FRAGMENTOS DA HISTÓRIA

BRASILEIRA

 A SAGA DE UM REVOLUCIONÁRIO

AUGUSTO MAYNARD GOMES

Trabalho oferecido à Só Karinhos por  Adailton dos Santos Andrade

 

Fotos históricas

 

Fotos do levante da 1924, conhecido como levante de 13 de julho.

Militares em posição de combate sob o comando de Augusto Maynard Gomes

Augusto Maynard em pé fardado em segundo plano na foto

 

 

 

Maynard preso na Ilha das Cobras em agosto de 1922.

Augusto Maynard  preso  na Ilha de Trindade, junto com Juarez  Távora, Eduardo Gomes, Siqueira Campos, os degredados do 18 do forte de Copacabana

 

 

Cortejo fúnebre  de Augusto Maynard

 

Augusto Maynard Gomes faleceu com 71 anos  de idade, na cidade do Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 1957; era um dos senadores mais atuantes de Sergipe. Seu suplente foi chamado para assumir o cargo , o senhor Jorge Campos Maynard

Cortejo fúnebre  de Augusto Maynard

 

Cortejo fúnebre  de Augusto Maynard

 

NOTA COMPLEMENTAR    

    Augusto Maynard Gomes foi depois de Fausto Cardoso, o político mais aguerrido, mais popular e mais querido da doce província de Sergipe Del rei, na opinião do ilustre Historiador Artur Fontes, foi mais do que isso, foi o ídolo e a esperança de uma época, uma grande esperança, uma imensa esperança, a maior esperança – como disse José Calasans no perfil que lhe traçou.

   Tenente de duas revoluções antilegalistas de 1924  e 1926, das quais foi no estado o articulador e chefe supremo, superando todos companheiros de luta na devoção popular pela bravura, coragem e sacrifício. Derrotado e preso em ambas é, na ultima, degrados para  as prisões da Ilha da trindade os quais Eduardo Gomes, Siqueira Campos, Juarez Távora...Em 30 Maynard reaparece  em Minas comandando um batalhão revolucionário. Já o então major Maynard, mais envelhecido e menos aguerrido, mas político, talvez nem talvez, nunca fora um bom político, conforme a história vitoriosa> Getulio Vargas nomeia-o interventor de Sergipe, como dom Pedro I na luta contra o seu irmão Dom Miguel perdoa os Miguelistas, Maynard deu os primeiros passos para a conciliação com os seus antigos adversários e  para adversidade política, era um homem sincero e confiante. Dava a impressão de que as comodidades do palácio lhe causavam nostalgia e o assédio dos áulicos o perturbava. Criara-se na caserna entre bravos e companheiros sinceros. No exercício do poder discricionário, Maynard jamais agiu fora dos princípios de liberdade e justiça pelos quais lutou. Governou sempre com autoridade do seu forte temperamento, mas sem vinditas  ou ódios . Rosto carrancudo, voz severa e gestos impetuosos, no intimo era uma pessoa gentil, cordial e tolerante, sempre aberta ao perdão  e à conciliação.

   Entrou para a História como militar e revolucionário destemido e de boa Fe, mas digno e honrado. O telegrama que alguns antigos e leais companheiros enviaram ao Presidente Vargas nos seguintes termos – “Maynard ombreado com decaídos, Perspectivas sombrias” – foi o começo das turbulências políticas na sua primeira interventoria. Promovido a general, por razoes não identificadas, Vargas nomeia-o membro de supremo Tribunal Militar, donde retornaria poucos anos depois para exercer a sua segunda interventoria no estado. Perde as eleições para governador do estado, elege-se senador e depois o  ostracismo.

   Contrariando as acusações que injustamente lhe faziam de violento e intolerante, embora José Calasans o tenha classificado como “tempestade que ameaça e não desaba” conta-se com muita graça a seguinte história:

   Ao receber um telegrama do ministro da justiça determinando a prisão imediata de todos os membros  proeminentes do partido Integralista em Sergipe, contraindo Maynard ordenou aos seu secretario particular, o popular João Bezerra, que elaborasse uma cuidadosa listra dos tais proeminentes , como qualificara o ministro. Ao recebê-la o coronel Maynard ponderou com ironia “impossível, seu bezerra, todas as suas pessoas relacionadas são dignas e honradas, meus adversários políticos, mas cidadãos respeitáveis, não vou  prender ninguém” O João Bezerra, perplexo com a reação do interventor, exclamou: ! E a ordem do Sr.  Ministro, Coronel?” tem razão seu Bezerra, de-me a listra de volta, releu-a e, no fim da mesma um nome lhe pareceu estranho: Polibio de tal. “Quem é esse Polibio ? Indignou.

   Polibio dos Santos  era um bom conterrâneo meu, funileiro e laranjeirense, era, pessoalmente um tipo exótico  branco avermelhado, baixo supinamente míope, agitado, verboso e inofensivo como um cordeiro.

   Bezerra informou que Polibio era apenas o distribuidor de jornal do partido, o Sigma, uma integralista fanático. “Agitador perigoso esse Polibio” ironizou o interventor. Cumpra-se a ordem do ministro, prenda-o, determinou,  porem sem açodamento ou violência. Vá à casa dele e avise-o de que amanhã um carro oficial irá apanhá-lo e conduzi-lo para o alojamento confortável no antigo prédio do tribunal da relação, com permissão para receber visitas. No dia seguinte, Polibio esperava impacientemente o carro oficial envergando a sua vistosa camisa verde.

   Dias depois, quando tudo se acalmou, o Maynard autorizou ao João Bezerra levar o Polibio de volta para casa. Ao receber a noticia, Polibio protestou: “Só saio daqui morto”, porem, voltou para casa frustrado e furioso com o interventor.

   Maynard era um homem com uma aparência triste,parecia decepcionado,  mas extremamente feliz com o seu passado de lutas por um Brasil melhor, por amor a sua famílias e dedicação aos seus filhos.