão a assumir as
maiores responsabilidades e continuar as tarefas e negócios
familiares. A hipótese do Prof. José Hermano Saraiva é de que
Vasco da Gama seria o irmão mais forte, mais vigoroso e com maior
resistência física. Paulo da Gama, ao que tudo indica não seria
uma pessoa particularmente resistente, tendo sido sempre de saúde
frágil. Talvez por isso, D. Manuel tenha confiado o comando da
armada ao irmão mais novo, ou, mais provavelmente, aos dois
irmãos. No entanto, seria Vasco da Gama a impor-se como o mais
enérgico e capaz de suportar fisicamente a empresa. Aliás, o irmão
mais velho acabará mesmo por morrer na viagem de regresso da
Índia. É assim, compreensível que Vasco da Gama tenha ficado
conhecido como o único comandante da viagem à Índia.
Em Sines, é já tradição há muito tempo que Vasco da Gama tenha de
facto nascido no castelo da vila. O castelo foi construído no
reinado de D. Pedro I por alturas da morte de Inês de Castro (v.
Crónicas de Fernão Lopes), tendo uma arquitectura simples que
indica funções quase exclusivamente militares. Sem dúvida que,
sendo Vasco da Gama filho do alcaide do castelo terá andado no
castelo e nas zonas circundantes. Foi também neste castelo que se
fez uma exposição, em 1998, sobre Vasco da Gama: a exposição
"Vasco da Gama e a sua época". A exposição tinha um núcleo no
castelo e outro na igreja das Salvas, uma igreja mandada
reconstruir pelo próprio Vasco da Gama quando já era vice-rei da
Índia.
Estêvão da Gama era um homem forte e corajoso e da confiança do
rei D. João II. Apesar de se saber que a família Gama teria
prestado grandes e muitos serviços à coroa apenas há registos de
um pois era aquele que era mais contado e que chegou até aos
nossos dias. Numa determinada altura D. João II teve necessidade
de um agente seu numa cidade do Norte de África que desejava
conquistar. Terá então enviado Estêvão da Gama que fez a viagem
miseravelmente vestido de vendedor de figos secos. Como vendedor
de figos secos foi fácil a Estêvão da Gama circular com a sua
canasta de figos pelas ruas e praças da cidade em que o rei estava
interessado e conseguir assim as informações geográficas - físicas
e humanas - que tanto interessavam ao monarca português.
Este episódio serve também para mostrar que a lenda de que Vasco
da Gama seria descendente de uma família fidalga não passa de
lenda popular. Nenhum monarca da altura encarregaria um monarca de
fazer um serviço como este que vimos. Seria contra a mentalidade
da época. Para mais, é sabido que el-rei D. João II tinha vários
servidores talentosos recrutados entre pessoas de classes sociais
ditas humildes e que não estaria apenas dependente dos seus
conhecimentos junto do clero e nobreza. D. João II podia assim
requisitar qualquer serviço, por muito estranho e invulgar que
fosse sem que lhe fossem colocadas questões ou sem necessitar de
fazer perigar a sua posição política. Este monarca, aliás,
costumava dizer que os países são como o mar tendo muitas espécies
de peixes diferentes: o salmonete que é muito bom mas muito caro,
faz-se pagar e é difícil de apagar e a sardinha que existe em
abundância, é saborosa e não custa quase nada. E D. João II
usualmente concluía "eu sou pela sardinha" querendo significar com
isto que procurava apoio nas classes populares sempre que o podia
fazer. E, de facto, no seu reinado conseguiu todo o apoio político
das classes populares.
Era frequente servir-se de agentes como Estêvão da Gama,
decididos, corajosos, capazes de correr quaisquer perigos
necessários. Era por serviços como o descrito acima que Estêvão da
Gama era alcaide do castelo. De notar também que o castelo não
dependia do rei mas sim da Ordem de Santiago. A sede da Ordem de
Santiago era no castelo de Palmela uma vez que era aí que estava o
mestre da Ordem, D. Jorge (filho do rei D. João II). Assim, D.
Manuel poderia gostar muito de Vasco da Gama, mas Sines não
pertencia ao rei D. Manuel pertencia a D. Jorge filho do rei D.
João II, o monarca da altura de Estêvão da Gama. D. Jorge era o
homem que o rei D. João II quis que fosse rei. Acaba por não o ser
pois em Roma estava o cardeal Alpedrinha e o cardeal D. Jorge da
Costa inimigos do rei D. João II que conseguiram dispor as coisas
de forma a que a Santa Sé nunca reconhecesse que D. Jorge era
filho do rei D. João (mesmo apesar de D. João o ter criado como
seu filho e como sucessor da coroa portuguesa). Como Roma não o
legitimou D. Jorge não pôde herdar o trono e em vez de ser o filho
de D. João II a herdar acabou por ser o primo D. Manuel.
Estes factos não viriam a perturbar a condução dos assuntos de
Estado nem sequer a causar qualquer perturbação familiar entre os
dois primos (D. Jorge e D. Manuel) uma vez que D. Manuel sempre
tratou dos assuntos de seu primo com todo o cuidado. Foi por isso
que D. Manuel não se conseguiu impor enquanto monarca quando quis
dar a vila de Sines a Vasco da Gama por serviços prestados: seu
primo, que era a cabeça da Ordem detentora da vila não concordou.
D. Manuel não teve a coragem e não quis passar por cima da
autoridade do filho do anterior rei. Foi preciso que Vasco da Gama
esperasse 20 anos até ser conde em 1518. A promessa de que seria
feito conde ocorreu logo após a descoberta do caminho marítimo
para a Índia em 1498. E, mesmo após esse tempo acaba não por ser
conde de Sines mas antes da Vidigueira e Vila de Frades. É após a
compra destas duas localidades por Vasco da Gama e após ter sido
feito conde que Vasco da Gama se passa a auto-intitular
Almirante-conde e passa a rodear-se de um fausto quase real.
Vasco da Gama entrou na história por ter sido o comandante da
expedição que descobriu o caminho marítimo directo desde Lisboa
até à Índia. Na altura da descoberta já todos os países europeus
conheciam a Índia e sabiam onde ficava. A Índia abastecia a Europa
de especiarias que eram uma mercadoria preciosa devido ao seu uso
na alimentação (conservação e uso culinário), medicina, farmácia,
fabrico de colas, de tintas e perfumes. O mecanismo de conseguir
as especiarias era algo complexo e passava por vários
intermediários o que as tornava um produto particularmente caro e
difícil de obter. Normalmente eram mercadores árabes que da Índia
as traziam até à região do Médio Oriente e do Mediterrâneo
Oriental. Quem fazia a distribuição para a Europa Ocidental eram
normalmente as cidades italianas tradicionalmente ocupadas no
comércio com o oriente.
Daí que, desde há muito tempo que a generalidade dos países da
Europa Ocidental procurassem encontrar uma forma de achar o
caminho marítimo para o oriente. É isso que leva Cristóvão Colombo
a propor ao rei de Portugal, D. João II, uma tentativa de
descoberta da Índia mas através de uma circum-navegação (navegando
sempre para Ocidente em linha recta até chegar ao oriente ao invés
de tentar navegar para Oriente). D. João II tinha muitas dúvidas
acerca da eficácia da tentativa de Cristóvão Colombo. Se bem que
os argumentos de Colombo pudessem ter colhido simpatias junto do
rei português, este estava interessado numa viagem que
efectivamente lhe trouxesse o resultado seguro da descoberta do
caminho para a Índia e não havia nenhuma certeza de que Colombo
não fosse encontrar obstáculos demasiado grandes pelo caminho.
Colombo haveria de encontrar um obstáculo que julgou ser a Índia
de início: a América.
De qualquer forma D. João II não cede e não ordena a expedição de
Colombo acabando por ser os reis católicos mais tarde a fazê-lo. É
sim, D. Manuel que ordena aos irmãos Gama que preparem a
expedição. Vasco da Gama embarca então como comandante numa
expedição cujo primeiro objectivo era descobrir se, navegando para
Oriente, seria possível chegar à Índia. A expedição sai com duas
naus feitas de propósito p aquela expedição (S. Gabriel e S.
Rafael) uma caravela chamada Perreo e há alguns historiadores q
defendem a inclusão de um quarto navio, um velho navio carregado
de abastecimentos. A expedição sai de Lisboa em 8 de Julho de 1497
com cerca de 150 homens, do local onde hoje estão os Jerónimos.
Daí que, ainda hoje, o dia 8 de Julho seja o dia da Marinha em
Portugal. A viagem durou dois anos. Chegaram a Calecute em 28 de
Maio de 1498 onde encontraram dificuldades em conseguir acordos
comerciais com o Samorim de Calecute. Regressam depois a Portugal
numa viagem dramática. A viagem de regresso enfrentou ventos
contrários (só p atravessar o Índico levaram mais de três meses),
todos os dias morriam marinheiros vítimas de escorbuto. Quando
chegaram a Lisboa em finais de Agosto de 1499, já só eram 30 dos
150 que tinham partido.
Apesar das dificuldades Portugal ficou, com aquela viagem, com uma
importante posição no comércio das especiarias e com a descoberta
mais decisiva da passagem da Idade Média para a Idade Moderna: a
ligação marítima entre ocidente e oriente. Havia também uma
questão mais pessoal. Colombo tinha sido nomeado pelos reis
católicos almirante-mor do mar das Índias (apesar de não ter
descoberto o caminho para a Índia) e existia alguma picardia entre
os monarcas espanhóis e o português por esse facto. Quando a
expedição portuguesa chega a Lisboa, D. Manuel nomeia
imediatamente Vasco da Gama almirante-mor das Índias para mostrar
que, afinal, o caminho para a Índia tinha sido descoberta por ele
e não por Colombo. D. Manuel foi generoso com Vasco da Gama e, em
pouco tempo, fez dele um homem rico.
Mas depois desta expedição Vasco da Gama volta ainda a prestar
grandes serviços ao rei. Para a armada seguinte, cerca de 1500, já
é nomeado comandante um fidalgo. Na primeira viagem, o
desconhecido e as hipóteses de se perder totalmente a armada
levaram a que se nomeasse Vasco da Gama, na altura um mero
escudeiro. Desta feita, o elemento desconhecido era mais reduzido,
as hipóteses de sucesso eram maiores e então o monarca nomeia
Pedro Álvares Cabral comandante da expedição. Como se sabe foi
esta expedição que descobriu o Brasil. Mas esta expedição foi mal
sucedida: os portugueses que foram deixados na Índia acabam
chacinados devido a intrigas entre mercadores. Ao que parece a
rivalidade com os mercadores muçulmanos teria acabado num banho de
sangue tendo sido os portugueses todos mortos. Isto faz com que a
coroa perceba que não poderá fazer concorrência comercial no
oriente sem considerar o aspecto militar.
Assim, D. Manuel volta a chamar Vasco da Gama e, desta feita,
fornece-lhe uma armada com 20 navios com cerca de 3.000 homens,
muita artilharia e encarrega-o de voltar à Índia vingar a chacina
dos portugueses, tomar e defender a feitoria onde os portugueses
se tinham instalado. Vasco da Gama regressa à Índia em 1502 tendo
resolvido a questão com uma ferocidade que em pouco tempo o terror
estava espalhado na região pois o rasto de sangue deixado pela
expedição teria sido muito grande. Ao mesmo tempo que espalha o
terror deixa afirmado o poder da coroa portuguesa do séc. XVI
conseguido com isso obter benefícios económicos importantes.
Durante muito tempo hindus e muçulmanos não molestam mais qualquer
português.
Após essa expedição volta para Sines. Estava a construir uma casa
apalaçada quando o mestre da Ordem de Santiago, D. Jorge,
protestou contra a construção da casa devido a não ter dado
permissão para novas edificações num região controlada por si. O
rei D. Manuel é obrigado a enviar uma carta a Vasco da Gama onde
lhe dá 30 dias para abandonar a vila de Sines levando a família e
proibindo-o de regressar à vila. Ao que se sabe isto terá
desgostado bastante Vasco da Gama, ao ponto de o fazer desejar
abandonar o país. Envia um pedido ao rei onde pede permissão para
ir servir o país noutras terras. Mas o pedido é recusado.
Mais tarde os serviços de Vasco da Gama voltam a ser necessários.
Desta feita não se tratava de reforçar a posição portuguesa
militarmente ou de criar as condições de segurança para a presença
portuguesa na Índia. Acontece que a presença portuguesa na Índia
se tinha desleixado permitindo um aumento da corrupção, preguiça,
desrespeito pelas ordens e interesses da coroa... Nesta altura,
1524, Vasco da Gama não é já um homem novo tendo já passado dos
cinquenta anos. Com a sua idade e o desgaste de uma vida ao
serviço da coroa sempre em missões difíceis ao fim de três meses
de chegar à Índia morre devido ao esforço, à violência de mais uma
viagem e do trabalho que encontrou pela frente. Ele tenta, em três
meses acabar com alguns anos de desorganização.
Apesar de ser considerado um herói nacional, Vasco da Gama é uma
figura não muito celebrada em Portugal. Em todo o país há
pouquíssimas estátuas desta personagem. A localidade onde se sente
mais a sua presença continua a ser Sines.

Pedro
Álvares Cabral
Descobridor do Brasil, nasceu em Belmonte, entre 1460 e 1470,
filho de Fernão Cabral e de D. Isabel Gouveia. Foi moço fidalgo de
D. João II, que o agraciou com uma tença de 13000 reais, vindo
posteriormente a casar-se com D. Isabel de Castro, sobrinha de
Afonso de Albuquerque.
Em 1500, após o retorno de Vasco da Gama, Cabral foi designado
pelo Rei D. Manuel I para comandar 13 naus, tripuladas por cerca
de 1500 homens, em missão diplomática ao Oriente, onde deveria
estabelecer um pacto de amizade com o Samorim de Calecut.
A partida deu-se a 8 de Março de 1500 e, a22 de Abril do mesmo
ano, após uma breve escala nas Canárias, é avistada a costa
brasileira, da qual já havia sinais desde a véspera: era a zona do
Monte Pascoal, e a esquadra lança ferro junto da foz do actual Rio
Cahy; haviam sido percorridos, desde a largada de Lisboa, cerca de
6500 km. Nos dias que se seguem a esquadra muda de ancoradouro,
indo fundear mais a Norte, numa Baía que os portugueses
denominaram Porto Seguro; aí se vão estabelecer boas relações com
os índios locais, e ergue-se uma cruz de madeira, símbolo da
Cristandade que os portugueses viriam a levar aos quatro cantos do
Globo, junto do Rio Mutary. Entretanto, logo após a chegada da
Armada à Terra de Santa Cruz, nome inicialmente dado ao Brasil,
Pedro Álvares Cabral envia a nau comandada por Gaspar Lemos com as
boas novas rumo a Portugal.
A 2 de Abril, dez dias volvidos da sua chegada ao Brasil, a
esquadra parte para Calecut; uma vez aí chegado, logo Pedro
Álvares Cabral envida esforços no sentido de concluir os laços de
amizade previstos. Mas, se de início tudo pareça correr bem, logo
se levantaram intrigas entre os indígenas; estes, atacaram de
surpresa a feitoria que Cabral havia já estabelecido, chacinando
quase todos os portugueses que aí se encontravam; como represália
Pedro Álvares Cabral ordena o bombardeamento da cidade e lança
fogo aos navios muçulmanos. Após este incidente, a expedição segue
para Cochim, onde é embarcada rica mercadoria exótica, com a qual
Pedro Álvares Cabral retorna a Lisboa.
Em 1502, o Rei faz menção de o enviar no comando de nova Armada ao
Oriente, mas Pedro Álvares Cabral escusa-se a tal missão,
preferindo retirar-se para a tranquilidade das suas propriedades
de Santarém, onde vem falecer cerca de 1502, jazendo o seu corpo
na Igreja da Graça, sita na referida cidade.
Desempenho de D. Francisco de
Almeida como Vice-Rei da Índia
http://www2.crb.ucp.pt/historia/abced%C3%A1rio/Francisco%20Almeida.htm
D. Francisco de Almeida, empossado do cargo de Vice-Rei da Índia,
parte de Lisboa a 25 de Março de 1505.
A sua frota ia munida de um forte dispositivo bélico, porque já
estava interiorizado que, só pela guerra, poderiam assegurar a
posição das feitorias já estabelecidas e a expansão a novos pontos
nevrálgicos. Para melhor assegurar o sucesso da missão de que
tinha sido incumbido, D. Francisco de Almeida começou a sua acção
na costa oriental africana.
D. Manuel, no regimento que entregara a Francisco de Almeida,
determinava que capturasse e fortificasse Sofala e Quíloa e que
construísse uma fortaleza na ilha de Anjediva. No ano seguinte, o
monarca viria a acrescentar que os territórios de Ceilão e Malaca
deveriam ser atacados e que o trânsito no mar Vermelho deveria ser
bloqueado, a fim de impedir o avanço muçulmano. O monarca
português colocava em primeiro plano o bom entendimento com os
soberanos locais, mas em caso de necessidade, usar a força era
imperioso.
D. Manuel refere no regimento, que quer a “paz e amizade” e que
aceita os costumes e religiões dos outros povos, só quebrando o
bom entendimento quando não eram cumpridos os acordos. Este
sentimento era bem claro como demonstra Russel-Wood, “Em Sofala o
rei ordenou que tomasse a cidade de preferência sem luta, mas com
esta dissimulação”.
Cumprindo o estabelecido no regimento, D. Francisco começa por
empreender o plano traçado para a costa oriental de África.
Fazendo amizade com o rei de Sofala e edificando uma fortaleza,
impedia assim o fornecimento de ouro que nesse porto abastecia os
mercadores árabes. Em Quíloa o rei fugiu quando viu chegar a
armada portuguesa. Este havia usurpado o trono do antigo soberano,
que tinha aceite a vassalagem ao rei português. No seu lugar, o
governador colocou um mouro que tinha ficado como refém, por
demonstrar merecer a sua confiança. Esta política tinha por
finalidade facilitar a comunicação, vencendo assim a barreira da
língua.
O rei de Mombaça recebeu a esquadra do vice-rei com guarda
reforçada, pois tinha tomado conhecimento do que se passara em
Quíloa. Tentou alvejar Almeida e a sua comitiva, empreendendo a
fuga posteriormente. D. Francisco mandou um emissário dizer ao
rei, que se aceitasse ser vassalo do rei de Portugal, poderiam
entende-se facilmente, caso contrário lhe faria guerra. Como não
aceitou a rendição, D. Francisco de Almeida mandou incendiar parte
da cidade, para que os seus homens pudessem entrar mais facilmente
e saqueá-la.
Já na Índia mandou erguer a fortaleza de Anjediva aproveitando uns
alicerces já ali existentes, junto ao mar. Esta fortaleza estava
num ponto muito sensível e na ausência do governador, foi atacada
pelos mouros por via terrestre. Saquearam toda a mercadoria e
queimaram a frota que estava fundeada. Esta fortaleza viria mais
tarde a ser destruída por ordem de D. Francisco, uma vez que as
despesas eram superiores aos lucros, devido aos roubos.
Em Cochim, Cananor e Ceilão, as negociações resolvem-se pela via
diplomática, ficando tributários de Portugal.
O comércio português no Índico estava em franco progresso, e para
isso contribuiu em grande parte o bom entendimento com alguns
soberanos do Malabar. Estes, descontentes com os mouros egípcios e
turcos, que só negoceiam com Calecute, fazem-se amigos dos
portugueses e prometem o seu apoio. O acesso ao mar Vermelho
estava cada vez mais condicionado, passando só as embarcações que
tinham o “livre trânsito” e para o obter, tinham de fazer o
pagamento prévio do imposto. Esta situação não agradava aos mouros
do Cairo, que utilizavam aquele mar para abastecer Veneza e toda a
zona mediterrânica.
Em Lisboa havia a preocupação de aumentar cada vez mais o poder
militar no Oriente. Por essa razão, foi enviada um armada para
apoiar o governador, composta por Afonso de Albuquerque e Tristão
da Cunha. Estes levavam como missão bem definida a tomada da ilha
de Socotorá, com a finalidade de lá construírem uma fortaleza,
para impedir a passagem dos muçulmanos no mar Vermelho.
Posteriormente verificou-se que não foi a opção mais acertada, o
que provocou o seu abandono.
D. Francisco de Almeida era uma pessoa de trato dócil, mas de
rápidas e cruéis decisões, quando elas se impunham. Apesar das
vitórias que iam garantindo a supremacia comercial e naval, nem
sempre os resultados foram favoráveis aos portugueses. D. Lourenço
de Almeida, filho do governador, foi surpreendido em Chaul pelas
forças do samorim de Calecute, apoiados pelos egípcios, que não
estavam satisfeitos com a quebra do seu negócio. Esta acção
provocou a morte do seu capitão, e a tropa portuguesa retirou-se
de combate. A notícia deste acontecimento chegou até D. Francisco
que estava em Cochim, e logo começou a arquitectar a vingança.
Como se aproximava a monção de Inverno, não pôde partir. Por essa
altura chegam à Índia duas armadas, uma directamente de Lisboa
outra que tinha ficado em Moçambique, devido ao mau tempo. O
Governador junta as suas tropas a este duplo apoio, e pretende
assim atacar Calecute.
D. Afonso de Albuquerque quando foi na armada de apoio para o
Oriente, levava consigo a nomeação de Vice-Rei passada por D.
Manuel, para suceder a Francisco de Almeida. Esta nomeação deveria
ser mantida em segredo, até ao final do mandato do Vice-Rei em
exercício. Quando terminava o período de três anos do seu governo,
Afonso de Albuquerque foi pedir a passagem de poderes a D.
Francisco de Almeida, pondo-o a par da nomeação feita por D.
Manuel. O governador não gostou da notícia, e disse-lhe que não
tivesse pressa, pois ainda tinha uma missão a cumprir. D. Afonso
de Albuquerque sabia que se referia à vingança da morte do filho e
disse-lhe que ele próprio se encarregaria disso. D. Francisco
considerou uma ingerência e argumentou, dizendo que não costumava
deixar para os outros a vingança das ofensas a ele feitas. Perante
esta atitude do governador, Albuquerque retirou-se para Cochim,
esperando que ele lhe fosse fazer a entrega dos poderes.
Com o apoio das armadas que haviam chegado de Lisboa e a sua
própria, dirigiu-se a Dabul, destruiu a cidade e para completar o
seu plano, fez um ataque violentíssimo a Diu. Daqui em diante, as
desavenças entre o governador ainda em exercício e o novo
governador, sucedem-se. D. Francisco de Almeida não gostou da
forma como Albuquerque lhe pediu o poder e ia adiando a passagem
das responsabilidades para as suas mãos. Com o impasse da
situação, Afonso de Albuquerque decide começar a executar o plano,
que lhe havia sido confiado pelo rei português. O conflito chegou
ao conhecimento de D. Manuel, pelo que enviou D. Fernando Coutinho
para repor a legalidade.
Este agradece a Francisco de Almeida os seus esforços ao serviço
da coroa e embora tivessem terminado, o seu conselho nos assuntos
difíceis seria de primordial importância. Como nunca foi
consultado, decidiu regressar a Portugal, abatido e triste. Perto
do Cabo da Boa Esperança, quando se abastecia de água e
mantimentos, foi morto pelos negros. A vice-realeza de D.
Francisco de Almeida ficou marcada por grandes feitos na Índia.
Conquistou cidades importantes na costa Oriental de África,
construiu feitorias e fortalezas de apoio e defesa dos interesses
da coroa portuguesa, fez alianças pacíficas com cidades-estados da
costa do Malabar, na Índia, venceu pelas armas praças importantes
no tráfego mercantil, controlou a entrada de mercadorias no mar
Vermelho, contribui para o estabelecimento da rota do Cabo. O
controlo do mar da Índia foi a sua prioridade, por isso conseguiu
a hegemonia marítima. O trabalho de Francisco de Almeida consistiu
no desbravar do terreno fértil, que proporcionou aos seus
sucessores a concretização dos objectivos estipulados em 1505/
1506.
O nome do 1.º Vice-Rei na Índia, foi imortalizado por Camões em
“Os Lusíadas”.
Nem deixarão meus versos esquecidos
Aqueles que, nos Reinos lá da Aurora,
Se fizeram por armas tão subidos,
Vossa bandeira sempre vencedora:
Um Pacheco fortíssimo e os temidos
Almeidas, por quem sempre o Tejo chora,
Albuquerque terribil, Castro forte,
E outros em quem poder não teve a morte.
Luís de Camões, “Os Lusíadas”- Canto I, estrofe 14
Trabalho realizado por Albina Faria
Afonso de Albuquerque
http://www.brasilescola.com/biografia/afonso-albuquerque.htm
Militar, conquistador e político português
nascido na Quinta do Paraíso, perto de Alhandra, considerado a
figura mais emblemática da expansão portuguesa no Oriente e que
como segundo vice-rei da Índia foi maior responsável pela expansão
do poder das feitorias lusas nesse país. Descendente da nobreza
lusitana, foi criado na corte de D. Afonso V, serviu em
praças-fortes portuguesas de Marrocos e integrou a guarda pessoal
de D. João II. Na sua primeira missão na Índia (1503-1505),
confiada por D. Manuel I, fundou a fortaleza de Cochim, travou
combate com os turcos e com tropas muçulmanas do reino de Calecut,
e estudou profundamente a região.
Com prestígio em alta, foi nomeado (1506) por D. Manuel I para
substituir o governador D. Francisco de Almeida. Ao chegar a Índia
(1508), Almeida negou-se a reconhecer a carta secreta do rei na
qual o nomeava governador e, além de não lhe transferir seus
poderes, o aprisionou na fortaleza de Cananor. Com a chegada da
esquadra do marechal Fernando Coutinho (1509), o insatisfeito
governante não pode resistir e entregou o cargo a seu sucessor. O
novo vice-rei deu início a sua ofensiva regional para controlar
todo o comércio da área e antes de assumir as suas funções de
governador, assaltou e tomou os portos de Omã e de Ormuz.
Conquistou sucessivamente Goa, Cambaia, Calicut, Narsinga, Malaca
e Ormuz (1510-1515). Comandou a primeira esquadra europeia a
entrar no mar Vermelho (1513), consolidando, assim, o domínio
português no Oriente (1514). Seu plano estratégico era instalar
uma linha de fortalezas que pudesse controlar a navegação no mar
Vermelho, impondo o domínio português sobre uma vasta área
territorial, expulsando as forças do Império Otomano.
Porém, seus sucessivos sucessos de conquistas e sua visão de um
amplo domínio português no Oriente, renderam-lhe muitos inimigos
invejosos na corte, até que o rei foi convencido a substituí-lo
por Lopo Soares de Albergaria, um desses fortes inimigos.
Frustrado e doente, morreu durante a viagem de Ormuz para Goa,
quando ia passar oficialmente o cargo de vice-rei ao seu
substituto, consciente do boicote de que fora vítima.
Lopo Soares de Albergaria
Nasceu provavelmente, em 1460.
Foi nomeado por D. Manuel I, em 1515, governador da Índia,
sucedendo a Afonso de Albuquerque. Não conseguiu dar continuidade
ao trabalho do "Terribil", tendo tido vários insucessos militares.
Após três anos de governo na Índia, voltou a Portugal, deixando o
cargo para Diogo Lopes de Sequeira, mas não sem antes fundar uma
fortaleza em Colombo, Ceilão (actual Sri Lanka). Morreu em data
desconhecida.
Carlos Leite Ribeiro – Marinha
Grande - Portugal
Pag. das dinastias:
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