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Augusto Maynard Gomes - formatura em uma escola
militar no Rio de Janeiro, cedida a Adailton ) |
Augusto Maynard Gomes
nasceu no engenho Campo Redondo, de
propriedade de seu pai e localizado no
município de Rosário do Catete (SE), em
16 de fevereiro de 1886, filho de Manuel
Gomes da Cunha e de Teresa Maynard
Gomes.
Depois de cursar o Ateneu Pedro II,
ingressou na Escola Militar do Campo da
Vazia Rio Grande do Sul , depois Escola
Tática de Realengo, no Rio de Janeiro
(então Distrito Federal), assentando
praça em 1902. Dois anos depois,
participou da Revolta da Vacina,
juntando-se com mais cerca de cem
colegas aos alunos da Escola Militar da
Praia Vermelha que entraram em
choque com forças legalistas protestando
contra a vacinação antivariólica
obrigatória decretada pelo governo de
Rodrigues Alves. Derrotado o movimento,
os estudantes de Realengo e da Praia
Vermelha foram transferidos para a
Escola Militar de Porto Alegre, sendo
depois desligados do Exército, enquanto
as duas escolas do Rio de Janeiro eram
fechadas. Beneficiado pela anistia
decretada por Rodrigues Alves em
setembro de 1905, Maynard Gomes
reingressou na Escola Tática de
Realengo, que voltara a funcionar.
Declarado aspirante em 1910, foi
classificado na 6ª Companhia de
Infantaria, sediada em Aracaju, onde
serviu até 1914. Em julho desse ano foi
promovido a segundo-tenente, servindo de
1914 a 1917 no 3º Regimento de
Infantaria, sediado no Rio de Janeiro.
Em 1918 retornou à capital sergipana,
sendo promovido a primeiro-tenente em
julho de 1919 e permanecendo até 1920 no
41º Batalhão de Caçadores, quando foi
designado para o 12º Regimento de
Infantaria, sediado em Belo Horizonte,
onde serviu até 1922. No início da
década de 1920, o clima de insatisfação
existente nos principais centros
políticos e militares do país contra o
governo federal instalou-se
progressivamente na capital sergipana,
atingindo a corporação ali sediada,
denominada, na época, 19ª Companhia de
Metralhadoras. Em outubro de 1921
começou a campanha da Reação Republicana
para as eleições presidenciais do ano
seguinte, em apoio à chapa oposicionista
composta por Nilo Peçanha e José Joaquim
Seabra, e a tensão aumentou com a
publicação pela imprensa de documentos
ofensivos ao Exército atribuídos a Artur
Bernardes, candidato situacionista.
Sindicância posterior concluiu tratar-se
de textos forjados o que fez com que o
episódio passasse a ser conhecido como
“as cartas falsas”, mas na ocasião o
comandante da guarnição sergipana se
colocou ostensivamente contra Bernardes,
que viria a ser eleito em março de 1922.
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Rua da Aurora,
atual rua da frente Aracaju sec.
XIX |
A oposição ao governo federal se
cristalizou após a eclosão, em julho de
1922, dos levantes da Escola Militar e
do forte de Copacabana, no Rio de
Janeiro, que marcaram o início do ciclo
de revoltas tenentistas da década de
1920. Vários sergipanos participaram do
movimento rebelde, entre os quais
Maynard, que cursava a Escola de
Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).
Derrotados, foram presos, expulsos de
suas escolas e recambiados para Sergipe.
Maynard esteve na penitenciária da ilha
das Cobras, de onde conseguiu fugir para
o continente. Recapturado, permaneceu
detido sob confiança até partir para
Aracaju, onde chegou em fins de 1922,
incorporando -se ao 28º Batalhão de
Caçadores (antigo 41º BC), unidade em
que serviu até 1924.
Na capital sergipana, Maynard Gomes
integrou-se ao oposicionismo local.
Quando o marechal e ex-presidente da
República Hermes da Fonseca, que
desfrutava de grande prestígio entre os
jovens oficiais, faleceu, em setembro de
1923, o Diário da Manhã comentou o fato
de maneira que desagradou os militares.
Maynard, junto com o capitão Eurípedes
de Lima e o primeiro-tenente João
Soarino, invadiram em plena luz do dia a
redação do jornal, causando danos
materiais à oficina, em ação pela qual
não sofreu represálias. Nessa época.
Maynard era secretário da
Campanha pelo Voto Secreto, integrando,
junto com intelectuais civis, um grupo
que lutava pela conquista de reformas no
sistema político do país. Em dezembro de
1923 o presidente Artur Bernardes
requisitou o 28º BC para intervir na
tensa situação criada pelas eleições
estaduais na Bahia, então governada por
J. J. Seabra, seu adversário político. O
contingente de Sergipe permaneceu em
Salvador durante quatro meses, período
em que Maynard enviou várias cartas a
Seabra solicitando, em vão, que forças
policiais baianas fossem colocadas sob
seu comando para enfrentar a ofensiva
federal. Derrotado no pleito, Seabra
exilou-se na Europa enquanto o novo
presidente estadual, Francisco Marques
de Góis Calmon, tomava posse sob estado
de sítio.

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Aracaju - Rua
das Laranjeiras |
O LEVANTE DE 1924
Com a eclosão da Revolta de 5 de
Julho de 1924 em São Paulo, iniciaram-se
em Sergipe articulações de solidariedade
aos insurretos que, sob o comando de
Isidoro Dias Lopes, ocuparam a capital
paulista. Segundo declarações
posteriores de Maynard, diante da
perspectiva de requisição da guarnição
sergipana pelo governo federal para a
repressão aos rebeldes no Sul e da
impossibilidade de adesão em São Paulo,
“urgia levar a efeito um levante local,
cuja eficiência, além de se traduzir na
ausência do próprio 28º BC ao lado das
forças legais, atrairia fatalmente
contra si outras, que descongestionariam
o principal teatro de luta”. Liderando o
movimento, Maynard, João Soarino e
Eurípedes Lima acertaram sua deflagração
para a madrugada do dia 13 de julho.
Depois de conquistarem a adesão do
segundo -tenente Manuel Messias de
Mendonça, intendente do 28º BC e
responsável pelo depósito de munições,
comunicaram o plano aos sargentos, que
acordaram e armaram os soldados,
assumindo então o controle do quartel.
Desmembrado em três companhias
comandadas pelos líderes do levante, o
contingente do 28º BC tomou o palácio do
governo, depondo o presidente do estado,
Graco Cardoso. Em seguida, ocuparam o
quartel de polícia, a cadeia pública, o
telégrafo, a estação da Companhia
Ferroviária Leste Brasileiro, a
Companhia Telefônica e a estação de
energia elétrica, consumando seu
controle sobre a capital.
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mercado público municipal -
Aracaju 1920 |
Os chefes
revolucionários organizaram-se então em
uma junta governativa militar, que
imediatamente lançou uma Proclamação ao
povo sergipano explicando os objetivos
do levante, e tomou as providências
necessárias para a defesa da cidade.
Entre as medidas adotadas, a abertura de
alistamento para voluntários atestou a
ampla receptividade que o movimento
rebelde encontrou entre a população de
Aracaju e muitos municípios
interioranos. Entretanto, tropas
oriundas de Pernambuco, Paraíba, Alagoas
e Bahia, comandadas pelo general Marçal
Nonato de Faria, cercaram a cidade pelos
flancos norte e sul, logrando romper as
defesas rebeldes. Segundo o livro de
José lbarê Costa Dantas, O tenentismo em
Sergipe, o cerco legalista a Aracaju
provocou total desorganização entre as
forças rebeldes. Maynard, principal
dirigente da junta governativa militar,
teria recebido do general Marçal
intimação para render -se, tendo em
vista a superioridade numérica dos
efetivos legalistas e o fracasso do
levante em São Paulo, onde os revoltosos
haviam sido forçados a abandonar a
capital, deslocando-se para o interior.
Apoiado em depoimentos de testemunhas,
entre as quais o tenente João Soarino,
Ibarê Costa Dantas afirma que a
intimação do comandante legalista e a
desproporção de forças teriam provocado
a desestruturação dos efetivos rebeldes
e a fuga de seus chefes. Maynard, por
sua vez, em entrevista concedida em 1927
apresentou outra versão dos
acontecimentos, segundo a qual o reduto
revolucionário teria caído por força da
traição do general Marçal de Faria, que
enviou pelotões de negociação que
tomaram de assalto as posições
revolucionárias depois de nelas
penetrarem protegidos por bandeiras
brancas.

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Aracaju - Rua
das Laranjeiras com lagarto |
PRISÕES E NOVO LEVANTE
Com a queda de Aracaju, Maynard
fugiu para São Paulo, onde foi preso,
transferido para o Rio de Janeiro e
depois recambiado para a capital
sergipana, aonde chegou em fevereiro de
1925. Nessa época, preso no 28º BC,
escreveu A revolução em Sergipe —
resposta ao sr. Graco Cardoso. A
presença no Piauí da Coluna Miguel
Costa-Prestes que, formada no oeste do
Paraná em abril de 1925 pela junção dos
revolucionários paulistas e contingentes
gaúchos sublevados em outubro de 1924,
percorria o país pregando a revolução,
estimulou os “tenentes” sergipanos a
tentarem um levante local de
solidariedade. Aguardando julgamento em
regime liberal de prisão, Maynard, que
desfrutava de grande popularidade entre
a tropa, passou a coordenar as
articulações para a nova revolta
deflagrada na noite de 18 de janeiro de
1926. De posse de uma arma que lhe fora
entregue por um companheiro, Maynard
dirigiu a tomada do 28º BC, e junto com
seus antigos companheiros, o capitão
Eurípedes de Lima e o tenente João
Soarino, tomou posição nos pontos
estratégicos da cidade. Entretanto, a
tropa da Polícia Militar do estado,
comandada pelo general Marçal de Faria,
desencadeou rapidamente a
contra-ofensiva e dominou a situação
depois de quatro horas de renhidos
combates. Maynard, ferido no pé,
precisou deixar o comando rebelde, e foi
preso em casa, onde amigos e parentes
providenciavam curativos. Conduzido ao
quartel e depois ao hospital, foi
operado, enquanto os outros líderes da
revolta eram detidos. No mês seguinte,
mais de cem revoltosos, entre os quais
Maynard, Eurípedes Lima, João Soarino e
Manuel Messias de Mendonça, foram
embarcados com destino à ilha da
Trindade, no litoral do Espírito Santo,
onde foram recebidos no dia 10 de março
por militares de outros estados
igualmente envolvidos em levantes contra
o governo federal. Em novembro de 1926,
Washington Luís tomou posse na
presidência da República e providenciou
a transferência dos degredados da ilha
da Trindade para o Rio de Janeiro, aonde
chegaram em dezembro., Muitos foram
imediatamente libertados, enquanto
Maynard e outros doentes permaneceram no
Hospital Militar. Em fevereiro de 1927
um grupo de amigos lançou sua
candidatura para o Senado estadual, em
Sergipe, obtendo apenas 116 votos.
Transferido para o 1º Regimento de
Cavalaria no mês seguinte, Maynard
passou a desfrutar de ampla liberdade de
movimentos, sendo-lhe permitido ler
jornais, escrever para seus
correligionários e manter contato com
amigos, que o informavam sobre a
situação política de Sergipe e do
conjunto do país.
Transferido para Aracaju em
setembro de 1927, Maynard, Eurípedes
Lima, João Soarino e outros
revolucionários sergipanos foram
recebidos com grande aclamação popular.
Julgados em 1928, os oficiais que haviam
integrado a junta governativa militar
sergipana em 1924 foram condenados em
primeira instância a dez anos de prisão,
obtendo depois redução da pena no
Supremo Tribunal Federal para dois anos.
Julgados novamente em 1929 , agora pelo
levante de 1926, foram condenados a um
ano e quatro meses de reclusão, tempo
inferior ao período já cumprido na
prisão. Aguardando o resultado da
apelação do procurador público ao STF,
Maynard foi transferido, em setembro de
1929, para o Rio de Janeiro, onde
prosseguiu seus contatos políticos.
Nessa época, a campanha da Aliança
Liberal para as eleições presidenciais
do ano seguinte estava no auge, em torno
da chapa oposicionista composta por
Getúlio Vargas e João Pessoa. O pleito
de março de 1930, entretanto, foi
vencido pelo situacionista Júlio
Prestes, o que conduziu à intensificação
dos preparativos para a tomada do poder
pela oposição através de um levante
armado de âmbito nacional. Identificado
com a ala tenentista engajada no projeto
insurrecional, Maynard fugiu da prisão
às vésperas da data marcada para a
deflagração do movimento (3 de outubro)
e, disfarçado de garimpeiro, partiu com
alguns companheiros para Belo Horizonte.
Seguiu depois para Juiz de Fora (MG),
onde teve destacada atuação no combate
ao 10º Regimento de Infantaria, que
resistiu tenazmente até o dia 24 de
outubro, quando a revolução triunfou com
a deposição, no Rio de Janeiro, do
presidente Washington Luís.

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Aracaju - Rua da
Estância |
NO GOVERNO DE SERGIPE
Maynard retornou a Aracaju
no dia 8 de novembro de 1930,
acompanhado de Juarez Távora, comandante
da revolução vitoriosa no Norte e
Nordeste do país. No dia 16, foi nomeado
por Juarez governador provisório de
Sergipe. Anistiado e promovido a capitão
ainda em novembro, em 19 de dezembro foi
confirmado na chefia do governo
estadual, na condição de interventor
federal no estado. Em agosto de 1931 foi
elevado a major, por merecimento, e no
ano seguinte presidiu em Sergipe o Clube
3 de Outubro, organização tenentista
criada em vários estados com o objetivo
de defender os ideais do movimento de
1930. Quando da eclosão da Revolução
Constitucionalista de São Paulo, em
julho de 1932, passou telegrama ao chefe
do Governo Provisório, Getúlio Vargas,
oferecendo tropas para combater os
insurretos. Durante a luta, enviou o 28º
BC e vários contingentes da Polícia
Militar para participarem das operações.
Depois da vitória sobre os paulistas,
alcançada em outubro de 1932, o Governo
Provisório retomou o processo de
institucionalização da vida política
nacional, atendendo inclusive a
importantes aspirações dos
constitucionalistas derrotados, como a
convocação, para maio de 1933, de
eleições para a Assembléia Nacional
Constituinte (ANC). Nessa época,
formaram-se nos diversos estados
agremiações que buscavam representar os
objetivos doutrinários da Revolução de
1930. Maynard apoiou a criação do
Partido Republicano de Sergipe, que
indicou candidatos à Constituinte pela
lista Liberdade e Civismo e elegeu
Leandro Maynard Maciel, José Rodrigues
da Costa Dória e Deodato da Silva Maia
Júnior para a bancada sergipana, formada
no total por oito deputados. Maynard foi
fundador e dirigente do Partido Social
Democrático de Sergipe, que não
conseguiu obter maioria na composição da
Assembléia Constituinte estadual eleita
em outubro de 1934 com a incumbência de
promulgar a nova Constituição do estado,
além de indicar o representante de
Sergipe no Senado e eleger o governador.
Em fevereiro de 1935, escreveu ao
presidente Getúlio Vargas sobre as
dificuldades que estava encontrando para
definir a sucessão estadual, e às
vésperas da instalação da Constituinte
de Sergipe telegrafou ao presidente
solicitando exoneração do cargo de
interventor. Alegava sentir-se ameaçado
e ter sofrido campanha “indigna e
mentirosa” por parte de seus
adversários. Depois de obter de Vargas a
satisfação de seu pedido, concorreu às
eleições indiretas para o governo do
estado, sendo derrotado por seu
adversário na política local, Erônides
de Carvalho. Inconformado com esse
resultado, Maynard, a princípio,
recusou-se a transmitir o cargo para o
seu sucessor. Finalmente, resolveu
passá-lo ao secretário -geral da sua
administração, Aristides Napoleão de
Carvalho, retirando -se para sua fazenda
no município de Rosário do Catete. A
administração de Maynard Gomes em
Sergipe caracterizou-se inicialmente
pela preocupação, comum aos
revolucionários de 1930, de moralizar os
negócios públicos. Com esse fim, no
início de sua interventoria nomeou
comissões de inquérito encarregadas de
apurar possíveis irregularidades
cometidas por membros do governo
deposto, que foram transformadas em
comissões de sindicância por
determinação do ministro da Justiça,
Osvaldo Aranha. No setor das obras
públicas, Maynard construiu pontes,
escolas e diversas rodovias estaduais,
como a Laranjeiras-Pedra branca, a
Itabaiana -São Cristóvão e a Itaporanga-
Salgado; iniciou também a construção de
uma nova estação ferroviária para a
capital. Durante seu governo, o
Instituto Histórico e Geográfico de
Sergipe tentou mais uma vez resolver a
questão de limites com o estado da
Bahia. A despeito das providências
tomadas para seu arbitramento, essa
questão, originada no período de domínio
holandês no Nordeste, permaneceu sem
solução até a década de 1970.

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Aracaju - Rua
Itabaiana |
TRIBUNAL DE SEGURANÇA NACIONAL
A Lei de Segurança
Nacional, promulgada em 4 de abril de
1935, definia crimes contra a ordem
política e social. Sua principal
finalidade era transferir para uma
legislação
especial os crimes contra a segurança do
Estado, submetendo- os a um regime mais
rigoroso, com o abandono das garantias
processuais.
A LSN foi aprovada, após tramitar por
longo período no Congresso e ser objeto
de acirrados debates, num contexto de
crescente radicalização política, pouco
depois de os setores de esquerda terem
fundado a Aliança Nacional Libertadora.
Nos anos seguintes à sua promulgação foi
aperfeiçoada pelo governo Vargas,
tornando-se cada vez mais rigorosa e
detalhada. Em setembro de 1936, sua
aplicação foi reforçada com a criação do
Tribunal de Segurança Nacional.
Tribunal de exceção instituído em
setembro de 1936, subordinado à Justiça
Militar. Era composto por juízes civis e
militares escolhidos diretamente pelo
presidente da República e deveria ser
ativado
sempre que o país estivesse sob o estado
de guerra. A criação do TSN está ligada
à repressão aos envolvidos no fracassado
levante comunista de novembro de 1935,
quando militantes da Aliança Nacional
Libertadora se insurgiram contra o
governo de Getúlio Vargas nas cidades de
Natal, Recife e Rio de Janeiro. A função
do tribunal era processar e julgar, em
primeira instância, as pessoas acusadas
de promover atividades contra a
segurança externa do país e contra as
instituições militares, políticas e
sociais. Entre setembro de 1936 e
dezembro de 1937, 1.420 pessoas foram
por ele sentenciadas. Com a implantação
da ditadura do Estado Novo, em novembro
de 1937, o TSN deixou de se subordinar
ao Superior Tribunal Militar e passou a
desfrutar de uma jurisdição especial
autônoma. Ao mesmo tempo, tornou-se um
órgão permanente. Nesse período passou a
julgar não só comunistas e militantes de
esquerda, mas também integralistas e
políticos liberais que se opunham ao
governo.
Maynard Gomes foi nomeado Juiz do
tribunal de segurança nacional, nesse
período maynard julgou Monteiro Lobato,
ele proferiu sentença absolutória,
depois de considerar o livre exercício
do direito de crítica, dadas as relações
de amizade entre o autor e o
destinatário, o caráter sigiloso da
missiva e a ausência dos elementos
materias e morais do crime de injúria.
Não obstante, em 20 de maio de 1940, o
Tribunal Pleno, após recurso de ofício,
reformou a sentença absolutória, por
unanimidade de votos, "para condenar
José Bento Monteiro Lobato à pena de
seis meses de prisão, grau mínimo do
art. 3º, inciso 25, do Decreto-lei nº
431, de 1938, reconhecida, na ausência
de agravantes, a ocorrência da
circunstância atenuante de exemplar
comportamento anterior". Também julgou o
líder comunista Luis Carlos Prestes em
1942

DEPOIS DO GOVERNO
Em dezembro de 1935, o
governador Erônides de Carvalho
escreveu a Vargas acusando Maynard
de ter sido o principal
responsável em Sergipe pela
agitação social que acompanhou o
movimento armado que a Aliança
Nacional Libertadora — na
ilegalidade desde julho — promoveu
em novembro em Natal, Recife e Rio
de Janeiro sob a influência do
então Partido Comunista do Brasil,
mais tarde Partido Comunista
Brasileiro. De acordo com a
denúncia, correligionários de
Maynard teriam sublevado operários
e dirigido greves. Entretanto, J.
Pires Wynne, em sua História de
Sergipe, nega que Maynard tivesse
vínculos com os comunistas. De
fato, ele integrou a partir de
1937 o Tribunal de Segurança
Nacional, criado em setembro de
1936 especialmente para julgar
acusados de subversão, tendo
participado do julgamento e da
condenação de muitos elementos
envolvidos no referido levante.
Maynard foi promovido a
tenente-coronel em maio de 1936,
ano em que comandou o 28º BC,
sendo transferido em 1937 para a
12ª Circunscrição de Recrutamento,
ainda em Aracaju. Nesse ano, foi
delegado do Partido Republicano à
convenção interpartidária que
lançou a candidatura de José
Américo de Almeida, oficiosamente
apoiada por Vargas, às eleições
presidenciais previstas para 1938,
que não se realizaram em
decorrência da instauração do
Estado Novo (10/11/1937).
Promovido a coronel em setembro
de 1939, Maynard deixou o Tribunal
de Segurança Nacional em março de
1942 para assumir novamente a
interventoria federal em Sergipe.
No mês de outubro, viajou para o
Rio de Janeiro a fim de participar
de uma reunião de interventores,
convocada por Vargas para discutir
as ameaças à defesa nacional
representadas pelos ataques de
submarinos alemães a navios no
litoral de Sergipe. Nessa viagem,
debateu com o chefe do governo os
problemas enfrentados por Sergipe
para comercializar a safra de
açúcar e outros produtos,
imobilizada pela deficiência de
transportes. Organizador, em
Sergipe, do Partido Social
Democrático (PSD), foi escolhido
presidente do seu diretório
estadual. No dia 19 de outubro de
1945, Maynard retornou ao Rio de
Janeiro, deixando em seu lugar
Francisco Leite Neto. Pretendendo
eleger-se governador de Sergipe no
pleito previsto para 2 de
dezembro, exonerou-se da
interventoria no dia 27 de
outubro, ainda na capital federal.
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Ponte em Pedra
Branca -Se , inaugurada em 1932
com a visita de Getulio Vargas,
José Américo e Maynard Gomes |
Vargas chegando
em Sergipe década de 30 |
Dois dias depois, um golpe
militar depôs Getúlio Vargas, invertendo
radicalmente o quadro político nacional.
Convidado pelo brigadeiro Eduardo Gomes,
Maynard recusou-se a participar do
movimento.
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Getulio Vargas
na residência de Augusto Maynard
Gomes |
De regresso a Aracaju fez escala em
Salvador, onde recebeu ordem de prisão
procedente do Rio de Janeiro e assinada
pelo brigadeiro Gervásio Duncan. Para J.
Pires Wynne, os setores que haviam
deposto Vargas demonstravam assim receio
do prestígio de Maynard junto ao 28º BC
que, sob sua liderança, poderia promover
alguma reação ao golpe militar. Ainda em
1945, Maynard passou à reserva. Em
janeiro de 1947 elegeu-se senador na
legenda da Aliança Partidária, formada
pelo Partido Republicano e pelo PSD,
assumindo, durante a campanha eleitoral,
posição claramente contrária ao governo
do presidente Eurico Gaspar Dutra.
Cumpriu seu mandato até o fim da
legislatura, em janeiro de 1951,
integrando também o diretório nacional
do PSD. Promovido a general-de-brigada
na reserva em 1952, Maynard obteve novo
mandato no Senado em 1954 na legenda da
coligação formada pela União Democrática
Nacional (UDN) e o Partido Social
Progressista (PSP), ocupando mais uma
vez uma cadeira na Câmara Alta de
fevereiro de 1955 até sua morte,
ocorrida no Rio de Janeiro no dia 12 de
agosto de 1957. Augusto Maynard Gomes
foi casado por três vezes, primeira vez
com a senhora Guiomar Leal Maynard, teve
uma filha, (faleceu pequena ), segundo
casamento com a senhora Anita Vieira
Maynard, neste teve quatros filhos
Wellington, Jerfesson, Lucia e
Lígia,Justamente neste período, no
segundo casamento que Maynard Passa por
grandes provações e turbulência na vida
familiar, O destino traçou um destino
muito cruel na vida do General, no
período da sua prisão, a sua mulher
morre,(Anita Vieira Maynard) deixando 4
Filhos Órfãos, de mãe, e tendo que
suportar um pai em um Cárcere, houve um
episódio muito comovente, no velório de
Maynard, O exercito autorizou só a ida
do general ao funeral, mas não autorizou
ele acompanhar o enterro, logo na saída
do féretro, Maynard diz: “ - Vai Anita,
siga para o túmulo que eu sigo para o
cárcere, deixando 4 filhos órfãos.” Foi
muito comovente, e dolorida a perda da
esposa uma grande mulher, de fibra, uma
heroína, que suportou todo o sofrimento
do marido,tendo que criar 4 filhos e boa
parte do tempo só, devido a vida militar
e as revoltas que envolveram o general.
E um o terceiro casamento foi com Helena
Nobre Maynard Gomes, com quem teve dois
filhos, Augusto Maynard Filho, e
Helenita Maynard.
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Aracaju anos 50
- Avenida J R |
SOBRE O
AUTOR:
Adailton
dos Santos Andrade
é graduado em História na
Universidade Tiradentes,
Pós-graduando em Ensino de História
pela faculdade São Luis de França;
arquivista, pesquisador;
Socio do INSTITUTO HISTORICO E
GEOGRAFICO DE SERGIPE ( IHGSE)
Email:
adailton.andrade@bol.com.br ,
adailton-andrade@hotmail.com.
trabalhou na formação e criação de
alguns arquivos como Câmera Municipal de
Maruim, Prefeitura Municipal de Rosário
do Catete, coordenou Iº seminário de
técnicas de arquivo para a região do
vale do Cotinguiba. Pesquisa a região do
Cotinguiba há 10 anos
"Nós em
Sergipe sentimos muito a falta de
assunto sobre a nossa historia na rede.
Hoje
aqui em Aracaju, ninguém tem pesquisa
deste personagem que foi o Augusto
Maynard Gomes,quer na Universidade
Federal, quer nas particulares, não
existe nada escrito, não existe uma só
monografia sobre o tema.
Quem
escreveu muito no passado foi o profº
Ibarê Dantas, hoje vivemos só de
informações do passado, mas os arquivos
públicos estão cheios de informações,
inclusive os de fora de Sergipe.
Foi
este hoje que teve a coragem de julgar o
comunista Carlos Prestes......
(...)o lugar onde achei muita
informações, foi no arquivo do Exército,
fundação Getúlio Vargas. Como também nas
minhas correspondências com a filha de
Luis Carlos Prestes, a drª Anita
Leocádia Prestes, ela tem sido muito
simpática e atenciosa aos meus e-mail."
(palavras do autor)

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS.
Dantas,Ibarê
1973 O Tenentismo em Sergipe. by Jose
Ibare Costa Dantas
Author(s) of Review:
Luiz R. B. Mott
The Hispanic American Historical
Review, Vol. 55, No. 2 (May, 1975),
pp. 367-369
doi:10.2307
Dantas,
Ibarê, 1939
Historia
de sergipe: republica (1889- 2000) /
Ibarê Dantas – Rio de janeiro: Tempo
Brasileiro,2004
ARAÚJO,
A. Chefes; ARAUJO, M. Cronologia 1943;
ARQUIVO PUBLIICO.EST..SE;
CAFÉ
FILHO, J. Tenentismo; Diário do
congresso Nacional; Encic. Mirador
FUNDAÇÃO
GETULIO VARGAS.Cronologia da Assembléia;
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NAC. LIVRO .Índice; Jornal do Brasil
(8/6/32)
LAGO,
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Peixoto, A. Getúlio;
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Relação.; Silva, H. 1935; SILVA, H.
1937; SOC. BRAS.
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COMERCIAL. Quem; WYNNE, J. Historia
FONTES
DE PESQUISA: FÉ-DE-OFÍCIO: PASTA Nº XIII-15-31-SAP-AHEX;
ARQUIVO NACIONAL; FUNDAÇÃO GETULIO
VARGAS (CPDOC ); ARQUIVO DO EXÉRCITO;
COLEGIO MILITAR DE PORTO ALEGRE
PERIÓDICOS: CORREIO DE SERGIPE, GAZETA
DO POVO, DIÁRIO DA MANHÃ, SERGIPE
JORNAL, DIÁRIO OFICIAL

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