
D. Afonso V
D. Afonso V tinha pouco mais de
seis anos, quando faleceu D. Duarte. Por isso, ficou a governar
como regente sua mãe, D. Leonor. Como a grande maioria dos
portugueses não simpatizava com D. Leonor, resolveram as cortes
entregar a regência do Reino ao Infante D. Pedro, duque de Coimbra
e tio de D. Afonso V. A regência de D. Pedro foi proveitosa para
Portugal, e nem outra coisa era de esperar, atendendo ao seu
carácter, sua prudência e sua cultura.
Logo que D. Afonso V chegou à
maioridade, em 1448, D. Pedro entregou-lhe o comando do governo,
retirando-se em seguida para Coimbra, onde tinha o seu castelo e
as suas terras.
Governava D. Afonso V há pouco
mais de um ano, quando por intrigas do Paço, em que se distinguiu
seu irmão bastardo D. Afonso, conde de Barcelos e depois duque de
Bragança, se convenceu que seu tio e sogro, ambicionava
apoderar-se do trono. Sabedor do facto, resolveu D. Pedro partir
de Coimbra em direcção à Corte para esclarecer a verdade, e pedir
ao mesmo tempo justiça contra os seus caluniadores. Como se fazia
acompanhar de alguma gente armada, o rei, tomando este gesto por
provocação e rebeldia, mandou tropas ao seu encontro. O embate das
duas hostes deu-se em Alfarrobeira (próximo de Alverca), onde, a
pelejar, perderam a vida o Infante D. Pedro e o seu íntimo amigo
D. Álvaro Vaz de Almada, conde de Avranches, em 1449.
Os Descobrimentos Marítimos
continuavam metodicamente, ainda sob a orientação do Infante D.
Henrique.
Em 1441, Nuno Tristão chegou ao
Cabo Branco;
Em 1445, o mesmo e Álvaro
Fernandes descobriram a foz do Senegal;
No mesmo ano, Dinis Dias atingiu
toda a costa da Guiné até ao Cabo Verde;
Em 1460, Diogo Gomes e António
de Nola descobriram o Arquipélago de Cabo Verde.
Por esta época (1460) falecia em
Sagres o Infante D. Henrique, legando a Portugal a empresa
imorredoura dos Descobrimentos dos Portugueses, que tanto
contribuiu para o bom nome de Portugal e progresso da civilização.
Mas a sua formidável obra estava lançada e, por isso, os
descobrimentos prosseguiram:
Em 1469, Fernão Gomes aportou à
Costa da Mina;
E, 1470, João de Santarém e
Pedro Escobar descobriram as Ilhas de São Tomé e Príncipe;
Fernando Pó encontra a ilha do
mesmo nome e a de Ano Novo;
Em 1472, Álvares Esteves passava
o Equador.
Também, D. Afonso V, possuidor
de um temperamento guerreiro, resolveu continuar em África as
conquistas de terras aos muçulmanos, iniciadas por D. João l, seu
avô.
Em 1458, tomou-lhes
Alcácer-Ceguer. Em 1471, caíram em seu poder Arzila e Tânger, pelo
que recebeu o título de Africano.
A partir desta época, e devido a
tais conquistas, começaram os soberanos portugueses a denominar-se
: “Reis de Portugal e dos Algarves, daquém e dalém mar em África”.
D. Afonso V, por ter ajustado
esponsais com D. Joana, única filha do rei de Castela, quis fazer
valer os seus direitos ao trono de Castela.
Invadiu então, o reino de
Castela, tendo-se travado a Batalha de Toro, em 1476, que foi de
resultados negativos para a causa do rei português, muito embora
as nossas tropas tivessem dado mostras de muita intrepidez e de
grande valor combativo. Nesta batalha tornou-se célebre o alferes
Duarte de Almeida “o Decepado”, a quem fora confiada a gloriosa
Bandeira de Portugal. Os castelhanos, para a poderem roubar,
cortaram-lhe ambas as mãos. Por último, segurou-a ainda entre os
dentes, só a largando quando, exausto de forças, cheio de golpes e
cutiladas, caiu do cavalo. Duarte de Almeida ficou prisioneiro dos
castelhanos, mas o estandarte nacional foi recuperado pelo
escudeiro português Gonçalo Pires, que o arrancara das mãos do
inimigo.
Neste reinado foi introduzida a
Imprensa, aperfeiçoada por Gutemberg, célebre inventor alemão.
Ordenações Afonsinas: Com este
nome foi publicada, durante a regência de D. Pedro, a primeira
colecção de leis portuguesas, principiadas a compilar desde o
tempo de D. João l.
Os restos mortais de D. Afonso
V, encontram-se no mosteiro da Batalha.
.
Rainha D. Joana de Castela e D.
Isabel de Coimbra
(que casaram com D. Afonso V)
Batalha de Alfarrobeira
http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Alfarrobeira
Foi o recontro travado entre D.
Afonso V e o Infante D. Pedro seu tio, em 1449, junto do ribeiro
de Alfarrobeira, perto de Alverca. No princípio do ano de 1448,
aconselhado por Afonso, Duque de Bragança, pelo conde de Ourém e
pelo arcebispo de Lisboa, decidiu D. Afonso V afastar do governo
do reino, seu tio, que abandonou a corte, a pretexto da
administração das suas terras e se instalou na casa ducal de
Coimbra. A intriga surtiu efeito no espírito do monarca que não
atendeu às tentativas de conciliação do próprio D. Pedro que lhe
escreveu renovando a sua obediência e defendendo-se das calúnias,
quer do Infante D. Henrique e do conde de Avranches, que
pretenderam evitar o drama.
O rei escreve no final deste ano ao duque de Bragança
requisitando-o à corte mas acompanhado de escolta uma vez que
teria de atravessar terras de Coimbra. D. Pedro, sabedor da vinda
do seu inimigo, proíbe-lhe a passagem por suas terras e é
considerado súbdito desleal ao rei. Logo se publicam éditos contra
o Infante e seus aliados e o rei investe, com as suas tropas, na
tentativa de submetê-los, instalando-se em Santarém; por sua vez
D. Pedro desce de Coimbra em direcção a Lisboa e encontra as
tropas reais em Alfarrobeira.
Travada a batalha, as tropas do monarca saem vitoriosas e o
Infante morre no combate. Foi geral a reprovação europeia, perante
a conduta de D. Afonso V e D. Isabel de Portugal, recolhe na corte
da Borgonha os sobrinhos órfãos D. Jaime, mais tarde arcebispo de
Lisboa e cardeal; D. Pedro mais tarde conde Barcelona; D. João
futuro príncipe de Antioquia e D. Isabel. Em resumo, Alfarrobeira
representa o triunfo da corrente senhorial sobre os princípios de
centralização régia que já anunciam a Idade Moderna.

Duarte de Almeida - o Decepado
Alferes-mor de D. Afonso V,
conhecido na história pela alcunha do Decepado. Era filho de Pedro
Lourenço de Almeida. Na batalha de Toro, em 1 de Março de 1476,
entre tropas portuguesas e castelhanas, em que tanto se distinguiu
o príncipe D. João, depois o rei D. João II, praticaram-se actos
de valentia e heroísmo; entre os guerreiros que se tornaram
notáveis, conta-se Gonçalo Pires e Duarte de Almeida, o
alferes-mor do rei, a quem estava confiado o estandarte real
português. A luta foi enorme; as quatro grandes divisões
castelhanas, vendo os seus em perigo, acudiram a auxiliá-los, ao
mesmo tempo que o arcebispo de Toledo, o conde de Monsanto, o
duque de Guimarães e o conde de Vila Real avançavam em socorro dos
portugueses. Subjugados pela superioridade do número, os
portugueses caíram em desordem, abandonando o pavilhão real.
Imediatamente, inúmeras lanças e espadas o cobrem, e todos à
porfia pretendem apoderar-se de semelhante troféu. Duarte de
Almeida, num supremo esforço, envolto num turbilhão de lanças,
empunha de novo a bandeira, e defende-a com heróica bravura. Uma
cutilada corta-lhe a mão direita; indiferente à dor, empunha com a
esquerda o estandarte confiado à sua Honra e lealdade; decepam-lhe
também a mão esquerda; Duarte de Almeida, desesperado, toma o
estandarte nos dentes, e rasgado, despedaçado, os olhos em fogo,
resiste ainda, resiste sempre. Então os castelhanos o rodearam, e
caiem às lançadas sobre o heróico alferes‑mor, que afinal, cai
moribundo. Os castelhanos apoderaram-se então da bandeira, mas
Gonçalo Pires (V. este nome), conseguiu arrancá-la. Este acto de
heroicidade foi admirado até pelos próprios inimigos.
Duarte de Almeida foi conduzido semimorto para o acampamento
castelhano, onde recebeu o primeiro curativo, sendo depois mandado
para um Hospital de Castela. No fim de muitos meses, voltou à,
pátria, e foi viver para o castelo de Vilarigas, que herdara de
seu pai. Havia casado com D. Maria de Azevedo, filha do senhor da
Lousã, Rodrigo Afonso Valente e de D. Leonor de Azevedo. Diz-se
que Duarte de Almeida morreu na miséria e quase esquecido, apesar
da sua valentia e bravura com que se houve na batalha de Toro, que
lhe custou ficar inutilizado pela falta das suas mãos. Camilo
Castelo Branco, porém, nas Noites de insónia, diz que o Decepado
não acabara tão pobre como se dizia, porque além do castelo de
Vilarigas, seu pai possuía outro na quinta da Cavalaria, e em
quanto ele esteve na guerra, sua mulher havia herdado boa fortuna
duma sua tia, chamada D. Inês Gomes de Avelar. D. Afonso V, um ano
antes da batalha, estando em Samora, lhe fizera mercê, pelos seus
grandes serviços, para ele e seus filhos, de um reguengo no
concelho de Lafões.
Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico,
Bibliográfico, Numismático e Artístico, Volume I, pág. 245.
54 - Afonso V – (Canto lV de Os
Lusíadas)
"Mas Afonso, do Reino único herdeiro,
Nome em armas ditoso em nossa Hespéria,
Que a soberba do bárbaro fronteira
Tornou em baixa e humílima miséria,
Fora por certo invicto cavaleiro,
Se não quisera ir ver a terra Ibéria.
Mas África dirá ser impossível
Poder ninguém vencer o Rei terrível.
55 - Conquistas em África: Alcácer, Tânger e Arzila
"Este pôde colher as maçãs de ouro,
Que somente o Tiríntio colher pôde:
Do jugo que lhe pôs, o bravo Mouro
A cerviz inda agora não sacode.
Na fronte a palma leva e o verde louro
Das vitórias do Bárbaro, que acode
A defender Alcácer, forte vila,
Tângere populoso e a dura Arzila.
56
"Porém elas enfim por força entradas,
Os muros abaixaram de diamante
As Portuguesas forças, costumadas
A derribarem quanto acham diante.
Maravilhas em armas estremadas,
E de escritura dinas elegante,
Fizeram cavaleiros nesta empresa,
Mais afinando a fama Portuguesa.
57 - Guerra contra Fernando de Aragão
"Porém depois, tocado de ambição
E glória de mandar, amara e bela,
Vai cometer Fernando de Aragão,
Sobre o potente Reino de Castela.
Ajunta-se a inimiga multidão
Das soberbas e várias gentes dela,
Desde Cádis ao alto Pireneu,
Que tudo ao Rei Fernando obedeceu.
58 - Batalha de Toro
"Não quis ficar nos Reinos ocioso
O mancebo Joane, e logo ordena
De ir ajudar o pai ambicioso,
Que então lhe foi ajuda não pequena.
Saiu-se enfim do trance perigoso
Com fronte não torvada, mas serena,
Desbaratado o pai sanguinolento
Mas ficou duvidoso o vencimento.
59
"Porque o filho sublime e soberano,
Gentil, forte, animoso cavaleiro,
Nos contrários fazendo imenso dano,
Todo um dia ficou no campo inteiro.
Desta arte foi vencido Octaviano,
E António vencedor, sem companheiro,
Quando daqueles que César mataram
Nos Filípicos campos se vingaram.
Trabalho e pesquisa de Carlos Leite
Ribeiro – Marinha Grande - Portugal
pág. seguintes:
Pag. das dinastias: